10 coisas que você não sabia sobre a graduação de boulders

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Não foi do dia pra noite que saímos do V0 e chegamos no V16. As graduações V (Hueco Tanks), americana, e Fontainebleau, francesa, são os dois standards hoje em dia quando se fala em boulder, mas demoraram anos sendo aprimoradas, e houve outros sistemas propostos ao longo do tempo. Na verdade, foi o sistema inventando pelo americano John Gill, o sistema B, que deu origem ao popular sistema V usado hoje em dia.

1. Antes de Gill propor o sistema B em 1958, muitos problemas não eram graduados. Escalar boulders era visto como uma atividade divertida, levemente competitiva, ou como um treino para escalar vias. O sistema decimal criado no Yosemite, usado para graduar vias nos EUA, era usado também para boulders.

2. O sistema B tinha três camadas: B1 significava “difícil”, como o nível mais difícil da escalada guiada da época, B2 era “muito difícil”, usado para alguns problemas específicos de boulder, e B3 era o “limite” do boulder, usado para problemas que tinham sido feitos apenas uma vez, ou muito raramente repetidos. Repetições faziam com que a graduação de um boulder caísse.

3. Há duas razões principais para o sistema B de John Gill não ter decolado como o sistema V: primeiro, porque era um sistema muito flexível: um boulder estabelecido como B1 em 1958 era naturalmente muito mais fácil do que um B1 em 1968, quando a escalada já tinha evoluído bastante. Segundo, porque John era um ginasta treinado e escalava boulders melhor do que a maioria dos outros atletas, o que significava que cerca de 98% dos problemas de boulder da época eram graduados como B1 – pois apenas ele escalava boulders mais difíceis do que estes.

4. John também inventou outro sistema, o E, de “eliminação”: a categoria eliminava os problemas mais difíceis. Um E1 só tinha sido escalado por uma pessoa, o E2, por duas, e assim por diante até o E10, quando o problema baixava de graduação e voltava para o sistema B.  Predizendo as discussões intermináveis que rolam quando o assunto é graduação de boulder, Gill também escreveu que “a capacidade de alcance e de deixar o corpo compacto, diferentes para cada escalador, tornariam o sistema B absurdo para uso em problemas ocasionais, e escaladores de habilidades diferentes não concordariam com a graduação estabelecida”. Mas isso não seria um problema com o sistema E, que tinha sua ênfase nas “conquistas de certos escaladores, e não na dificuldade inata da rocha”.

5. Hoje em dia, a graduação Fontainebleau é tão mundialmente aceita quando a graduação V , mas não costumava ser usada nos EUA  até pouco tempo atrás – foi só nos últimos 25 anos que viajar internacionalmente para escalar boulders se tornou comum. Como na escala V, a possibilidade de crescimento da escala Fontainebleau é o que a torna tão popular.

6. Todo mundo sabe que a escala V tem esse nome devido ao apelido de John Sherman, “Verm”  ou “Vermin” (verme). Mas na verdade quem fez o apelido pegar foi George Meyers, o editor do livro de John, Hueko Tanks Climbing and Bouldering Guide. Ele exigiu que John graduasse todas as vias que ele mencionava no livro. Para isso, John usou a graduação em uso na época: o sistema V. O guia ficou popular e ajudou a estabelecer a graduação V.

7. Sherman, que acaba de lançar uma versão atualizada do guia de boulders, diz que a graduação V começou como uma piada com seu próprio ego. Quando a nova edição do guia foi feita, ele fez correções nas graduações do livro, redefinindo a graduação V para ser mais flexível do que a B. Sherman definiu a graduação de quase todos os boulders que aparecem no guia, mas distribuiu questionários para os escaladores da região na época, para tentar chegar a consensos.

8. Tem havido muita especulação sobre o limite da graduação atual: o V16/8C+ realmente existe? Havia dois competidores americanos, The Game, de Daniel Woods, e Lucid Dreaming, de Paul Robinson, mas o primeiro foi repetido com mais betas e considerado V15, e o segundo foi rebaixado a V15/16 pelo próprio Robinson, apesar de não haver ocorrido repetições até hoje. Em 2011, Adam Ondra estabeleceu um V16, Terranova, em Holjsten, na República Checa, e repetiu o problema de Christian Core, Gioiaat Varazze, na Itália – e disse que parecia um V16. Em uma entrevista, Adam disse que “Se estes dois forem só 8Cs, tudo bem, mas neste caso, nenhuma graduação faz mais sentido, e todos os problemas de boulder existentes precisam ter suas graduações rebaixadas”.

9. Se existe V16, por que não V17, ou V18? Não ficaríamos sem agarras? É verdade que a rocha pode ficar lisa demais, mas Robinson acredita que graduações assim altas serão alcançadas através de especialização: encontrando vias que sejam específicas para os pontos fortes de cada um. No caso de Lucid Dreaming, Robinson propôs que a via seja classificada como V16 devido a dois movimento contínuos em agarras minúsculas, que ele executa com maestria. Para ele, V17 ou V18 exigirão mais sequencias como esta do escalador.

10. Como se todas as graduações já não parecessem uma grande e confusa sopa de letras, considere o sistema japonês de graduação, o sistema kyu/dan, baseado em artes marciais e usado nos boulders de Ogawayama. Os problemas mais fáceis, assim com os alunos iniciantes nas artes marciais, começa no nível 10-kyu e evoluem até chegarem ao 1-kyu, ponto no qual atinge-se maestria, chamada shodan, ou “o primeiro passo” (como um V7). Os problemas mais difíceis do mundo atualmente são rokudan, ou 6-dan. Ou seja, escalar V16 faria de você um faixa preta do sexto nível!

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Sobre o autor

Redação - AM

Texto publicado pela própria redação do Portal.

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