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Dr Maximo

Remédios e tudo sobre altitude


Categoria: Saúde

ATENÇÃO!!! Antes de colocar qualquer remédio na sua caixa de primeiros socorros, pergunte um médico sobre as contra indicações destes. O uso de antibióticos, por exemplo, é extremamente perigoso se a dosagem não for seguida corretamente, e principalmente se a dosagem for repentinamente cessada. Novamente, corticóides podem ser extremamente perigosos se a dosagem e os tempos não forem seguidos ao pé da letra. Isso sem contar casos de alergias, gravidez e uso de remédios adicionados à outras substâncias. Por favor, consulte um médico, não custa nada... ou pelo menos, leia a bula !! Não me responsabilizo por nada que aconteça a você ou seus amigos, se forem usadas as drogas descritas aqui.

Por Maximo Kausch

Não há estudos conclusivos sobre o que usar contra os males da altitude. O que há são apenas especulações de cientistas e médicos que já estiveram lá encima e recomendam o uso de certas drogas. Pessoalmente, sou totalmente contra ao uso de drogas no tratamento do mal de altitude. O ideal mesmo, seria uma aclimatação eficiente que previna qualquer tipo de dano ao seu corpo. Por isso, antes de abordar qualquer tipo de droga (que teria que ser usadas como última opção) leia algumas recomendações que deveriam ser levadas em conta ao subir uma montanha com mais de 4000 metros de altitude.


Maldita dor de cabeça

Não se sabe exatamente porquê é que temos aquela indesejável dor de cabeça ao chegar nas altitudes. Minha presença nas altitudes é irrigada quase que toda a noite por horríveis dores de cabeça, e até hoje não consegui descobrir porquê. O chamado AMS ou "soroche" parece ser uma simples reação do corpo às primeiras estadias em zonas de baixa pressão. O problema é que além da dor de cabeça, falta de apetite e mal estar também são presenciados. Se após uma noite de sono, a dor de cabeça não passar, NÃO SUBA MAIS e espere até que você se sinta bem. Às vezes, mesmo sendo meninos e meninas comportados que seguimos todas as boas indicações para aclimatar bem, temos dores de cabeça e é aí que entram as drogas. Aspirinas e paracetamol parecem ser razoavelmente boas, mas uma droga que é relativamente nova, parece funcionar melhor:

Ibuprofeno

Talvez porque além de analgésico, também é um antinflamatório, Ibuprofeno resulta bem eficaz nas altitudes. Tome 2 ou 3 vezes por dia e não, repito, NÃO tome juntamente à outras drogas. Não tome mais que um tablete por vez e não, repito, NÃO use Ibuprofeno como se fosse um doce de criança. Existem contra indicações para pessoas com histórico de problemas respiratórios. Ibuprofeno é diurético, portanto, você vai ter que se hidratar com mais intensidade.

Acetazolamida - A controvérsia do Diamox

Esta curiosa droga é originalmente usada para mantêr a pressão ocular normal no tratamento à glaucomas. Nas montanhas, Diamox é usado no tratamento ao mal de montanha. Também é usado no tratamento preventivo ao mal da montanha através da ministração diária de uma dose de 125 mg. Muita gente o considera como dopping pois, de fato, esta droga ameniza o mal da montanha, ajuda no sono e acelera a aclimatação. Há pessoas que "estão em Diamox" o tempo todo que permanecem na montanha. Geralmente, estes começam a ingerir a droga 1 dia antes de chegar à montanha. Na maioria dos casos, a pessoa se sente muito melhor e mais disposta nas altitudes. Alguns acreditam que Diamox age como máscara para os sintomas do mal de altitude. Mesmo que Diamox tenha realmente efeitos benéficos na aclimatação, não quer dizer que não precisamos mais de grandes quantidades de água e subir as montanhas devagar para uma melhor aclimatação.

Para tratamento ao mal da montanha, Diamox é ministrado em doses entre 125 e 250 mg, duas vezes ao dia. A lista de possíveis efeitos colaterais é ampla, mas os mais comuns são formigamentos na ponta dos dedos e acreditem se quiser, há relatos que cerveja tem gosto diferente quando se toma Diamox. Além disso, a Acetazolamida é altamente diurética e há de ter extra cuidado com a desidratação.

Nifedipina - Tratamento a Edemas Pulmonares

Originalmente, é usado como redutor de hipertensão e contra angina (dor no peito). Porém, no montanhismo, é usado no tratamento à edemas pulmonares. Em caso de edema pulmonar, ministre inicialmente 10 mg de nefidipina oral e depois continue a dose a 30 mg, 2 vezes ao dia. Em casos de históricos de congelamento, ou membros com deficiente circulação sanguínea, a Nifedipina ajuda na prevenção de congelamentos pois liquefaz o sangue (assim como a aspirina) e previne coágulos em se formarem. Neste último caso, a dose será de 10 mg a cada 12 horas. Como não sou médico, não recomendo Nifedipina se você não conversou com um médico antes. Há MUITAS contra-indicações nesta droga, portanto, tenha bom senso e converse com um médico. Alguns nomes para esta droga são: Adalat CC, Procardia ou Procardia XL

Viagra, trazendo também alegria às altitudes

Há poucos anos, se começou a cogitar a possibilidade do uso de citrato de sildenafil (Viagra) nas grandes altitudes. De acordo com estudos, Viagra consegue diminuir a hipertensão arterial pulmonar, assim ajudando na prevenção de edemas pulmonares e hipóxia. Os tradicionais efeitos do Viagra que acontecem em altitudes baixas, não acontecem acima de 6500 metros de altitude, portanto, não se se preocupe (tampouco, seus companheiros de barraca tem que se preocupar). Esta droga é um vaso-dilatador e pode causar problemas aos que tem histórico de problemas cardíacos. Ainda não há estudos que definam a exata dosagem desta droga nas altitudes.

Descontroles da flora intestinal

Geralmente, durante as aproximações à montanhas de altitude, passamos por regiões pobres, com pobres condições sanitárias. É quase certeza que onde haja casas rio acima, estas lançam o esgoto ao ar livre, que por consequência, acaba no rio. Trate a água se você não sabe de onde esta provêem. Às vezes, mesmo com água limpa, sem presença de bactérias ou protozoários na água, ficamos doentes. A presença de minerais, como por exemplo, extra teor de enxofre no solo aderido à água de regiões vulcânicas, pode descontrolar a sua flora intestinal. Uma situação destas pode significar o fim da sua expedição dependendo da gravidade.

Fiquei doente inúmeras vezes durante minhas escaladas. Já fui intoxicado por excesso de enxofre, já tive giardíase, já tive febre tifóide e outras inúmeras doenças que até hoje nem imagino o nome ou a causa. Após todos esses anos, o que posso aconselhar é: TENHA SIMALCOL E PRESTE ATENÇÃO DE ONDE VOCÊ BEBE ÁGUA. De qualquer forma há 90% de chances que alguém na sua expedição de uma forma ou de outra adquira the shits. Há vezes, nas grandes altitudes, que por causa da pobre presença de oxigênio nos músculos da digestão, a diarréia é inevitável.

Anti-diarréicos

Imagine-se na seguinte situação: Você está a 7000 metros a -30ºC, com ventos enfurecidos e uma tempestade se desenvolvendo do lado de fora. 10 da noite o tempo piora, e você, já a várias horas dentro do seu saco de dormir, sente que tem vontade de evacuar. Você chega a correr risco de vida se tentar evacuar nessas condições. Para isso existem anti-diarréicos que podem chegar a salvar a sua vida. Não é recomendável que você pare de evacuar por meio de drogas por mais de 3 dias, mas é aceitável quando a sua vida corre risco. Também é aceitável quando você está passando por uma diarréia severa e corre risco de desidratação. Um Anti-diarréicos muito usado nas montanhas é o Imodium. Esta droga pára a diarréia diminuindo os movimentos musculares nos intestinos e no estômago. Desta forma, o bolo alimentar sofre maior absorção e o corpo evacua menos fluídos. ATENÇÃO!!!, pare o uso de Imodium se os sintomas não diminuírem em 2 dias. E NÃO, repito, NÃO exagere no uso de Imodium.

Para diarréias prolongadas com sintomas de Giardíase (arrotos sulfúricos, com cheiro a ovo podre, dores abdominais, mal-estar, fortes diarréias, etc), recomenda-se o uso de Metronidazol que vem em nos nomes de Flagyl ou Neo Metrodazol ou Metronidazole. Há uma contradição no uso de Metronidazol pois a giárdia é algo difícil em ser detectado em exames, ainda mais em ambientes hostis como montanhas. Não é recomendável o uso de Metronidazol contra outro tipo de doença que a giárdia. O arroto sulfúrico é um sintoma muito particular da giardíase, mas outra porção de bactérias e protozoários pode gerar o mesmo sintoma. Portanto, só use Metronidazol ante opinião médica.

Dexametazona, Decadrom ou simplesmente Dexa

Sempre tento evitar este assunto tão polêmico: o Dexa. Este esteróide é originalmente usado contra inchamentos cerebrais e controle de desordens hormonais, alérgicas e imunológicas. Existe em tabletes e também injetável. É comum encontrar montanhistas que sempre tem uma seringa e uma ampola de 2 mg de Dexa guardada no estojo de primeiros socorros. Acabam nunca usando. De fato, deveria se usado somente em casos de extrema urgência, pois os efeitos colaterais são muito perigosos. Nos únicos casos que o Dexa é utilizado no montanhismo, é no tratamento de pré-edemas cerebrais ou no tratamento de edemas cerebrais já existentes.

No entanto, alguns montanhistas, principalmente norte-americanos, começaram usar frações do Dexa oral como tratamento preventivo ao mal da montanha. Médicos não recomendam este tipo de tratamento já que não há estudos profundos sobre até que ponto o Dexa vai ajudar ou não na aclimatação. Dexametazona prejudica o sistema imunológico e pode ser extremamente perigoso se a dosagem for cortada repentinamente. Para os casos em que a dose de Dexametazona estiver sendo ministrada por mais de uma semana, é necessário reduzir a dosagem gradativamente antes de pará-la completamente. Esta droga é extremamente forte e perigosa, provavelmente a pior de todas mencionadas aqui. Há dezenas de contra-indicações no uso de Dexametazona, no entanto, alguns farmacêuticos insistem em vendê-lo sem prescrição médica. Isso quer dizer que se a pessoa tiver diabetes, problemas cardíacos, estiver tomando algum antibióticos, for alérgico, etc, está pondo sua vida em risco não consultando um médico.

Durante o uso de Dexametazona, fique longe de qualquer tipo de foco infeccioso. O seu sistema imunológico estará deprimido e infecções serão contraídas facilmente. Evite qualquer tipo de imunização com a presença de Dexametazona em seu corpo. É comum que pessoas se vacinem antes de embarcar a certos países por imposição de controles sanitários, tenha isso em mente ao utilizar Dexametazona.

A conservação do Dexametazona é algo importante, principalmente das ampolas. Evite o congelamento destas e o contato excessivo com calor. Dexametazona é vendido por diferentes nomes: Decadron, Dexameth, Dexona ou Hexadrol. Os tabletes de Dexametazona geralmente vêm em doses entre 0,5 mg e 4 mg e são de ação mais lenta que o injetável. Este geralmente vêm em ampolas de 4 mg. ATENÇÃO!!! A dosagem do Dexametozona injetável será determinada pelo seu peso (consulte um médico). Normalmente, no caso de um princípio de edema cerebral, duas ampolas são injetadas em um músculo.

De nada adianta saber sobre remédios, se não se sabe reconhecer os sintomas

São 3 as principais doenças de altitude e estas parecem estar ligadas umas às outras. De fato, são 3 coisas diferentes:

Sintomas do Mal de Montanha Agudo

Também chamado "soroche" em castelhano ou "AMS" em inglês, esta é a primeira das doenças que pode ser adquirida durante sua permanência em grandes altitudes. O Mal da Montanha é bem comum e pelo menos 60% dos escaladores passa por isso. A principal causa é uma má aclimatação. Se não tratado, o Mal de Montanha pode evoluir para um quadro pior como edema pulmonar ou cerebral.

O principal sintoma, é uma interminável dor de cabeça, que geralmente aparece à noite e acabará com seu sono. Falta de apetite, respiração estranha e cansaço virão em seguida. Antes de utilizar Diamox ou Aspirinas, tente simplesmente parar de subir e descansar. Se não houver melhora, aí sim, apele para as drogas ou comece a descer. Geralmente, uma noite a 500 metros de altitude a menos irá resolver o seu problema. Às vezes, a preguiça é agravada pelo mal de montanha e mais uma noite na mesma altitude pode ser grave. Já vi pessoas irem dormir com uma leve dor de cabeça e acordarem com edema pulmonar grave. Tenha bom senso, pois alguém terá que te ajudar a descer se o seu quadro for grave e isso colocará esse alguém em risco também.

Sintomas do Edema Pulmonar

É raro que um edema pulmonar agudo se desenvolva nos primeiros dias de estadia em altitudes superiores a 3500 metros. No entanto, há casos de edemas pulmonares após 2 dias de permanência nesta altitude. Isso vai depender de sua programação genética. Se você está lendo este texto, você provavelmente não sabe a que altitude você começa a se sentir mal, portanto, esteja atento aos sintomas:

Em casos de edema pulmonar, é observada uma tosse sem produção de secreções. Nos casos graves, uma espuma rosa é produzida. A respiração ficará extremamente pesada e desconfortável. Mesmo sem praticar atividades físicas, o ritmo respiratório estará com uma freqüência mais elevada que o normal. A freqüência cardíaca também ficará elevada sem a prática de exercícios. Em casos graves é possível escutar um "ruído" nos pulmões da vítima a cada inspiração e expiração. É comum que a ponta dos dedos e lábios ganhem um tom roxo.

Oxigênio engarrafado fará um bom trabalho nos pulmões da vítima, conecte esta no oxigênio a 6 lt/minuto. O tratamento de edemas pulmonares é um tanto simples: perder altitude. O problema é que às vezes a vítima não se encontra em condições de caminhar e é preciso carregá-la. Se for realmente preciso mantêr a vítima na mesma altitude até que um helicóptero chegue ou um resgate seja providenciado, é crucial que a vítima seja colocada numa câmera hiperbárica. É comum encontrar daquelas infláveis em acampamentos bases de montanhas movimentadas. A câmera hiperbárica inflável geralmente simula altitudes de 2000 metros inferiores da verdadeira. Isso é uma mão na roda para o doente, mas é horrível para a pessoa que fica do lado de fora bombeando ar constantemente com uma bomba. Vasodilatadores como a Nifedipina são usados no tratamento de edemas pulmonares.

Sintomas do Edema Cerebral

O edema é causado por fluído retido no cérebro e por conseqüência este acaba inchado. Das 3 doenças de altitude, esta é a que mata mais rápido e este é raro abaixo de 4000 metros de altitude. À primeira vista, uma pessoa com edema cerebral, parece estar bêbada. Os principais sintomas são náuseas, fortes dores de cabeça, vômitos, confusão mental, dificuldade na tomada de decisões, problemas com memória e eventualmente, coma e morte. Sem tratamento imediato, um quadro de pré-edema cerebral, pode evoluir ao óbito em questão de horas. Neste caso, também devemos descer a vítima à altitudes inferiores. Se a descida não for possível, é necessário o tratamento com potentes esteróides para desinchar o cérebro. O mais recomendado é a Dexametazona. Comece com uma dose de 8 mg, e continue com 4 mg a cada hora. Assim como em casos de edema pulmonar, a vítima deveria ser tratada com oxigênio suplementar à razão de 6 lt/minuto, juntamente ao Dexametazona.

Lembre-se, aclimate-se bem e beba muita água e jamais vai precisar usar os remédios descritos acima






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