Climatologia de montanha - Parte 2 - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
Nuvens

Climatologia de montanha - Parte 2


Categoria: Meio Ambiente

Climatologia é uma ciência um tanto complicada e complexa. Cada vez descobrimos mais e mais variáveis que explicam o clima de determinadas áreas na Terra, e os não-meteorologistas como eu entendemos cada vez menos sobre o clima. Quando trata-se de montanhas, a coisa fica mais complicada ainda pois temos que lidar com mais variáveis do que as pessoas em terra firme. No entanto há pequenos detalhes que pude observar nos últimos 15 anos e concluir que sim existem coisas que podemos distinguir no clima e são muito úteis para prever eventos básicos no clima futuro. Neste artigo vou abordar sinais que normalmente observamos nas montanhas e poderão nos ajudar muito na tomada decisões no futuro. Nesta segunda parte vamos tratar de algo bem complexo: as nuvens

Por Maximo Kausch

Espero que você já tenha lido a primeira parte do artigo de climatologia e tenha ganho noções sobre os seguintes assuntos:


  • Considerações sobre a previsão do tempo
  • Importância do conhecimento popular sobre clima
  • Adquirindo dados sobre a pressão atmosférica
  • Lendo e interpretando variações na pressão atmosférica
  • Regime geral dos ventos
  • Influência da rotação terrestre no regime dos ventos
  • Ventos de Oeste
  • Ventos Abrolhos
  • Ventos Andhi
  • Vento Föhn
  • Vento Halny
  • Vento Puelche
  • Vento Zonda
  • Jetstreams ou correntes de jato
  • Canalização de ventos
  • Calculando a altitude de congelamento
Entendendo as nuvens

Moléculas de água em estado gasoso tentem a se aproximar umas às outras enquanto estiverem em um ambiente estável. O que geralmente dá estabilidade para essa condição é a temperatura do ar que na grande maioria das vezes é definida pela altitude. Quando a temperatura se iguala à necessária para a condensação da umidade presente no ar (se presente), ocorre a formação de uma nuvem. Isso é chamado de ponto de orvalho. Este muda de acordo com a latitude, pressão, regime de ventos e constituição de nuvens.

No sentido vertical, ar quente e úmido sobe até atingir uma altitude específica para sua condensação. Este processo de formação de nuvens chama-se convecção. Observamos que nuvens formadas neste processo apresentam uma base plana e um corpo caótico ou piramidal (cumulus por exemplo).

Devido ao fato da temperatura diminuir com o aumento da altitude, o ponto de orvalho é somente alcançado há algumas centenas ou milhares de metros do solo. Existem no entanto diversas condições que podem fazer com que nuvens apareçam ao nível do mar ou mesmo em altitudes extremas.

Nuvens podem ser classificadas de acordo com seu porte, saturação e altitude de formação. Apesar de caótico, o comportamento de nuvens parece ser um tanto regular se comparado à eventos passados. Precisamos no entanto aprender a classificar cada uma delas para depois entender um pouco mais sobre seu comportamento e atingir o objetivo deste artigo que é o de ajudar o montanhista a prever eventos climáticos futuros.
 

Lendo nuvens

A observação de nuvens é uma ciência extremamente complicada. Não espere obter respostar exatas. A razão para isso é que a equação do clima é caótica. Existem milhares de variáveis em jogo que fazem com que o clima seja bom ou ruim. Como humanos não temos a capacidade de calcular coisas desse tipo e chegar à exatas conclusões. Podemos apenas nos aproximar e chegar somente a uma porcentagem de acerto, porém jamais determinaremos o que acontecerá exatamente com o clima futuro.

Em montanhas especialmente, pouco pode ser dito através da observação de uma nuvem como item exclusivo no seu critério de previsão de tempo. Para poder entender como elas podem afetar nossas escaladas, devemos antes compreender como elas funcionam em conjunto com o regime local de ventos.

Um dos fatores chave para formação de nuvens que nós podemos usar é o deslocamento de massas de forma horizontal. Sem instrumentos porém fica muito difícil medir algo desse porte e pouco podemos fazer.

Existem no entanto algumas coisas que evidenciam ou mesmo antecipam a presença de certos eventos decisivos para o clima: nuvens!! Alguns destes eventos são as frentes térmicas. Estas afetam o clima diretamente em razão de minutos ou horas. Vamos abordar 2 deles:

  • Frente fria: quando ar frio e seco se desloca para uma região que contém ar mais quente e úmido
  • Frente quente: quando ar quente e úmido se desloca para uma região de ar mais frio e seco

É exatamente aqui que a coisa começa a ficar interessante para os montanhistas. Simplesmente observando que tipo de nuvens são formadas antes, durante e depois uma frente, você poderá usar o seu "olhômetro" e dizer muito sobre o comportamento do tempo futuro. Esta é a grande sacada da previsão do tempo em montanhas.
 

Frente Fria


A animação mostra uma situação típica de aparição de algo similar a um cumulonimbus formando-se com a chegada de uma frente fria. Aqui você pode claramente observar como ar quente e úmido é substituído por ar frio na altura do solo. No fenômeno, o ar quente é elevado, causando algo que já conhecemos: formação de uma nuvem.
 

Frente Quente


Uma frente quente é mais ou menos o contrário de uma frente fria. Nesta é a massa de ar quente e úmido que está se deslocando e se encontra com ar frio. A condensação acontece em forma de rampa justamente na intersecção das massas. É comum observar nuvens como nimbostratus, altostratus e cirrustratus (nesta ordem) logo após o choque das massas.
 


Uma das grandes diferenças entre estes dois tipos de frente é a superfície de contato entre as duas massas. No caso das frentes quentes, a superfície choque entre ar quente e ar frio é bastante grande e cobre grandes extensões territoriais. Isso não acontece no caso de uma frente fria. Prova disso são as nuvens geradas em cada caso.

Frentes térmicas são invisíveis, porém a posição das nuvens e aparição de outras são os únicos meios que nós temos de avaliar a direção e força destas.
 

Alguns fatos sobre frentes

A aparição de cumulus com grande crescimento vertical ante a passagem ou antecipação de uma frente fria sugere precipitação líquida no mesmo dia. A formação de cumulonimbus sugere a aparição de cumulus e mais tarde, precipitação. Aparição de stratocumulos após a passagem de uma frente fria normalmente significa chuva ou granizo na razão de algumas horas. Nuvens lenticulares acima de 6000m originadas ante a passagem de uma frente fria ou um halo ao redor do sol, comumente sugerem precipitação em menos de 2 dias.

Este último parágrafo deve ter trazido várias dúvidas na sua cabeça. Calma, vamos explicar uma por uma mais abaixo. Antes de começar a praticar nossas habilidades na previsão do tempo vamos nos aprofundar um pouco mais nas nuvens mais comuns que podemos observar numa montanha:
 

© WeatherOnline.co.uk

Nuvens baixas - abaixo de 2000m

Neblina e nevoeiro



Escalando com neblina na Escócia - Foto: Maximo Kausch

Este tipo de nuvem é o mais baixo que conhecemos. Geralmente está relacionado com a umidade local. Apesar da diferença de densidade que existe entre neblina, névoa, cerração e nevoeiro, vamos tratar todos iguais devido à relevância disso neste artigo.

É comum que neblina se forme na superfície de um lago, rio ou solo frio. Isto geralmente acontece quando o ar mais quente e saturado entra em contato com uma superfície fria. Formação de neblina é mais comum em regiões de altitude maior que 1000m devido ao alto ponto de orvalho de altitudes menores.

Muitas vezes neblina pode ser confundida com a passagem de nuvens. Para nós montanhistas é comum nos encontrarmos em situações "no meio de uma nuvem". A densidade do ar numa região montanhosa no entanto não permite a formação de uma nuvem estável. Em todos os casos, nuvens que são empurradas para uma região são temporárias. Vento ou chegada de frentes podem ser responsáveis por empurrarem nuvens ou encurralarem elas em barreiras naturais. Identificá-las nestes casos pode ser muito difícil e confundir nossas previsões de tempo.

O choque de uma nuvem com uma barreira natural pode mudar sua pressão, torná-la instável e fazer com que ela se precipite em forma de neve, chuva ou granizo. Isso acontece na maioria dos casos e a dissipação depende da velocidade e direção dos ventos locais.

Stratocumulus (Sc)
 

Um stratocumulus no chaco boliviano - Foto: Maximo Kausch

É uma nuvem dispersa de altitude baixa. Forma-se a partir da dispersão de um cumulus e é estável pois geralmente não gera precipitação. Stratocumulus podem se formar após a passagem de frentes frias e em 80% das vezes significam precipitação líquida. Seu aspecto pode ser seccionado com partes arredondadas e de base plana.

Stratus (St)
 


Stratus sobre o Mediterrâneo, Espanha - Foto: Maximo Kausch

Podem ser quase transparentes e dão uma impressão errada de dias nublados pois são um filtro muito pobre para raios UV. Um stratus pode ficar bem perto do solo e se confundir com neblina. Seu aspecto pode ser seccionado ou mesmo um manto de aspecto contínuo, cobrindo grandes extensões. São uma boa explicação para aqueles dias completamente nublados.

Sua cor pode ser branca ou cinzenta, dependendo da quantidade de gotículas de água presente no stratus. É muito comum que chuva fina seja originada por stratus.
 

Nuvens baixas (abaixo de 2000m) com grande crescimento vertical

Cumulonimbus (cb)



Cumulonimbus na Espanha - Foto: S Eugster

Sem dúvida o cumulonimbus é a nuvem mais óbvia na hora de prever o tempo. Estas nuvens chegam a ter um crescimento vertical bastante alto (até 20km de altura) e uma base relativamente pequena (500-1000m). Por serem tão grandes, podem ser constituídas por gotículas de água, cristais de gelo ou neve. O que caracteriza estas nuvens é o topo que é mais largo do que seu corpo (o topo normalmente tem o formato de bigorna)

Geralmente estão associadas com a formação de trovoadas, uma forma muito destrutiva da natureza. Para que uma trovoada aconteça, condições específicas são necessárias em cumulonimbus de grande porte. Estas porém são alcançadas facilmente durante o deslocamento de uma frente fria em uma região subtropical. É comum que descargas elétricas atinjam o solo causando raios. Vamos tratar deste fenômeno com maiores detalhes no próximo artigo de climatologia.

A presença destas nuvens sugere precipitação na grande maioria dos casos. É só uma questão de onde e quando.
 

Nuvens baixas (abaixo de 2000m) com médio crescimento vertical

Cumulus (Cu)




Cumulus no interior de São Paulo - Foto: Maximo Kausch

Apesar da abreviação nada agradável, estas nuvens são extremamente importantes para o regime de chuvas de regiões subtropicais. É uma nuvem bem familiar que todos os brasileiros estão acostumados. Um cumulus de tamanho pequeno ou moderado pode ser passageiro e não representar mau tempo. Eles contudo crescem e ficam instáveis, passando a se chamar cumulus congestus, essas sim podem trazer chuva forte, ventos fortes, granizo e raios. Um cumulus congestus de grande porte pode crescer e se transformar num cumulonimbus.

A presença de cumulus em crescimento após a passagem de uma frente fria sugere, quase sempre, precipitação líquida. Existem várias montanhas brasileiras onde podemos estar de cara a cara com um cumulus que foi empurrado para a área em questão.

Nimbostratus (Ns)
 


Alguns nimbostratus em São Bento do Sapucaí - Foto: Maximo Kausch

Esta é sem dúvida a mais confusa de todas. Nimbostratus não tem uma forma distinta ou identificável. São cinzas e densas. Devido a sua forma que pode alcançar proporções imensas, será difícil identificar uma à curta distância. São quase sempre uma indicação de precipitação quando se tornam instáveis (nimbus=chuva).
 

Nuvens de altitude média - Entre 2000 e 6000m

Altocumulus (Ac)




Altocumulus a 5000m no Paquistão - Foto: Maximo Kausch

Esta nuvem de altitude média geralmente apresenta segmentadas, com ondas ou estruturas menores alinhadas. Se parecem muito em sua estrutura ao stratocumulus porém aparecem a pelo menos 3000m mais acima delas. Altocumulus podem preceder uma frente fria.

Altostratus (As)
 


Altostratus em Santa Catarina - Foto: Maximo Kausch

       
Mais uma para confundir. Sua aparência pode ser similar ao altocumulus, stratus, stratocumulus e cirrocumulus. Porém muitas vezes podem aparecer como um manto cinza escuro ou aspecto azulado. Outro diferencial destas é o fato de não produzirem o efeito "halo" que é uma efeito óptico formado ao redor do sol ou da lua. Sua composição é basicamente de cristais de gelo. Altostratus podem antecipar a chegada de uma frente quente.
 

Nuvens altas - acima de 6000m

Cirrocumulus (Cc)




Cirrocumulus em Jebel Ramm, Jordânia - Foto: Maximo Kausch

Das nuvens de grandes altitudes, é a única que pode aparecer de forma seccionada, assim como o altostratus, stratocumulus, etc. A diferença de nuvens de altitudes menores como altocumulus por exemplo é que estas são de massa menor e não fazem sombra. Formam-se a partir do desenvolvimento vertical de cirrus e cirrustratus. Cirrocumulus geralmente marcam a base das correntes de jato.

Nuvens lenticulares
 


Nuvem lenticular sobre o lago Lomond, Escócia - Foto: Maximo Kausch

A formação destas curiosas nuvens é um tanto interessante. Quando ar úmido estável está soprando por uma crista montanhosa, ele pode se condensar em qualquer lugar onde encontre seu ponto de orvalho. Muitas vezes a neve e gelo de uma crista montanhosa são mais frias do que o ambiente, fazendo com que o ar que está passando esfrie e atinja seu ponto de orvalho. Deste modo uma nuvem é formada no ar enquanto ele estiver soprando pela crista. O efeito porém é temporário pois o ar fora da crista montanhosa não consegue esfriar o suficiente para atingir o ponto de orvalho.

O resultado disto é uma espécie de "capacete" ou convexidade suspensa sobre a montanha. O efeito pode ter várias camadas ou "andares". Muitas vezes ele pode se formar sobre uma onda no vento causada por alguma frente térmica. O resultado é uma estranha nuvem arredondada suspensa no meio do nada! Estas já foram muitas vezes confundidas com discos voadores.
 


Uma nuvem lenticular sofrendo alterações a 6500m na Argentina. Observe o lapso de tempo: 2, 7 e 4 minutos - Foto: Maximo Kausch

Na maioria das vezes trata-se na verdade de uma variedade de altocumulus chamada altocumulus lenticularis, porém pode ser um stratocumulus lenticularis ou cirrocumulus lenticularis.

Lenticulares podem copiar o cume de uma montanha ou de uma ondulação em vento chamada onda estacionária. O efeito visual pode durar alguns minutos ou algumas horas.

Observando a existência de uma nuvem lenticular no cume de uma montanha podemos chegar a várias conclusões. Primeiramente sabemos a direção do vento. Segundo que é provável que algum tipo fenômeno Föhn (Zonda, Helm, Chinhook, Föhn, etc) está se desencadeando (leia mais sobre isso). Adicionando esses dados às variações na pressão atmosférica que você aprendeu na parte 1, você terá uma importante ferramenta na previsão do tempo local.
 



Esta foto ilustra exatamente isso. Foi tirada no Illimani, Bolívia em julho de 2009. Uma "coroa" que copia a forma da montanha pode ser vista no céu. Logo abaixo a condensação de um vento föhn pode ser claramente "caindo" encosta abaixo. Note que o lapso de tempo entre as 2 fotos é de apenas 6 minutos!! O tempo entre a aparição da primeira nuvem föhn até a formação de uma tempestade foi de 30 minutos - Foto: Maximo Kausch

Cirrus (Ci)




Cirrus sobre os vulcões gêmeos, Bolívia - Foto: Maximo Kausch

Cirrus podem ser modificados por correntes de jato e se estender por milhares de quilômetros porém ainda com alguns quilômetros de largura. Sua aparência se assemelha à de fios de cabelo cacheados. Os "cabelos" geralmente indicam a direção do vento ao qual estão se adaptando. Cirrus podem também exibir a ilusão de um halo.

Cirrostratus (Cs)




Cirrostratus no Chile, visto de 2900m - Foto: Maximo Kausch

São as mais imperceptíveis de todas. Quando são visíveis, aparecem forma de véu fino. Muitas vezes só podem ser vistas através do efeito halo produzido por elas. Podem antecipar uma frente quente.
 

Alguns exemplos práticos

Agora com o conhecimento que você ganhou, tente misturar isso com a topografia local. Em montanhas altas, especialmente as de 8000 metros de altitude, você vai encontrar verdadeiros absurdos. É importante saber identificar nuvens em qualquer altitude e tentar associar a presença de cada nuvem com os padrões de clima local. Muitas vezes ficamos embelezados com as cenas que vemos nas montanhas e acabamos esquecendo o que elas podem significar. Veja abaixo alguns exemplos disso. Iremos identificar o tipo de nuvem e o provável significado desta:
 


Quem conhece essa foto? Esta é uma famosa foto usada de fundo de tela por milhões usuários de PC. Podemos observar várias estruturas aqui, ao que parece, existe um cirrustratus no meio/parte superior da foto. Ao fundo existe uma série de cumulus e altocumulus no meio. Como eu não estava na situação é difícil deduzir. Porém vou arriscar:

A mais provável explicação é que uma frente quente está se aproximando e as nuvens densas do fundo vão chegar onde está o fotógrafo e irá chover em algumas horas. Observe a forma da "rampa" que conhecemos de uma frente quente.

Quem diria? Agora você nunca mais irá olhar fotos com os mesmos olhos!
Foto: Microsoft.com




Este é o Eiger na Suíça com 4000m. Acima podemos ver uma série de cirrustratus. As linhas indicam que existem ventos muito fortes soprando por volta de 7000/8000m. Isso pode estar relacionado com a corrente de jato local que normalmente oscila por cima dessa mesma região, só que a 9000m
Foto: Maximo Kausch



Escalando boulders em Atibaia-SP. Ao fundo podem ser vistos diversos cumulus. Além disso repare que o céu está cinza. Este fundo cinza é claramente bem mais alto que os cumulus. Considerando que a altitude dessa região é de 1000 metros, podemos então dizer que trata-se de um manto de altostratus a pelo menos 6000 metros de altitude. A separação das 2 estruturas não evidenciam chuva ou aproximação de frentes.

Foto: Maximo Kausch



Um belo pôr do sol no Ama Dablam, Nepal. A foto foi tirada do acampamento base a 4500m de altitude. O ângulo dos raios solares nos ajudam a revelar a altitude e forma dessas nuvens. A cor azulada evidencia que se trata de altostratus suspensos a pelo menos 6500m. A dispersão das nuvens (maior na parte mais alta da foto e menor no fundo) indica que existe um limite natural grande (o Makalu e Kangchenjunga) atrás dessa cadeia. Com isso concluimos que o vento está soprando a 6500m em direção oeste (onde o sol está se pondo). Sabendo disso eu pude saber que no caminho ao cume do Ama Dablam eu estaria protegido do vento na maior parte do dia. Foi isso o que aconteceu.

Foto: Maximo Kausch



Uma nuvem lenticular suspensa no céu da região do Cerro La Ramada na Argentina (veja a sequência de 4 quadros mais acima). A direção do vento predominante é O>L (chamado Viento Oeste). O fato de não existir um cume grande abaixo dessa nuvem indica que uma onda estacionária está criando a nuvem. Esta pode ser causa de um futuro efeito Zonda em altitudes inferiores na Província de San Juan. Para mim significava que terei rajadas ocasionais de vento forte na minha cara pois estaria escalando em direção oeste, oposto ao vento.

Foto: Maximo Kausch



Mulas pastando no caminho à Laguna Glaciar, Bolívia. A cena é a 3100m de altitude.  Presença de cumulus e altocumulus. Os raios solares revelam que o ar está úmido e pode se condensar se a temperatura diminuir. Olhando para a foto não há muito mais o que concluir fora de que eu não deveria estar carregando minha mochila pois podia contratar uma mula!

Foto: Maximo Kausch



Aproximando a foz do Glaciar Frio nas proximidades ao Pico Polaco, Argentina. A foto foi tirada a 3500m. A proximidade das nuvens ao solo revela que se trata de altocumulus

Foto: Maximo Kausch



Cirrus vistos do acampamento base dos Gasherbrums, Paquistão (5000m). A nuvens nos dão a direção dos ventos de altitude que por acaso tratavam-se de correntes de jato.

Foto: Maximo Kausch



Um belo exemplo de um nimbostratus durante um pôr do sol na Bolívia. A foto foi tirada de Villa Sajama, a 4300m de altitude. O fato de se tratar da parte mais alta dos Andes e de ser um pôr do sol, me fez lembrar do ditado "red sky at night shepherd´s delight, red sky in the morning shepherd´s warning". De fato a rotação terrestre dispersou uma possível tempestade e mandou ela para o Chile.

Foto: Maximo Kausch



Altocumulus na Turquia visto de 800m de altitude

Foto: Maximo Kausch



Arenales na Argentina, um paraíso de escalada em rocha. A nuvem suspensa no meio da foto nos dá a direção N>S do vento. Trata-se se um altostratus.

Vales profundos como este podem nos dar uma falsa impressão de segurança pois um vento föhn pode estar se desenvolvendo no céu que não conseguimos ver de dentro do vale. Neste caso a orientação L>O do vale nos dá segurança pois se houvesse algum tipo de föhn (Zonda), ele sopraria do oeste no caso de Arenales e aqui vemos claramente que o vento forte está orientado de N>S.

Estas evidências no entanto apenas explicam o momento da foto. Uma mudança na direção dos ventos ou precipitação do leste pode mudar a historia completamente.

Foto: Maximo Kausch



Um cumulus se desenvolvendo sobre um profundo e úmido vale de 1900m na Bolívia. A foto foi tirada de 5700m. Devido à altitude e segmentação, o manto de nuvens é provavelmente de altocumulus saturados.  No momento da foto provavelmente estava chovendo em Sorata (abaixo do cumulus). Se o ar local estiver suficientemente quente, essa massa pode se elevar sendo empurrada pelo vento oeste durante a noite e pode nevar na região. Se a massa de nuvens estivesse do outro lado das montanhas eu não me preocuparia.

Foto: Maximo Kausch



Stratus na Bolívia perto da fronteira com o Brasil.

Foto: Maximo Kausch



Nimbostratus sobre Ben Nevis, Escócia

Foto: Maximo Kausch



Altocumulus suspensos sobre os Cathedrals, Paquistão.

Foto: Maximo Kausch



Altostratus no Valle Vacas, Argentina.

Foto: Maximo Kausch



Cirrus sobre Gasherbrum I e VI, Paquistão

Foto: Maximo Kausch



Tapete de stratus na Bolívia visto de 6400m.

Foto: Maximo Kausch



Luz solar coberta pela sombra do Hidden Peak (8080m), no Paquistão. Séries de algo parecido com altostratus podem ser vistas passando pelo cume.

Foto: Maximo Kausch



Um grande tapete de stratus vista de 3900m da França. Altostratus e Cirrustratus podem ser vistos na parte vermelha da foto.

Foto: Maximo Kausch



Cirrostratus e cirrucumulus suspensos sobre o Cho Oyu, Tibet. Uma nuvem lenticular pode ser vista no cume do Cho Oyu, o fenômeno porém não evidencia ventos Föhn. A direção do vento e até mesmo a interferência da montanha nos ventos pode ser vista na estrutura das nuvens.

Foto: Maximo Kausch



Altostratus e cumulus sobre lago Lomond, Escócia.

Foto: Maximo Kausch



Nuvens lenticulares de grande porte acima do Ojos del Salado, Chile. A massa de umidade foi deslocada da Argentina (esquerda). A parte ocidental dos Andes é geralmente mais seca devido à corrente marítima fria existente no Pacífico. Ao mesmo tempo, por ter ar mais denso, o ar frio do Pacífico origina ventos predominantes de O>L. A umidade gerada no continente portanto deve vencer a barreira de ventos oeste. Isso faz com que as massas de umidade se acumulem e ganhem proporções imensas para vencer a barreira de ventos.

Foto: Maximo Kausch



Colchão de altocumulus vistos desde o Ama Dablam, Nepal. Pelo incrível que pareça, todas estas nuvens foram dissipadas com a chegada da noite.

Foto: Maximo Kausch



Notável desenvolvimento vertical de um cumulus. Cena vista de 5000m desde o Cho Oyu, Tibet.

Foto: Maximo Kausch



Nuvem lenticular se desenvolvendo no cume do Hidden Peak no Paquistão. O fenômeno não está relacionado com ventos föhn dada a altitude superior a 8000m da montanha. Repare como o chapéu de nuvens se adapta à montanha quase que perfeitamente.

Foto: Maximo Kausch



Massa instável se aproximando do Karakorum no Paquistão. A China  fica na parte escura, esquerda da foto. A massa gerou uma tempestade de neve de 36 horas e enterrou as barracas da foto.

Foto: Maximo Kausch



Cirrocumulus vistos de 4500m desde o Tolosa, Argentina. Alguns cumulos também podem ser observados. Eles evidenciam a direção e altitude das correntes de jato locais

Foto: Maximo Kausch



Nuvem lenticular estacionária no cume do Tronador, Argentina. Neste caso a proximidade do fotógrafo dificulta a identificação da direção dos ventos que provavelmente é O>L

Foto: Maximo Kausch



Nuvens lenticulares não estacionárias no Afeganistão

Foto: Maximo Kausch



Massa de nimbustratus e cumulus se aproximando no Aconcágua, a 3200m. Chuva é iminente.

Foto: Maximo Kausch



Uma trilha de altocumulus em Ischigualasto, Argentina. Nesta foto se pode ver claramente a extensão da massa de nuvem e a direção da origem delas.

Foto: Maximo Kausch



Stratocumulus no Tadjiquistão

Foto: Maximo Kausch



Escalando com cirrus na Patagônia argentina.

Foto: Maximo Kausch



Altocumulus e altostratus sobre o céu da Catalunya, Espanha

Foto: Maximo Kausch



Altocumulus sobre o monumento natural em Ischigualasto, Argentina. Podemos até notar um padrão no caminho destes, evidenciando a direção do vento em grandes altitudes

Foto: Maximo Kausch



Cumulus (baixas) e altostratus (altas) se dispersando em direção ao oceano atlântico em Neuquén, Argentina. O formato "bigorna" da nuvem mais próxima poderia sugerir que trata-se de um cumulonimbus, porém observando a nuvem do fundo detalhadamente, percebemos que trata-se de um cumulus com camadas. Vento oeste é provavelmente o responsável pela segmentação destes.

Foto: Maximo Kausch



A julgar pela borda segmentada da massa mais alta e pela altitude, podemos considerar que trata-se de um altostratus. As massas mais baixas são provavelmente altocumulus. A foto foi tirada de 5400m desde o Aconcágua. Dali teoricamente pode-se ver o oceano pacífico.

Foto: Maximo Kausch



Altocumulus ou altostratus aprisionados em vales do Himalaia tibetano a pelo menos 6200m. A foto foi tirada de 7000m. A quantidade de nuvens do lado nepalês (esquerda, fundo) evidencia que a massa está se movendo do Nepal para a China (S>N). Movimentos de massas como esse geralmente antecipam a chegada de massas maiores como a monção de inverno, que é o que aconteceu 12 dias após essa foto.

Foto: Maximo Kausch



Cumulus congestus precipitando chuva em Andradas, MG, Brasil

Foto: Maximo Kausch



Highlands, Escócia. Um nimbustratus pode ser visto à esquerda, altostratus na parte superior e alguns stratocumulus isolados. A proximidade do oceano, baixa altitude e latitude dificultam muito a previsão de tempo através da observação de nuvens na Escócia.

Foto: Maximo Kausch



Cirrus na região do Everest (fundo, direita) e Pumori (esquerda). A posição das nuvens evidencia a pesença de correntes de jato influindo nos ventos de altitude locais.

Foto: Maximo Kausch



Stratus na Patagônia argentina. Grandes extensões territoriais foram cobertas aqui.

Foto: Maximo Kausch



Cumulus se espremendo entre os cumes mais altos dos Andes Centrais. A foto é em laguna Horcones, na base do Aconcágua. As nuvens não representam nada demais, talvez um pouco de precipitação no fim da tarde nos vales mais altos.

Foto: Maximo Kausch

:: Leia a Parte 1




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