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Primeiro Semestre

Retrospectiva da montanha 2011


Categoria: História

O ano de 2011 foi marcado por várias realizações, perdas e superações no montanhismo brasileiro e mundial. Confira o que de mais importante aconteceu neste ano:

O ano de 2011 começou com uma grande conquista do montanhismo nacional. Serginho Tartari mais dois amigos argentinos, Jimmy Heredia e Luciano Fiorenza conquistaram uma via de grande compromisso e dificuldade no Pilar Casarotto do Fitz Roy. A escalada começou em Dezembro de 2010, mas o trio só chegou à base nas primeiras horas do ano novo após grandes dificuldades.

O nome escolhido para a via foi “Al Abordaje”, que é como gritam, em espanhol, os piratas quando invadem um navio. Sobre a via, Serginho Tartari falou: Seria um 6b francês, um A2, A2+. São números isso e uma via destas vai muito além de números que você pode dar à ela. Ali na Patagônia o grau não quer dizer muito, são dados pra informar. Diferente de outros lugares onde o grau, o nível técnico dizem bastante, lá isso não condiz muito com a realidade que é a escalada.

A conquista de Tartari foi ofuscada com uma grande perda do montanhismo brasileiro que aconteceu na mesma montanha. Bernardo Collares, presidente da FEMERJ - Federação de Montanhismo do Rio de Janeiro e vice da CBME - Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada, desapareceu no Fitz Roy. Ele sofreu um acidente quando estava rapelando a via. De acordo com sua parceira Kika Bradford, a corda de soltou e na queda Bernardo fraturou a bacia, ficando impossibilitado de terminar a descida.

Kika desceu a montanha para procurar ajuda, mas o tempo da Patagônia não possibilitou resgate. Meses mais tarde, escaladores estiveram no local onde Bernardo foi deixado, mas seu corpo não estava lá. Esta foi uma das maiores polêmica do ano e ainda não se sabe o que aconteceu com Bernardo Collares.

Na Escócia, um acidente surpreendente na montanha, uma queda de 300 metros e o acidentado sai com vida, mas muitas escoriações. O acidentado, Adam Potter, que teve apenas ferimentos leves, foi encontrado de pé, lendo um mapa.

Nos Andes da Argentina, o montanhista Maximo Kausch, colunista do AltaMontanha, dá exemplo de como escalar muitas montanhas com pouco tempo. Em apenas 12 dias ele escala 5 montanhas com mais de 6 mil metros na Puna do Atacama, dentre elas, o Ojos Del Salado, segunda montanha mais alta da cordilheira. 

Técnologias gratuitas para mapeamento e sensoreamento remoto estão cada vez melhores. O Google Earth, que utiliza imagens de satélite, atualizou seus dados do Himalaia e exibiu imagens de boa resolução do Everest onde é possível ver montanhistas na montanha.  A imagem foi percebida por Maximo Kausch e foi divulgada no mundo inteiro.

De volta ao Brasil, uma boa lei para o montanhismo foi arquivada na Câmara dos Deputados. O projeto de Lei 7014/10, de autoria do ex. deputado federal Fernando Gabeira é a esperança dos montanhistas brasileiro para a solução de problemas de acesso à locais de escalada e montanhismo em áreas particulares.

Não só no Brasil há problemas de acesso. No Parque Nacional Canaima, na Venezuela, ficam alguns Tepuys (montanhas em formato de mesa) mais belos do mundo. Lá fica o Salto Angel, que é a maior cachoeira do mundo e do lado desta maravilha da natureza há algumas das vias de escalada mais difíceis da Venezuela. Uma equipe brasileira composta por Waldemar Niclevicz, Sérgio Tartari, José Luiz Hartmann, Edmilson Padilha e Valdesir Machado repetiram uma escalada ao lado desta incrível cachoeira que só havia sido escalada 3 vezes e era considerada como um dos Big Walls mais difíceis do mundo.

Foram 17 dias na parede, muita angustia e dificuldade para enfim um grupo 100% composto por latino americanos alcançarem o topo da montanha e vencessem a burocracia venezuelana que dificulta muito a escalada por lá.

Ainda em janeiro, quando no hemisfério Norte é inverno, aconteceu a primeira ascensão à uma montanha de 8 mil metros no inverno do Paquistão. A façanha foi realizada pelo cazaque Denis Urubko, o italiano Simone Moro e o americano Cory Richards que alcançaram o cume do Gasherbrum II (8035m). Confira a história do himalaísmo invernal em mais uma contribuição de Rodrigo Granzotto Perón.

Já no verão do hemisfério sul, o casal Felipe Dallorto e Flávia Dos Anjos divulgam psicoblocs em Arraial do Cabo (RJ). Na Patagonia, o escalador gaúcho Ricardo Baltazar, com o carioca Julio Campanela escalam o Fitz Roy e no Oeste argentino, Daniel Fernandes e João Casol relatam conquistas em Arenales.

De volta ao Brasil, buscando mudanças e mais participação, a Federação Paranaense de Montanhismo se abre para associação direta de novos integrantes. Antes de 2011, só era possível se federar associando-se a um clube.

Todo mês de Março realiza-se no Chile o famoso campeonato de boulder patrocinado pela marca americana The North Face. Em 2011, Cesar Grosso esteve por lá de novo, mas desta vez não foi tão bem quanto nos anos anteriores, mesmo assim ficou com a quarta posição. O ano de 2011 não foi um bom ano para as competições em escalada no Brasil. Em poder pagar as dívidas com a Federação internacional de Escalada Esportiva, a IFSC (sigla em inglês), a CBME ficou impedida de participar de campeonatos oficiais fora do país.

O problema do bloqueio do Brasil na IFSC foi explicado pelo presidente da CBME Silvério Nery, que lutou pelo fim do bloqueio, resolvido meses mais tarde, possibilitando que atletas do Brasil pudessem competir lá fora.

Depois de 9 anos de proibição e muita luta, a gruta da Lapinha em Minas Gerais foi liberada para a escalada.  A liberação foi parcial, já que agora a escalada só é permitida agora aos domingos, com horário reduzido. No mesmo mês em que foi liberada a escalada na lapinha, outros points de escalada em minas sofreram com probições. Primeiro foi a lapa do Seu Antão e depois a Serra do Lenheiro, locais que ficaram fechados temporariamente.  Outro local que ficou fechado por um tempo foi a Falésia Paraíso em São Paulo.

No Paraná, uma trilha colonial histórica também foi fechada temporariamente. O Caminho do Itupava, uma trilha que corta a Serra do Mar, ligando o planalto até o litoral, ficou em más condições depois das tempestades de Março. O que era para ser uma interdição para manutenção de 90 dias durou quase meio ano.

Recuperando-se de um acidente nos Andes da Bolívia em 2010, a montanhista alemã, radicada na Argentina Isabel Suppé conseguiu escalar uma montanha de 6 mil metros de muletas, o Nevado Del Cachi na província de Salta.

O inglês de 16 anos George Atkinson escala o Everest no Nepal e de quebra completa o projeto dos 7 cumes. Atkinson se tornou a pessoa mais jovem do mundo a escalar as montanhas mais altas de cada continente, mas seu recorde durtou pouco. Ainda em 2011, o americano Jordan Romero, de 15 anos, escala o Monte Vinson e bate o recorde mundial. Romero certamente manterá o recorde, pois os governos do Nepal e da China proibiram que pessoas mais jovens que 18 anos escalem o Everest.

Ainda no montanhismo internacional, o top climber espanhol Juanito Oiarzabál, que tenta repetir a escalada de todas as montanhas de 8 mil metros no mundo sofre um acidente no Annapurna, é resgatado e dá declarações polêmicas sobre a montanhista Edurne Pasabán.

O colunista do AltaMontanha, Paulo “Parofes”, traduz um artigo em duas partes (parte 1 e parte 2) sobre o trabalho de mestrado do belga Koen Van Loocke sobre as origens do montanhismo moderno. O trabalho de Van Loocke disserta sobre as razões dos britânicos terem “inventado” o montanhismo esportivo no século XIX sendo a Inglaterra que é uma ilha com poucas montanhas. Contribuindo ainda mais para a história do montanhismo e sua cultura, Pedro Hauck traduz outro artigo sobre uma fase anterior à consolidação do montanhismo como esporte, citando a importância do naturalista alemão Alexander Von Humboldt para a criação do montanhismo.

Assim como Humboldt, outros cientistas deram grande contribuição para o desenvolvimento do montanhismo, como Walther Penck, que conquistou diversas montanhas nos Andes e Reinhard Maack, geógrafo alemão que engradeceu muito a ciência no Brasil. Maack foi homenageado em 2011 por montanhistas de Curitiba que conquistaram no interior do Paraná a Agulha Reinhard Maack.

Continua na segunda parte...




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