Retrospectiva da montanha 2011 - Parte 2 - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
Segundo Semestre

Retrospectiva da montanha 2011 - Parte 2


Categoria: História

Continuação da retrospectiva da montanha de 2011: Segundo Semestre.

Leia a primeira parte da Retrospectiva 2011

A temporada está a todo vapor no Brasil. É inverno, o tempo está firme quase no país inteiro e as condições são ideais para a escalada e o montanhismo. Com o tempo assim, o casal do Rio de Janeiro Felipe Dallorto e Flávia dos Anjos com amigos finalizam mais uma super via de escalada que supera os 1000 metros de escalada: Reino Mágico com 1035 metros em Santa Maria Madalena.

As boas condições são convite ideal para que não apenas montanhistas se aventurem pelas serras e montanhas. Gente pouco experiente às vezes sentem-se confiantes em realizar escaladas sem preparo em 2011 não foi diferente acidentes causados por imperícia e imprudência deixaram sua marca na Pão de Açúcar.

Por sua vez, montanhistas experientes e consagrados conseguem com muita perícia e conhecimento superar desafios. Foi o que aconteceu com o super escalador equatoriano Santiago Quintero no GII e com  Manoel Morgado que liderou a primeira expedição brasileira à uma montanha na Mongólia. Continuando sua superação do acidente acontecido em 2010, Isabel Suppé e o alemão Robert Rauch abrem nova rota em montanha boliviana.

No Brasil, temos novas conquistas de vias tradicionais. Karina Filgueiras abre nova via na Pedra do Baú e Hillo Santana com Lucas Marques conquistam uma via tradicional com lances de nono grau na  Pedra do Sino na serra fluminense, a "Nova Era".

Não são só boas notícias no montanhismo nacional. O polêmico projeto de lei 7288/10 continua ameaçando a administração esportiva do montanhismo e escalada. O projeto de lei pode transformar a CBME em uma entidade figurativa de administração esportiva e pode trazer problemas na importação de equipamentos de escalada que não são certificados pela UIAA.

A montanhista austríaca Gerlinde Kaltenbrunner escala o K2 no Paquistão e sagra-se como a primeira mulher no mundo a escalar todas as montanhas com mais de 8 mil metros sem oxigênio. Seus parceiros Maxut Zumayer e Vassily Pivtsov do Cazaquistão também entram na lista dos montanhistas a finalizar este projeto, cada vez mais popular, que completou 25 anos de existência em 2011.

No Paraná, boas notícias. O Parque Estadual do Monge proibido há mais de 10 anos, voltará a ter escaladas graças à atuação da Fepam. 2011 também foi um ano de novas trilhas na Serra do mar, com a abertura da trilha na crista do Ferraria e da travessia da Serra da Farinha Seca.

De volta ao Himalaísmo, 2011 foi um ano onde alguns pioneiros deixaram de estar entre nós. George Band, conquistador do Kangchenjunga  e Walther Bonatti,  envolvido na conquista do K2, faleceram.  Rodrigo Granzotto Perón faz um review de todos os sulamericanos que estiveram na Ásia realizando escaladas.  Maximo Kausch enfrenta dificuldades com o clima e terremoto no Shishapangma, mesmo assim consegue fazer o cume central da montanha, sete metros mais baixo que o principal. Mais tarde, Maximo retorna à mais outra montanha do Himalaia e pela terceira vez faz cume no Ama Dablam, montanha com rota normal mais difícil da região do Khumbu (onde fica o Everest) no Nepal.

Na escalada de competição mundial, o espanhol Patxi Usobiaga dá adeus aos campeonatos por conta de lesão  e o austríaco Jackob Schubert sagra-se campeão mundial por antecedência.

De volta ao Himalaísmo, o oitomilista sul coreano Park Young Seok desaparece junto a dois parceiros no Annapurna.  Na Itália, uma importante discussão sobre ética e conduta no montanhismo acontece durante o Mountain Summit: Qual é o limite do Show Bizz no montanhismo?

De volta ao Brasil, produção cinematográfica sobre a escalada no Salto Angel realizada no começo do ano recebe premio no Festival de Filmes de Montanha junto com outras produções.

Em minas, realiza-se a etapa única do campeonato brasileiro de escalada de 2011. Janine Cardoso levanta o caneco pela oitava vez e Felipe Camargo, finalmente, sagra-se campeão nacional.

Já no verão, o escalador gaúcho Ricardo Baltazar, o “Rato”, volta a El Chaltén para fazer a temporada da Patagônia. Rato pretende ficar por lá até Março e ainda em 2011 já escalou três agulhas: PoincenotSaint Exuperry, e Rafael Juarez.

Depois de 14 anos, um brasileiro consegue finalizar o projeto dos 7 cumes. Trata-se de Manoel Morgado que em Dezembro escalou o Monte Vinson na Antartida. O historiador do montanhismo brasileiro Rodrigo Granzotto Perón faz um apanhado da história brasileira nos 7 cumes.

A CBME anuncia uma semana especial para comemorar a conquista do Dedo de Deus, que em 2012 fará 100 anos. A festa será grande, porém a confederação assume esta escalada como marco inicial do montanhismo brasileiro e trás muita polêmica. Afinal, qual é o marco inicial do montanhismo brasileiro? Escaladas antigas há aos montes, em diversos estados brasileiros. Algumas histórias são mais conhecidas, outras não. Para divulgar os primórdios do montanhismo em Santa Catarina, o geógrafo Reginaldo Carvalho conta algumas escaladas que aconteceram em seu estado no século XIX e começo do século XX.

Este ano foi um ano de muitas ações, muitos feitos inéditos da escalada e montanhismo. Foram diversos eventos, recordes, primeiras ascensões, conquistas de vias tradicionais extremas, novas ascensões em montanhas de altitude... Houve muitas vitórias brasileiras, o que mostra que este foi um ano de muitas realizações pessoais e amadurecimento de experiências no cenário do montanhismo.

Mesmo assim no país ainda sofremos muitos problemas, como a falta de apoio, o não reconhecimento da cultura do montanhismo e as proibições que ameaçam a liberdade das montanhas...

Desejamos um 2012 com muitas vitórias no montanhismo brasileiro, principalmente no campo institucional e político, para que enfim possamos desenvolver nossas atividades sem ameaças, afinal se for depender somente dos escaladores e montanhistas, realizar feitos esportivos é fácil... Esperamos poder noticiar no AltaMontanha as vitórias que o montanhismo brasileiro precisa para se desenvolver com liberdade de preferência ainda em 2012. Bom ano a todos!

:: Leia a primeira parte da Retrospectiva 2011




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