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Especial Brasil no Himalaia

A História do Himalaísmo Brasileiro - Parte XV


Categoria: História do himalaismo brasileiro

Décima quinta parte do especial sobre o histórico das expedições brasileiras às maiores montanhas do mundo...

A presente parte do histórico do Brasil no Himalaia cobre os eventos ocorridos em 2010, ano duplamente comemorativo para nós: 15 anos da conquista do Everest, por Mozart Catão e Waldemar Niclevicz, e 10 anos da escalada do K2, igualmente por Niclevicz. Dois marcos extremamente relevantes. Para aqueles que incluem Michel Vincent entre nós, foi ano de rememorar os 25 anos da ascensão ao Gasherbrum II. Por fim, celebrou-se também, em 2010, os 25 anos da expedição invernal ao Kangchenjunga, da qual fez parte o pioneiro José Luiz Pauletto.
 
Nota Inicial
 
A presente parte do histórico do Brasil no Himalaia cobre os eventos ocorridos em 2010, ano duplamente comemorativo para nós: 15 anos da conquista do Everest, por Mozart Catão e Waldemar Niclevicz, e 10 anos da escalada do K2, igualmente por Niclevicz. Dois marcos extremamente relevantes.
Para aqueles que incluem Michel Vincent entre nós, foi ano de rememorar os 25 anos da ascensão ao Gasherbrum II. Por fim, celebrou-se também, em 2010, os 25 anos da expedição invernal ao Kangchenjunga, da qual fez parte o pioneiro José Luiz Pauletto.
 
Capítulo 58 – EVEREST 2010 & ISLAND PEAK 2010 (8.850m)
 
MANOEL MORGADO tem nos brindado com inúmeras conquistas pelas montanhas do mundo e, simultaneamente, tem angariado a simpatia nacional. Suas façanhas têm repercutido na mídia escrita e televisionada, e muito dessa fama deve-se à conquista do Everest.
 
Após a ascensão ao Cho Oyu, em 2009, Morgado sentiu-se impelido a pisar no Teto do Mundo e rumou ao Nepal como integrante da expedição comercial da empresa Challenge 8000, sob a liderança do renomado britânico Victor Saunders (cinco cumes no Everest). Além do brasileiro e do inglês, também compunham o time três malteses e três sherpas de apoio.
 
A expedição foi impecável em sua estratégia, o que possibilitou ao brasileiro fazer cume no dia 17.5.2010, pela rota normal nepalesa, e com utilização de oxigênio suplementar. No processo de aclimatação, Manoel também fez cume no Island Peak (6.173m), um dos “faróis do Khumbu”, e que já havia sido culminado pelo gaúcho várias vezes anteriormente.
 
A esposa de Manoel, Andrea Cardona (Guatemala), seguiu seus passos e também culminou, em 23 de maio, por outra empresa comercial – Patagonian Brothers, dos gêmeos argentinos Benegas.
 
Nota: Andrea é a primeira mulher da América Central no Everest. Já Manoel tornou-se o 9º brasileiro – e o 6º pela rota nepalesa – a realizar a façanha.
 
Capítulo 59 – EVEREST 2010 & LOBUJE EAST 2010 (8.850m)
 
A nossa alpinista mulher de maior renome tem dupla cidadania, e viaja com passaporte norte-americano. Trata-se da manauara CLEO WEIDLICH. Após seu primeiro 8000 – Cho Oyu, em 2009 –, ela partiu para vôos mais altos, com a intenção de realizar um double-header (dobradinha) no Khumbu: Everest e Lhotse em uma mesma temporada.
 
A expedição de Cleo, com logística da empresa de montanhismo nepalesa Asian Trekking, sob a liderança geral de Dawa Steven Sherpa, era composta por vários pequenos grupos semi-independentes.
 
A americano-brasileira escalou na companhia do top climber Dawa Chhiri Sherpa (onze cumes no Everest). A intenção dela era culminar sem oxigênio suplementar, mas na altura do Balcony (8300m) começou a sentir muito frio nas mãos e nos pés, e resolveu utilizar cilindros de gás.
 
Assim, no dia 17.05.2010, pelo Rota do Nepal, com oxigênio suplementar, como integrante da expedição Eco Everest, Cleo tornou-se a segunda brasileira a culminar, após Ana Elisa Boscarioli.
 
A descida da amazonense teve contornos épicos. A temperatura começou a cair rapidamente e a visibilidade foi piorando até redundar num completowhiteout (visibilidade zero) por volta das duas da tarde. Como a navegação ficou complicada, demoraram muito mais do que o normal para chegar ao Campo 4 (8000m), no Colo Sul. Passado o sufoco, aportaram em segurança às seis e meia da tarde.
 
No processo de aclimatação, Cleo fez cume no Lobuje East (6119m), uma montanha não muito exigente nas proximidades do Everest.
 
Capítulo 60 – Lhotse 2010 (8.511m)
 
CLEO WEIDLICH, aproveitando a aclimatação do Everest, após um breve repouso de alguns dias, investiu no Lhotse, pela rota normal nepali, com o uso de oxigênio suplementar, e na companhia de seu sherpa Dawa Chhiri.
 
Everest e Lhotse compartilham a mesma rota do campo-base (5350m) até o Colo Sul (8000m). Dali é uma questão de opção: para a esquerda, o Everest; para a direita, o Lhotse. A escalada iniciou no dia 22 de maio, e no dia 24, Weidlich já estava pronta para seu ataque ao cume.
 
Na altura do corredor superior do Lhotse, ela notou que as condições de neve não estavam boas e que a rota não havia sido fixada. Por cansaço e falta de cordas, resolveu dar meia volta, a 8218 metros, e abandonou a investida.
 
Capítulo 61 – Gasherbrum I 2010 (8.068m)
 
O grande WALDEMAR NICLEVICZ, um dos porta-vozes do montanhismo brasileiro para a América Latina, organizou novamente uma expedição com integrantes de diversos países (tinha gente da Argentina, da Colômbia e da Guatemala). O outro brasileiro no time era o regular parceiro de cordada IRIVAN GUSTAVO BURDA. A intenção era comemorar os dez anos da conquista do K2.
 
Novamente a expedição foi um primor de organização, e o ataque ao cume ocorreu na hora certa em termos de clima, mas os escaladores encontraram uma verdadeira barreira intransponível nas encostas superiores do Hidden Peak, com uma quantidade absurda de neve. Após uma desgastante travessia da aresta superior, exaustos, desistiram a meros vinte metros verticais do cume verdadeiro.
 
Em seu site, o brasileiro narra os dramáticos trechos finais da escalada: “Por sorte o Alexey [Bolotov, grandioso alpinista russo] topou prosseguir pelo caminho que o Lucho [Luiz Felipe Ossa, colombiano] havia tentado, afundando na neve até a cintura eu e o Irivan o seguimos e por sorte conseguimos chegar até o esporão de rocha, evitando a neve traiçoeira. Pronto, por aqui vamos até o cume pensei, e como já está muito perto do cume com certeza acima dos 8 mil metros, até a rocha acabar e surgir em nossa frente um trecho de neve profunda que poderia vir a se destacar e transformar-se em uma avalanche, tentamos por todos os lados e nos afundamos na neve pela cintura até que Alexey virou para nós e disse que estava com medo; bem nós também, então resolvemos descer”.
 
Capítulo 62 – Broad Peak 2010 (8.047m)
 
Enquanto alguns dos integrantes da expedição de Waldemar se dirigiram ao Gasherbrum II, NICLEVICZ e BURDA foram tentar o Broad Peak. O tempo não deu trégua à dupla brasileira, que não conseguiu ir além dos 6.500 metros. A famosa janela não abriu e tiveram que vir embora sem o cobiçado cume.
 
De se notar que o Broad Peak, apesar de ser um dos 8000 menos elevados e um dos mais fáceis, é uma “pedra no sapato” dos brasileiros, tentado em 2009 e 2010 pela Cleo Weidlich e em 2010 por Waldemar e Irivan, sempre sem cume. A tentativa do paranaense em 2012 foi cancelada por falta de patrocínio, e a montanha paquistanesa continua como um fantasma verde-amarelo.
 
Capítulo 63 – Nanga Parbat 2010 (8.126m)
 
A incansável CLEO WEIDLICH, tendo saído de um double-header no Nepal, partiu ao Himalaia paquistanês para escalar o Nanga Parbat, pela rota normal (Kinshofer) como integrante de time polonês que contava com, dentre outros, Artur Hajzer, Aleksandra Dzik, Arkadiuz Grzadziel, Irek Walunga, Jacek Czech, Jerzy Natkanski e Jaroslaw Gawrysiak.
 
Ela chegou no campo-base em 19 de junho, com muita emoção, já que “o Nanga Parbat é a minha montanha favorita no Paquistão”, como declarou em seusite pessoal.
 
A expedição foi assolada pela instabilidade climática da temporada de verão de 2010, nas palavras de Weidlich: “Como todos já sabem, o clima no Himalaia e no Karakoram não esteve dos melhores ao longo da temporada. O Nanga não foi exceção nesse ano de clima errático e brutal. A maior parte do tempo, enquanto estive lá escalando, o Nanga estava enterrado sob uma camada profunda de neve e constantemente açoitado por fortes ventos, quedas de rochas e mega avalanches”.
 
O primeiro ataque ao cume, na companhia de Mohammad Ali III, e em conjunto com a expedição sul-coreana de Kim Chang-Ho, foi abortado no C3 (7000m), por conta de uma tempestade que chegou sorrateira, fechando a janela de tempo bom.
 
Um eventual segundo ataque ao cume acabou não acontecendo, tendo em vista que o alpinista paquistanês que lhe dava suporte adoeceu, e a brasileira não dispunha de meios de enfrentar as partes mais técnicas montanha acima e nem de levar os suprimentos para os campos superiores. Assim, no dia 12 de julho, Cleo encerrou a expedição.
 
Capítulo 64 – GASHERBRUM I 2010 (8.068m)
 
Após o frustrado intento no Nanga Parbat, CLEO WEIDLICH rumou para o Karakoram e, na companhia de seus guias Nisar Hussain Ali Sher e Mohammad Ali III, dois renomados porters paquistaneses, fez cume no dia 5.8.2010, com utilização de oxigênio suplementar e pela rota tradicional (Corredor Japonês na Face Noroeste). Com esse cume, Nisar Hussain tornou-se o ser humano com mais êxitos no Gasherbrum I (quatro no total).
 
Essa foi a primeira ascensão do Brasil na montanha. A façanha foi historicamente importante pois todos os outros 8000 conquistados por brasileiros haviam sido ascendidos por homens em primeiro lugar. Assim, o Gasherbrum I foi o primeiro 8000 que foi pisado por uma mulher brasileira antes de qualquer homem. Além disso, Cleo, na ocasião – 2010 – com três oitomil, sagrou-se a sulamericana com mais cumes diferentes conquistados (nos anos seguintes, ela ampliaria essas marcas).
 
Capítulo 65 – Broad Peak 2010 (8.047m)
 
A idéia inicial de Cleo, para o verão de 2010, era culminar três oitomil seqüenciais (Nanga Parbat, Gasherbrum I e Broad Peak), um feito que é conhecido por triple-header (triplinha). Após domar o Gasherbrum I, o alvo seguinte era o vizinho Broad Peak, também na companhia de Nisar Hussain Ali Sher e Mohammad Ali III.
 
Galgando a via tradicional (Rota Austríaca, no esporão oeste e aresta norte), sem usar oxigênio engarrafado, Weidlich foi até o meio do platô elevado (por volta dos 7400 metros), e desistiu pelo cansaço devido à travessia traiçoeira com neve pela cintura.
 
Como visto no Nanga Parbat, no Broad Peak e no próprio Gasherbrum I, a quantidade de neve acumulada nos 8000 do Paquistão estava muito acima do esperado, o que influenciou negativamente nos planos de Waldemar Niclevicz, Irivan Gustavo Burda e da própria Cleo Weidlich.
 
Capítulo 66 – Muztagh Ata 2010 (7.526m)
 
O imponente Muztagh Ata (7526m), é uma das montanhas mais elevadas do Planeta (49º lugar), e fica encravada no coração da China. Foi escalada pela primeira vez em 1956, e, devido à sua rota sem dificuldades técnicas, com inclinações gentis e sem perigos extremados, é um dos 7000 mais populares (registra, até 2012, 1.450 ascensões). Além do cume principal, há vários outros 7000 interessantes nas cercanias, todos pouco escalados: Kuksay (7184m), Kalaxong (7277m) e Koskulak (7028m).
 
A única visita por brasileiros, antes de 2010, foi a conquista do cume pelo franco-brasileiro Michel Vincent, no longínquo ano de 1985.
 
Procurando sempre se aventurar por cadeias remotas e pouco usuais, MANOEL MORGADO organizou expedição ao Muztagh Ata no outono, time integrado por MÁRIO AUGUSTO (GUTO) FERRARINI, parceiro do gaúcho em várias aventuras, além de LUIZ BUTTI e MICA, escortados por dois guias tibetanos (Norbu era o mais experiente deles). Como relatado no site pessoal de Morgado, a intenção inicial era de escalar o Pik Lenin (7134m), “mas eclodiu uma horrível guerra de fundo étnico que destruiu boa parte do país”, e então a equipe teve de optar por uma alternativa: “o Mustagata seria a melhor opção. Apesar de sua altitude bem mais desafiadora, 7564 metros, era uma montanha fácil tecnicamente, uma grande encosta de 25 a 30 graus levando a um cume de relativo fácil acesso”.
 
O campo-base (4400m) foi alcançado no dia 5 de agosto, e, no dia seguinte, começou a escalada propriamente, com todos alcançando o Campo I intermediário (5100m). Após um dia de neve/chuva, o quarteto aportou no Campo I (5440m). Apesar de não exigir habilidades técnicas, os campos são separados por longas caminhadas, que se tornam cansativas. Esse ponto foi destacado por Morgado em seu site: “A inclinação geral do Mustagata é ao redor de 25 a 30 graus então não exige técnica alguma de escalada, porém esta mesma inclinação suave faz com que a distância horizontal entre os campos seja razoavelmente longa”.
 
Ferrarini não se sentiu bem o suficiente e decidiu não prosseguir. Os outros três ascenderam até o Campo II (6300m), no dia 11 de agosto. No dia seguinte, Mica também abortou o intento. Luiz e Manoel, todavia, continuaram firmes e dormiram no Campo III (6980m).
 
No dia 13 de agosto, uma sexta-feira, “uma data muito auspiciosa para tentar um cume”, Manoel inicia o ataque, mas, após apenas sessenta metros escalados (em quarenta minutos), “minhas pernas pesam toneladas e cada passo é um grande esforço. Estou ganhando menos de 100 metros por hora e o pouco que consigo ver da encosta parece inacabável. Não quero deixar o Luiz sozinho, mas vejo que não tenho condições de seguir”. Morgado refugou sua tentativa aos 7020 metros. Luiz, motivado, prosseguiu, atingindo horas depois a quota de 7160 metros, de onde voltou devido às péssimas condições climáticas nas encostas superiores (ventos fortes e visibilidade zero).
 
Com todos descendo sãos e salvos, a expedição foi, então, encerrada, e os brasileiros voltaram para casa no dia 20.
 
Capítulo 67 – MANASLU 2010 (8.163m)
 
As atividades de CLEO WEIDLICH em 2010 impressionam.
 
Segundo notícia veiculada pelo site da empresa de turismo guiado Asian Trekking, a brasileira, liderando expedição internacional (“East Meet West Manaslu Expedition 2010”), conduziu o cliente chinês Tsang Chi-Sing ao cume principal do Manaslu (8163m), na companhia dos sherpas Ang Mingma, Tshering Phinjo e Pasang. Além deles, o time era composto por húngaros, outros chineses e letões.
 
O ponto mais elevado foi pisado às onze da manhã do dia 1º de outubro de 2010, pela rota normal (Face Nordeste), e com utilização de oxigênio engarrafado. Outras expedições participaram do ataque ao cume e obtiveram êxito também. Como topograficamente o cimo do Manaslu é diminuto, a brasileira ficou poucos instantes, o suficiente para bater fotos comprovando a escalada.
 
Esse sucesso configurou o quarto 8000 da brasileira (após Cho Oyu, Everest e Gasherbrum I) e a segunda montanha na Ásia que ela desvirginou para o nosso país (Gasherbrum I e Manaslu). Outrossim, é a primeira mulher sulamericana a obter a marca de quatro oitomil.
 
Nota: Nunca antes um brasileiro havia tentado tantos 8000 num mesmo ano. Cleonice escalou seis, num espaço de meros cinco meses, e terminou o ano com três cumes – Everest (primavera), Gasherbrum I (verão) e Manaslu (outono) – além de outras três tentativas impressionantes: Lhotse (até 8218m); Nanga Parbat (até 7000m); e Broad Peak (até 7400m). Um ano histórico e altamente positivo para a brasileira.
 
Capítulo 68 – ISLAND PEAK 2010 (6.173m)
 
O Island Peak, conhecido localmente por Imja Tse, é um 6000 que serve de “observatório panorâmico” para os gigantes do Khumbu, com vista direta do imenso paredão que forma o grupo Nuptse-Lhotse. É muito popular, utilizado como aclimatação para escaladas mais desafiadoras na vizinhança. A popularidade é fato também entre os brasileiros, e nenhuma montanha da Ásia tem tantos cumes verde-amarelos: até 2012, são 26 conquistas nacionais.
 
A última delas ocorreu em 2010, quando o paulistano AGNALDO GOMES pisou no cume da montanha no outono (29 de outubro), sem oxigênio engarrafado, e pela via tradicional (Face Sul – Aresta Sudeste, a partir do Lhotse Shar Glacier).
 
Sobre suas impressões da escalada, narra Agnaldo, em seu blog pessoal: “A subida é por um glaciar empinado, mas até aí tudo bem, dose é a parede que leva à crista do cume. Você vai caminhando, subindo pelo glaciar e, de repente, se depara com uma parede à sua frente e pensa: ‘Ué, pra onde é agora?’. E você se toca que só pode ser pra cima. 100 metros de gelo na sua cara, 80 metros com uns 70, 75 graus de inclinação e os 20 últimos com uns 89, 90 graus. Dá-lhe, jumar, piqueta e crampom e muita fé! Depois, mais 40 minutos andando pela crista que leva ao cume, onde só tem espaço pra uma pessoa, abismo do lado o direito e do lado esquerdo e de repente abismo na frente... ué!!! É o cume do danado! Depois foi só rapelar pra baixo (150 metros com os dedos duros de frio), voltar ao campo base, caminhar cinco dias, pegar um vôo num calhambeque com asas e estou de volta a Kathmandu”.
 
Capítulo 69 – Shishapangma 2010 (8.027m)
 
O brasiliense ROMAN ROMANCINI alcançou fama em 2008, com a sua conquista do Ama Dablam (primeira subida brasileira).
 
Dois anos passados, os olhares de Roman voltaram-se ao Shishapangma, belíssima montanha tibetana tentada inúmeras vezes por brasileiros (Michel Vincent, 1986, Paulo e Helena Coelho, 1996 e 1997, Cleo Weidlich, 2009 e 2011), mas com apenas um cume até os dias de hoje: Waldemar Niclevicz, 1998.
 
A rota normal é tranqüila até a antecima (8012 metros), mas dali até o cume principal há necessidade de atravessar uma aresta perigosa e exposta de dois quilômetros de extensão, trecho que repele 75% dos escaladores, que acabam se contentando com a antecima.
 
O brasileiro escalou sem oxigênio engarrafado, dividindo permit com expedição internacional, pela via normal (Rota Chinesa na Face Norte), com desistência a 7000 metros. Em nota ao site da revista Go Outside, Romancini frisou que “diversas avalanches ocorreram e várias barracas foram destruídas no campo 2 pelos fortes ventos. Na temporada, apenas houve um cume (questionável) feito por um coreano em solo. Esta montanha é comumente subestimada por ser o ‘mais baixo’ 8000”.
 
Nota Final: Cronograma do Histórico
 
Os eventos que marcaram o himalaísmo brasileiro em 2011 – e que comporão a Parte XVI do Histórico – serão narrados no segundo semestre; os relativos ao ano passado integrarão a Parte XVII, que sairá no início de 2014.
 
Autor: Rodrigo Granzotto Peron
 



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