A História do Himalaismo Brasileiro - Parte XII - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
Especial Brasil no Himalaia

A História do Himalaismo Brasileiro - Parte XII


Categoria: História do himalaismo brasileiro

Décima segunda parte do especial sobre o histórico das expedições brasileiras às maiores montanhas do mundo...

::Leia o especial sobre a História do Brasil no Himalaia desde o começo.

:: Leia a décima primeira parte do especial do Brasil no Himalaia.

Texto: Rodrigo Granzotto Peron


Capítulo 41 – EVEREST 2007 (8.850m)

Os incansáveis Paulo Coelho e Helena Coelho foram para mais uma empreitada em sua montanha favorita. Dividiram permit com alpinistas de outras dez expedições de todos os cantos do planeta, sob a organização geral da Asian Trekking, empresa nepalesa que organiza a logística de expedições.

Os brasileiros chegaram no base em 23 de abril, e montaram mais dois acampamentos nas encostas, o primeiro a 6.400m e o segundo a 7.000m. Começaram efetivamente a atacar o cume somente no dia 1º de junho. Permaneceram duas noites trancados no campo 1, por causa de fortes ventanias que açoitavam as encostas. No dia 3 de junho finalmente diminuiu um pouco a tormenta e foram ao campo 2. Como o vento não amainara muito e o permit do casal ia somente até 7 de junho, decidiram abortar qualquer tentativa e desceram para o campo-base no dia 6 de junho, empacotaram seus equipamentos e retornaram para o Brasil, não por falta de condições, mas por falta de tempo.

Esta foi a última expedição do casal ao Everest, já que o flanco tibetano que usualmente utilizam foi fechado pelas autoridades chinesas em 2008, para os procedimentos de levar a tocha olímpica ao cume do Everest (e há indícios fortes de que permanecerá cerrado em 2009, pois o governo de Pequim teme manifestações dos alpinistas em prol da libertação do Tibete, já que ano que vem fará 50 anos do exílio de Dalai Lama. Até uma “delegacia” foi montada próxima ao acampamento-base, com uma equipe grande de policiais).

Capítulo 42 – BARUNTSE (7.132m) &, MAKALU 2007 (8.485m)

O Makalu fora tentado pelos brasileiros duas vezes, em 1982 (Bogdanovicz, Alexandre e Haim) e em 1987/1988 (Brandolin). Não houve mais tentativas até que em 2007, quase vinte anos passados, Waldemar Niclevicz, Irivan Gustavo Burda e Mauricio Clauzet, o “Tonto”, definiram a quinta maior montanha do mundo como seu próximo destino. A ascensão se daria pela rota tradicional na aresta noroeste, com a utilização de oxigênio extra, e com o auxílio do sherpa Pemba Jangbu. Dividindo permit com os brasileiros estava o francês Gilles Sere Bouchet.

A marcha de aproximação foi a partir de Tumlingtar, passando pelos vilarejos de Num, Sedua, Tashigaon, caminhada narrada por Clauzet em seu site pessoal: “A aproximação em si já foi uma aventura, 122Km, 9 dias, começando em 500m de altitude, indo até 2300, descendo até 700, passando por 3 passos de mais de 4000m (o mais alto o Keke La com 4300m) descendo até 3200m de novo, e seguindo aí sem muito sobe e desce, só sobe, pelo vale do rio Arum até 5700m onde é o campo base”.

O primeiro desafio da expedição foi enfrentar o Baruntse, pico-satélite do maciço do Makalu, com 7.132 metros de altitude, flanqueado pelos glaciais Hunku e Barun, de onde se avista a face sul do Lhotse e do Nuptse e para o outro lado o Makalu e o Chomolonzo. A primeira conquista deste pico deu-se em 1954, pelos neozelandeses Colin Todd e Geoff Harrow. É um pico bastante popular, com 313 ascensões até 2007. Para tentar o Baruntse tinham a companhia de outros brasileiros: Eduardo Gualberto, Alexandre Silva e Márcia Foltran. Por problemas variados apenas Irivan e Waldemar fizeram ataque, mas acabaram retrocedendo aos 6.900m, pelas condições instáveis da montanha.

Irivan, Waldemar e Mauricio prosseguiram então para o grande desafio da expedição, chegando no campo-base do Makalu, a 5.700m, no dia 23 de abril. A rota encosta acima ainda contava com os campos 1 (6.600m), 2 (7.400m), 3 (7.500m) e 4 (7.800m). O último acampamento foi estabilizado no dia 17 de maio.

Clauzet foi apenas até 6.900 metros, quota atingida no dia 15 de maio, quando sentiu os primeiros sintomas do mal agudo da montanha, descendo imediatamente ao acampamento 1 para se recuperar.

Niclevicz e Burda subiram ao acampamento 4 no dia 17 de maio, pernoitaram e se lançaram ao cume por volta das 3 da madrugada. Depois de cinco horas extenuantes de caminhada em meio à neve profunda (alguns trechos quase pela cintura), cansados desistiram às 8 da manhã do dia 18, aos 7.900 metros. Deram por encerradas as atividades e regressaram para casa. Narra Niclevicz em seu site pessoal: “A neve em excesso nos empurrava para baixo, muita neve, além do normal para essa época do ano! Às vezes nos afundávamos, acredite, em mais de um metro de neve. Isso era humilhante. Eu tentava incentivar o Irivan, ele me dizia: ‘eu não agüento mais’. Então eu retomava dianteira rogando forças a Deus! Mais alguns metros, mais algumas centenas de metros, como tartaruga arrastando o peito na neve...” E acrescenta: “Estávamos lá, às 8h de uma linda manhã, céu completamente azul, encalhados a 7.800m! Eu não conseguia dar mais um passo. O Irivan disse então: ‘deixa eu ir na frente’. ‘Que alívio’, eu pensei, mas meu amigo dava apenas um passo a cada minuto. Eu disse: ‘ei Irivan aonde você quer ir assim?’. Caímos na real: mesmo superando nossas forças, levaríamos no mínimo 8 ou 10 horas para chegarmos até o cume com tanta neve. Era melhor descer, e com muito cuidado, para não cair nas inúmeras armadilhas que já havíamos enfrentados na subida”.

Capítulo 43 – ISLAND PEAK 2007(6.189m)

No segundo semestre de 2007 (outono no Nepal), o alpinista e aventureiro gaúcho Manoel Morgado foi, na companhia de sua esposa Andrea Cardona (da Guatemala), e de Sylvia Stickel, Fernando Rocco, Maria Tereza Albuquerque e Marcelo, tentar o Imja Tse, popularmente conhecido como Island Peak (6.189m), um satélite do maciço do Lhotse, classificado como trekking peak. Pela escalada não ter tão complexa e propiciar uma visão incrível dos gigantes vizinhos, é uma montanha muito popular, com mais de 1.000 ascensões até 2007. A expedição brasileira contava com o auxílio dos sherpas Nima, Pasang e Ram.

A rota normal do Island Peak sobe do campo-base (5.000m) pela Face Sudeste até o campo de altitude (5.600m), de onde os alpinista têm que infletir à direita para ganhar o glaciar superior. Atravessado este, segue-se pela aresta sudoeste até o cume.

A escalada da montanha começou no dia 9 de novembro, às 3 da madrugada, de uma noite bem escura, mas sem vento nem nuvens. Fernando, recém operado da tiróide, não se sentia bem o suficiente para encarar a aventura, e desistiu da escalada. Os demais se lançaram montanha acima. Por volta dos 6.000 metros, “ameaçadoras crevasses, enormes fendas de gelo azul com dezenas de metros de profundidade”. Às 10 da manhã do dia 10 de novembro de 2007 fizeram cume, após 14 horas de escalada.

:: Continua...




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