Aucanquilcha 6176 metros - Parte I - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
Sétimo cume no projeto

Aucanquilcha 6176 metros - Parte I


Aventura de:

Conheci a montanha lendo o projeto 6000dechile patrocinado pelo Banco de Chile no final do ano passado, quando pesquisei fotos da montanha pirei. E claro, mantive em segredo a minha intenção de escalar esta montanha pra nenhum olho grande atrapalhar, afinal de contas, o que não faltou nessa expedição foi roubada.

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O Aucanquilcha e um extratovulcão localizado no Parque Nacional Alto Loa, e de todas as montanhas que o parque abriga, é a maior. Por isso é normal ver precipitação de neve a partir da linha dos 5600 metros de altitude. Dei sorte, a montanha estava pintada de branco.

Nesta montanha costumava existir a mina de enxofre mais alta do mundo, a 5600 metros de altitude, e também o acampamento de mineiros mais alto do mundo, onde marquei 5282 metros de altitude com o GPS. Hoje, não passam de ruínas pois a mina foi abandonada em 1983.

O Aucanquilcha tem 4 cumes, todos acima dos seis mil metros. O maior, onde deveria estar a caixa de cume com livro do Banco de Chile, a 6.176 metros de altitude, uma grande montanha.

O mais legal e que o vulcão tem aos seus pés o vilarejo de Ollague, nomeado assim obviamente por estar na base do vulcão ativo Ollague de 5.870 metros onde também havia uma mina de enxofre, hoje já desativada. O povoado só tem cerca de 250 habitantes, uma igreja, algumas casas, uma delegacia, um posto do exército e o resto são instalações de linha férrea para transporte de minério.

Sabe o que e mais engraçado? A esta altura já estou conhecido no La Florida por ser o brasileño louco que só vem pro Atacama escalar vulcões. Até o pessoal do albergue brinca comigo. Aliás é obvio, pois me vêem chegar e sair do albergue com 3 mochilas e quase 40kg de equipamentos kkkk. Todo mundo me deseja sorte, me pede pra ver as fotos...Tem o outro lado também, como já é minha quarta vez na cidade, já fiz todos os passeios possíveis e passo o dia dando dicas de como ir, onde ir e com quem ir, além é claro de quanto isso pode custar. Quando volto passo umas duas horas mostrando fotos kkk.

A minha intenção era de escalar a montanha em solo e estava preparado para tanto. Paguei transporte e estava tudo pronto. Comprei minha comida, preparei a mochila, água, bla bla bla. No dia e horário combinados o Christian veio (ele me guiou ano passado ao Lascar) e me disse "Quer saber Paulo, não estou fazendo nada, todas as três vezes que fui ao Aucanquilcha perdi minhas fotos e até uma máquina me roubaram. Se importa se eu for contigo? Assim eu tiraria suas fotos e você as minhas, pode ser?"

Rapaz as fotos! Eu tinha esquecido completamente desse detalhe! Quem fotografaria pra mim já que meu tripé ficou com o Edson e, portanto agora já está no Brasil? Não foi só por isso que concordei, o Christian e um ótimo andinista e uma companhia muito boa também. La fomos nós.

O vulcão fica no limite da fronteira com a Bolívia. Aliás, do seu cume, dá pra ver o salar de Uyuni e em dias de tempo límpido sem serração, Parinacota e Pomerape. Imaginem como eu estava louco pra chegar no cume...

No caminho, ao lado do San Pedro e San Pablo, passamos pelo famoso vulcão Puruña, um pequeno vulcão que se ergue apenas 100 metros acima do solo mas, por estar no altiplano, tem cume a 4200 metros kkkkk. E conhecido aqui por ser um mini vulcão inativo. Passamos hipnotizados pelo tamanho do vulcão San Pedro, uma enorme massa de rocha vulcânica, escondendo logo atrás de si o seu irmão `menor´ San Pablo, de 6092 metros confirmados pelo mesmo projeto 6000dechile.

Depois de looongas cinco horas de carro chegamos ao vilarejo de Ollague, onde avisamos a intenção de escalar o vulcão e partimos olhando feito dois bestas o enorme Ollague e a fumarola próxima de seu cume que não pára de cuspir fumaça forte.

Começamos a subir a precária estrada que leva ao acampamento mineiro a 5280 metros de altitude, mas antes de lá chegar, tivemos que parar. Uma pequena pedra que apelidamos de Pedrita impedia nossa passagem na cota dos 5150 metros. Ela estava bem no meio da estrada e tinha uns 3 metros de largura por uns 2 de altura...kkkk. Pedrita foi no mínimo um nome inapropriado!

Por sorte, vinte metros antes disso vi um espaço perfeito para camping, 4 metros abaixo da estrada e com sinais de uso anterior para acampamento. Protegido do vento, perfeito! Ali mesmo seria nosso camping, mas antes, uma caminhada pra aquecer as pernas...

Deixamos o carro ali e levamos conosco a parafernalha pra cozinharmos no acampamento mineiro nossa janta. Em meia hora de subida chegamos lá, lugar fantasma, abandonado, a única presença confirmada é a do vento frio que corta metal e concreto como faca corta manteiga. Pela direita é possível ver um pequeno cerro com um enorme tótem no cume, lá fui eu esticar as pernas. Quinze minutos e estava no cume olhando para terras bolivianas e muitas montanhas de mais de 5500 metros ao redor, muitas.

Desci, a hora voava, já passava das seis. Fizemos um belo macarrão para janta, rindo muito e contando causos de montanha. Comemos até o rabo explodir e descemos calmamente para montar nosso acampamento.

Chegamos lá as 19:30h. Montamos a barraca e do lado de fora, já com um frio de 2 negativos, ficamos sentados observando o pôr do sol e as luzes de uma mina próxima iluminarem a escuridão absoluta no altiplano.

Entramos na barraca quase nove horas, fazia bastante frio. Fomos dormir...

Durante a madrugada registrei nove negativos, pela manhã, a barraca tinha gelo do lado de fora e aqueles tradicionais cristais por dentro por causa da respiração.

Neste dia, subiríamos até o cume, mas isso continua na parte 2!




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