Ataque no Ciririca : Um dialeto na montanha - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
K2 Paranaense

Ataque no Ciririca : Um dialeto na montanha


Aventura de:

“Todo homem é uno quanto ao corpo , mas não quanto a alma… “ . Esta é a concepção expressa por Hermann Hesse em ” O Lobo da Estepe” . Pois bem , há algum tempo venho me preparando física e psicológicamente para o encontro com as tão sonhadas placas do Ciririca , nesse último final de semana a oportunidade surgiu.

A previsão do tempo para a madrugada de sábado era congelante , mesmo assim juntamente com as Las Trilheiras ( Juliana Hoy e Cintia Eliane) parti para um bate e volta nessa montanha  honrosamente respeitada pelos montahistas . Como muitos dizem , assim como o Pico Paraná , em uma alusão , seria o Everest do Ibitiraquire , o Ciririca com seus 1.781 m seria o K2.

 
A trilha que dá acesso à montanha em questão se localiza na pacata Fazenda da Bolinha , município de Terra boa , distando poucos quilômetros da capital paranaense . Longe do perímetro urbano , iniciamos a trilha próximo às 05:00 da matina no percurso ” por baixo” , assim  conhecido  pelos praticantes da arte de subir montanhas. Há uns 20 min do início da saga , encontramos um grupo de Florianópolis que também estava disposto a enfrentar o ” chefão ” , um pouco de prosa  e tocamos em frente . Antes do amanhecer já estavamos no divisor de águas : a bifurcação que separa Camapuã – Tucum do Ciririca .
 
A partir de então , em meio às formações da Floresta Ombrófila Densa, percorremos a trilha contornando , inicialmente , o Camapuã e tucum descendo profundos vales compostos por árvores de grande porte em consonância com uma natureza exuberante. A sinalização da trilha requer  atenção ,  algumas marcações encontram-se camufladas em meio à mata , dificultando um pouco a visualização delas . Enfim , depois da descida vem a subida …
 
Uma espécie de dialeto é travado entre a trilha e as pernas , estas obedecem a regra : subir e descer constantemente . Já de longe era possível observar as montanhas que ficaram na bifurcação , estamos chegando ? Não . O abastecimento de água é , relativamente , abundante , alguns ” rios graníticos ” são interceptados  para dar seguimento à pernada . Depois de algumas horas de escalaminhada  chegamos à famosa Cachoeira do Professor , muito bela e aparentemente muito refrescante , a prova real só não foi tirada por conta do temido frio daquela manhã .Seguimos a diante e , antes de alcançarmos a “última chance” ( último local para abastecimento de água) , chegamos no último riacho e abastecemos o cantil . 
 
Após sairmos da mata fechada entramos em um descampado , onde pode  se contemplar uma parte da cadeia de montanhas do Ibitiraquire com a presença ilustre do grandioso Pico Paraná , através de uma perspectiva bem interessante .  Mais algum tempo de subida e estavamos de frente com a temida rampa do Ciririca , que exige muita cautela e perna , sem auxílio de grampos e tampouco correntes . Na subida da rampa me deparei com veios de quartzo , alguns maiores e outros menores mais ainda assim veios (nos próximos posts explicarei o significado de alguns termos geológicos ) , em algumas porções também foi observado nitidamente minerais ” gigantes ” com geminação carlsbad .Nos minutos seguintes alcançamos a crista da montanha dona das placas , dali até o destino almejado levamos pouco tempo . Agora , já nas alturas , o lance era calibrar os motores , refrescar a alma com a vista privilegiada e presenteada por um maravilhoso dia .
 
Finalmente , o grande encontro . Os monólitos , assim denominados , apreciados , até então , somente por fotos e vídeos estavam há poucos passos de serem tocados . Chegamos ao clímax da trip , sob a imponente placa moldurada em meio a um céu azul composto por cirrus, sentamos maravilhados com a missão executada. Meus dotes culinários não são lá grande coisa , acendi o fogareiro para realizar a façanha de um miojo em meio ao vento , até que não foi tão frustrante …
 
A peculiaridade dessa montanha é o que atrai os desbravadores .Os monólitos já citados que agregam histórias da serra do mar, outrora serviam para transmissão de rádio durante as operações da Usina Capivari – Cachoeira. Do Ciririca avistamos montanhas como : Torre da Prata , Serra do Marumbi e os Agudos ( Cotia , Lontra e Cuíca ). 
 
Depois de quase 7 horas de subida , chega-se  a hora de partir. Aquela máxima inicial do Hermann Hesse é bem vinda nessas horas : é necessário dimunirmos o nosso ego perante a magnitude da natureza para então reciclarmos as facetas da nossa alma , a cada um cabe o direito de aproveitá -las da melhor ou da pior maneira .
 
É , na volta enfrentamos um perrenguezinho suave. Quando passamos da Cachoeira do Professor estava começando a anoitecer , mesmo com lanterna estava um pouco complicado de achar as marcações da trilha , sendo assim perdemos tempo para reencontrar algumas marcações . Haviamos adotado alguns pontos de referência  que nos auxiliaram no retorno. Mulheres são guerreiras e determinadas , é uma heresia dizer que mulher é um sexo frágil : parabéns Juliana Hoy e Cintia Eliane .
 
Aos poucos vou respondendo meus questionamentos sobre as forças e necessidades, bem como os sentimentos que nos deslocam da ” terra firme” rumo às grandes elevações . 
 
Até a próxima trilha , abraço ! 
 
Blog do Jr Costa: http://ummergulhoembuscadear.wordpress.com/
 



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