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Nos arredores de São paulo

Travessia Mogi - Vieira


Aventura de:

A Serra do Itapety, sentinela montanhoso q guarda Mogi das Cruzes, não é somente palco de caminhadas q podem ser efetuadas tanto pela sua escarpada crista como por suas florestadas encostas. A Serra do Itapety pode tb ser parte de caminhadas mais extensas, como por exemplo a “Travessia Mogi-Vieira”, pernada árdua de quase 24km que tem quase de tudo (e mais um pouco) em seu trajeto. Partindo de Mogi das Cruzes, rasga perpendicularmente o Itapety via Pedra do Lagarto, pra depois descer pelo Vale das Pedras sentido o Jd Vieira, bairro rural 20km a noroeste. No caminho, largos visus, trilha, estrada de chão, vara-mato, “ferro-trekking”, túnel, cachoeira e até um improvável boteco!

Contrariando as previsões nefastas da meteorologia, aquele dia estava incrivelmente radiante. O sol brilhava  forte no alto dum firmamento isento de qq vestígio de nebulosidade, prometendo martelar nossas cacholas sem dó. E entre resmungos por não ter levado o chapéu é q encontrei o restante da trupe nos trailers estacionados na frente da Estação Estudantes, as 8:30hrs, q se resumiam apenas ao Alexandre, Simone e ao casal Gisely”A Montanhista” seu consorte, o Junior. O Ricardo juntou-se depois, dando pra gente tempo suficiente pra mandar ver nosso desjejum com quitutes das vendinhas, situadas na cota dos 720m de altitude.


Reunidos finalmente, zarpamos então rumo o Jd Rodeio a exatas 9hrs. Pra isso cruzamos a linha férrea, indo sentido o Shopping Mogi, pra depois tomar indefinidamente a Rua Antonio de Almeida, sempre tocando em direção da elegante Serra do Itapety, dominando quadrante norte no sentido transversal. Entre animada conversa, mal demos conta qdo passamos por um límpido Rio Tietê e começamos a subir as ultimas ruas asfaltadas do Jd Rodeio, dando adeus a “civilidade”.


O asfalto q não tarda a dar lugar ao chão de terra ao pisar na Estrada Velha do Lambari, onde a declividade só é percebida qdo Mogi começa a ficar pequenina sob nossos ombros. Aqui vale mencionar q a vereda encontra-se bem mais larga e batida q da ultima vez q ali estivera, coisa de meses antes. Mas a impressão de estar numa estrada desaparece qdo a subida aperta mesmo, logo adiante, na ladeira erodida e repleta de pedregulhos conhecida como “Paredão Boliviano”, onde o Alexandre já começa a colocar os bofes pra fora.


Dessa forma, após o pto d’água a vereda aparenta suavizar e nivela por um tempo, pra depois embicar novamente sob a forma dum ladeirão íngreme e bem escorregadio. Touceiras de capim-navalha e capim-velcro tomam conta da via nalguns trechos, sinalizando o pouco uso, mas vencido este patamar os horizontes se ampliam e nos vemos pisando nos 1100m das ásperas aderências da Pedra do Lagarto, as 9:45hrs. Por ser o pto mais alto da travessia proposta, nos brindamos aqui com um demorado pit-stop de descanso, contemplação e mtos cliques. A geometria alva de Mogi é parcialmente escondida pelo arvoredo do topo, pois a vista daqui privilegia mais o quadrante norte q o sul.


Retomamos a pernada retrocedendo um pouco até um cruzamento no colo serrano, onde tocamos por uma precária e encharcada vereda q passava pra outra encosta oposta do Itapety. Não bastasse o brejo q tomava conta do caminho, havia mato tb cobrindo parcialmente a picada, q outrora servira pra extração de madeira antes de td aquela área se tornar reserva ambiental. Mas não demorou a vereda cair noutra maior e mais batida, q igualmente descia a encosta, onde o caminhar se deu com maior rapidez e agilidade. Mas a cautela aqui não deixou de ser redobrada, uma vez q o caminho podia não ter mato obstruindo, mas o chão era totalmente erodido e liso. Valas enormes - algumas parecendo legítimos cânions avermelhados – foram vencidas dando a volta pelo lado ou apenas abrindo as pernas  evitando os buracos lisos.


Perdendo altitude num piscar de olhos, caímos enfim no fundo do vale q divide o espigão principal do Itapety de outro  menor paralelo, agora na cota dos 935m. O ruído borbulhante do precioso liquido correndo nalgum canto se materializa sob a forma dum límpido córrego q nada mais é uma nascente q integra o Rio Lambari. Sendo água mais q confiável, as 11:30hr pudemos repôr o estoque de nossos cantis de forma satisfatória. Até pq aquela manhã quente e sufocante estava minando lentamente nosso estoque.


Prosseguindo nossa jornada, agora em nível pela encosta, não demorou pra desembocar no aberto por volta das. Deixávamos enfim a mata fechada pra caminhar nos vastos descampados de pasto salpicados de enormes rochedos, as 11:40hr, lugar popularmente conhecido como “Vale das Pedras”. O lugar faz jus ao nome, pois pedras e lajedos pipocam a encosta gramada. Claro q aqui tivemos mais uma parada, mas apenas pra cliques pois a vista revelada é fantástica e privilegia desde td quadrante norte até o próprio Itapety, onde pudemos refazer mentalmente  td trajeto, do alto até onde estávamos naquele momento. Lá de cima eu e o Ricardo aproveitamos pra discutir o restante da jornada, observando um trecho florestado ao norte q teríamos q vencer. Se havia trilha ou não era a interrogação q pairava sob nossas cacholas.


Descemos desimpedidamente através da abaulada morraria, sempre pro norte, tanto pelo pasto como aderências rochosas, perdendo altitude  rapidamente. Vaquinhas e cavalos paravam de ruminar apenas pra nos observar, quiçá se perguntando q diabos fazíamos ali. Um casebre e um tonel abandonado merecem cliques tanto pela sua presença solitária naquele cafundó como pelas texturas exibidas, oriundas da passagem do tempo. Logo abaixo interceptamos uma estrada de terra, assim como um belo casarão colonial no outro extremo da via. Um laguinho completa o panorama daquela baixada ao sopé do Itapety, q fica cada vez mais distante.


Antes de mergulhar na mata fechada, um belo poço ao sopé do estradão e outro casebre abandonado merecem alguns cliques. Mas uma vez na mata fechada deixamos tanto os ruídos como a civilidade td atrás. No inicio ate acompanhávamos uma picada ao lado dum córrego, mas não demorou pra ela sumir de vez e nos obrigar a avançar na raça, desviando do mato no caminho. Os sentidos se aguçam na mata: o odor inebriante dum limoeiro invade nossas narinas; nosso olhar capta os movimentos dum sapinho e duma cobra em meio ao verde; assim como nossos ouvidos percebem o chiado dum gavião nalgum canto, quiçá reclamando pela nossa intromissão em seu habitat. Mas felizmente nosso avanço é satisfatório, sem gde demora.


Tocando sempre por norte, nosso vara-mato inicialmente subiu a encosta dum morro ate uma antiga estrada extrativista desativada e tomada pelo mato. Contornando o morro, sempre pro norte, não demorou pra descer ao vale sgte e escalaminhar a encosta sgte. Mas nosso avanço buscou a perda mínima de altitude, e por isso procuramos nos manter sempre na encosta, em nível. E assim, escalaminhando e desescalaminhando mato subimos uma ultima encosta de morro q terminou nos levando numa via mais aberta, onde o som de estridentes cães já nos indicavam a presença de alguma casa. Exaustos, as 14hrs desabamos ali naquela estrada mesmo e nos brindamos com um breve descanso, com direito a lanche e mais goles de água. O Alexandre, desacostumado a rasga-mato, foi quem mais sentiu a pernada e quase não levantou dali.

 

Após alguns perdidos naquela estradinha abandonada, finalmente desembocamos noutro estradão de chão maior, onde tivemos algumas duvidas qto direção com os tiozinhos duma casa dali. “Tem mulher ali com vcs, no grupo?”, perguntou um deles, impressionado ao nos ver surgindo do meio do mato e em cia feminina. “Tá louco! Tem suçuarana nessas matas!”, emendou o retado capiau, o q nos “tranqüilizou” ainda mais. E nos regozijou de orgulho pelo feitio. “Chupa, tiozinhoo!”, pensei.


Dali tocamos algo de 3 ou 4 entediantes kilometros (rumo noroeste) por estrada de chão, serpenteando a morraria do caminho repleta de sítios e chácaras. Mas nossa caminhada teve mais uma breve parada, as 15:20hr, pq nos deparamos com algo q td trilheiro almeja no meio dum perrengue, algo q é um oásis no deserto: um boteco! Brejas e refris desceram goela abaixo como água naquela oportuna parada, onde dei uma maneirada no consumo pois ainda havia chão pela frente. Foi ali onde tb o Alexandre – além de ser o único q reparou num fliperama dali - decidiu q abandonaria a trupe pois não teria fôlego suficiente pra completar a pernada. Info aqui e ali, descobriu q poderia pegar carona ate onde pudesse tomar condução de volta a Mogi. Era a nossa única baixa da trip. Em tempo, estávamos nos arredores do bairro  rural conhecido como “Moralogia”.


Dando continuidade a nossa odisséia, prosseguimos ainda pela estrada de chão principal, q continuava tocando pro norte de forma sinuosa e com alguma declividade. No caminho nos chamou a atenção um campo repleto de búfalos pastando e varias corujinhas coroando um cercado, como q paradas justamente pra serem clicadas. Mas a estrada é abandonada no alto dum morro, onde o horizonte descortina uma baixada repleta de capim alto e nosso próximo destino, a linha férrea da EFCB. Descemos a encosta do morro buscando a melhor forma de aceder a linha férrea, pois havia um trecho de mato tenso no meio do caminho. Buscando o trecho mais estreito de mato, qual nossa surpresa ao literalmente mergulhar por touceiras de capim-gordura de altura maior q a nossa!  Tchibum no verde!


Após algumas “braçadas” no mato, finalmente pisamos nos trilhos da EFCB, as 17hrs, q bastou acompanhar na direção oeste. Sem dificuldade alguma, nosso ferro-trekking prosseguiu firme e forte, tendo a nossa volta a paisagem emoldurada por belos serrotes com reflorestamentos se antepondo a espichada Serra do Itapety, vista do outro lado em td sua extensão. Neste trecho de trilhos o destaque foi a passagem do trem, q mereceu cliques e filmagem, e a transposição dum túnel medonho de quase 300m, numa cena q não por acaso me lembrou da“Travessia Angra-Lidice”.


Mas após o tunel é preciso atentar pro lado, mais precisamente na margem esquerda. Qdo o borbulhar de água correndo se torna cada vez mais intenso é preciso sair dos trilhos, rasgar o capim e descer um barranco. Ali é possível já avistar uma trilha q nos leva próximo do som do precioso liquido, mas é somente qdo se desescalaminha outro íngreme barranco é q caímos nas margens dum belíssimo poço ao sopé duma simpática queda d’água, q apelidamos de “Cachu do Tunel”. Modesta pros padrões serranos, a cascata tem seu charme se levar em conta sua localização numa região sem gdes desníveis. Por causa do horário já se mostrar avançado, as 18hrs, ficamos pouco tempo naquele belo remanso e nem teve tchibum. Mas acredito q chegar ali por volta do meio-dia com sol a pino deva ser algo bem interessante.


Retornamos então aos trilhos pra seguir seu curso sentido oeste, mas não por mto tempo pq assim q vimos uma ponte abandonamos a ferrovia em favor do estradão q começava a voltar pro sul. E após um chão entediante já quase escurecendo, é q finalmente alcançamos o bairro rural do Jd Vieira, as 18:45hrs, onde tivemos q esperar a rara e pouco regular condução q passa por lá. Felizmente havia um boteco onde pudemos bebemorar previamente a empreitada antes de tomar o busão, q demorou mais de hora pra passar. Surpresa foi reencontrar o Alexandre no mesmo ônibus, o q nos deixou com a pulga atrás da orelha onde diabos nosso robusto colega se meteu após se desligar do grupo.

De qq forma, entre risadas, causos e mto cansaço geral acumulado, voltamos pra Mogi e, já a altas horas da noite, pra Sampa. Voltamos não apenas satisfeitos pela sensação do dever cumprido, no caso, a travessia proposta. Satisfeitos também pela pernada lançar uma nova luz, um novo olhar sobre uma região q a principio aparenta não ter atrativo algum. Onde um simplório bate-volta revela q as possibilidades de pernadas pela Serra do Itapety não se limitam apenas a palmilhar seus contrafortes e sim seu entorno tb. Mas acima de td cristaliza uma tecla q bato faz tempo: de q só repete programas quem quer, e q a “exploração” de novos programas diferenciados está ao alcance de qq um. Basta só perseverança, foco e planejamento.




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