O Big Wall Crazy Muzzungos - 5 VI+ A2 D6 - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
Big Wall

O Big Wall Crazy Muzzungos - 5 VI+ A2 D6


Aventura de:

A história de uma escalada de uma via com 16 cordadas ( 600m ), graduada em 5 VI+ A2 D6 e que é famosa pela famigerada aproximação que é considerada por muitos como o big wall de mais difícil acesso do Brasil.

A via Crazy Muzzungos esta na Pedra do Garrafão localizada no Parque Nacional Serra dos Órgãos em Terresópolis-RJ, dentro do chamado “Vale da morte”. No vale além de outras montanhas impressionantes está a Pedra do Sino com algumas das vias de big wall mais difíceis do Brasil!

Esta via foi o primeiro big wall do vale, conquistado em 1983 por uma equipe de suíços, com 16 cordadas ( 600m ) graduada em 5 VI+ A2 D6 é famosa pela famigerada aproximação que é considerada por muitos como o big wall de mais difícil acesso do Brasil.

Ouvi mais detalhes desta via na temporada de 2004 quando estava em São Bento do Sapucaí-SP. Mas só fui repeti-la no inicio de Julho de 2007 quando estava na internet e li o e-mail do amigo de SP Bruno Melo “Cabeção” para a lista do Hang On procurando o croqui da crazy, na hora enviei uma resposta perguntando se estavam precisando de mais um parceiro e dia 06/07 o Bruno me buscou na rodoviária de São Paulo, passamos em São Bento do Sapucaí para buscar o Beto (Roberto Sponchiado) e partimos para Teresópolis. Depois de alojados no Albergue do Lord acertamos o transporte de ida e volta ao parque com a simpática Dona Ângela.

A aproximação começa pelo leito do rio Soberbo onde entramos dia 8 as 6 AM e iniciamos uma caminhada que poderia ser graduada pelos lances de boulder que não paravam de surgir, na maioria das vezes pedra molhada e musgo com as mochilas pesadas, eram de matar!! Em muitos lances que não dava para cair, mas não faltaram quedas na água e no mato enroscado entre espinhos e cipós!

Já no final do dia ficamos em duvida, pois tínhamos que encontrar um afluente à direita e uma “mega cachoeira” onde havia uma fita vermelha e uma corda fixa indicando sua subida pela direita, assim estava descrita no e-mail que a Kika tinha enviado ao Bruno, também encontramos um acampamento de caçador que foi descrito no e-mail e ai confundiu mais ainda!! Entramos em um vale errado e perdemos mais algumas horas! Resolvemos seguir mais pelo rio e acampar no melhor lugar possível.

Pouco antes de anoitecer achei um totem de pedra em uma das passagens descritas no e-mail, estávamos no caminho certo!! As 12h do segundo dia chegamos no bivac próximo à base.

No primeiro dia de escalada subimos as três primeiras enfiadas em muitos furos de clif grandes e quebrados acabando num trepa mato bem pegajoso! O Cabeção guiou as duas primeiras, eu guiei a terceira eo Beto organizou o bivac e equipos que puxaríamos até a terceira base. Voltamos ao bivac nos alimentamos bem e dormimos cedo, pois as 2:30 da matina acordamos para iniciar o segundo dia de escalada.

Ainda totalmente escuro e com um céu incrivelmente estrelado esperava meus parceiros para guiar a quarta enfiada, eles se atrasaram um pouco com o haul bag enroscando em algumas coisas e às 7h estava guiando. As cordadas demoraram um pouco mais do que imaginamos e entre 5 + “forte” e A2 chegamos a P8 às 21h, com direito a “guiadinha” à noite que o Beto mandou muito bem. Ventava muito o céu estava bem estrelado e já tínhamos a incrível visão da Baia de Guanabara!

Chegamos no platô que se revelou uma grande decepção por ser todo inclinado sem lugares bons para deitar, um lanche rápido e bora para os sacos de dormir, pois o vento estava pegando!!!

Guiei as duas cordadas depois do platô com o maior prazer, depois de três dias sem pegar sol foi muito bom esperar os parceiros pegando um sol! Essas enfiadas seguiam por fendas lindas e toda em livre!!

Mais uma enfiada curta guiada pelo Beto e chagamos no ombro, uma caminhada cansativa neste grande platô até a base da P12. A neblina fechou completamente e já começava e chuviscar, caralho a ultima cordada sai em aderência! Encharcada seria impossível escalar! Bruno fixou duas cordadas depois do ombro e quando parou já estava tudo molhado. Descemos até o ombro onde comemos uma boa lentilha e tentamos dormir debaixo da chuva!

No sexto e ultimo dia o tempo ficou entre sol e nuvens, subimos os equipamentos até a P14 e como estava tudo molhado seguimos por uma canaleta de mato a direita que saiu em uma fenda com acesso fácil ao cume!!

HUUUU finalmente, fotos, videozinho, beber uma aguinha das poças e se organizar para descer, o dia estava só começando. Um rapel até o col entre o Garrafão e as encostas do sino, escalar na pedra molhada por um cabo de aço passar alguns buracos e chaminés e o mais difícil puxar o haul bag !

E quando eu pensei que ia aliviar uma caminhada nos costões que levam ao cume do Sino ao entardecer com neblina sabendo que estávamos entre paredes e vales gigantes, a atenção foi total para não descer no local errado! Depois de subir o sino chegamos ao refugio 4 da trilha Tere-Petro onde se caminha mais 12km até a entrada do parque. Não tem moleza, esta ultima parte a galera caminhava no limite, “zumbi” caindo de sono!

Chegamos a 1:30 da madrugada e a Dona Ângela foi nos resgatar na entrada do parque. Foi a escalada mais exigente fisicamente que já fiz! Alem de muita resistência é preciso experiência em orientação pois, não existem trilhas demarcadas e muita raça! Não é para playboy malandragem!

Daniel é proprietário da loja Garra Aventura, em Balneário Camboriú.



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