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Série extinções

Lonesome George


Colunista:

Algum tempo atrás, escrevi uma coluna chamada Tio George, sobre a travessia Porto Seguro-Prado. Este nome me lembrou de um outro George, este também à beira mar. Só que o relato do primeiro se passava muito tempo atrás na Bahia e este, poucos anos atrás em Galápagos. Infelizmente, é mais uma história de extinção.

Este foi o apelido de uma tartaruga gigante, nascida numa das ilhas do Arquipélago de Galápagos e trazida para a unidade de pesquisas da Ilha de Santa Cruz, que é seu centro turístico.   
Galápagos tem uma origem recente e vulcânica, por estar situado sobre uma linha de hot spots da qual surgiram vários vulcões, que acabaram emergindo e compondo com o tempo as treze ilhas do Arquipélago. 
 
Cada uma delas formou um ecossistema diferenciado. Você às vezes notará desertos desoladores, mangues e pântanos, noutras vezes pequenas praias e costões rochosos. Ou ainda savanas e gramíneas retorcidas, e até mesmo bosques de cactos e densas florestas. Estes ambientes se sucedem numa mesma ilha ou entre ilhas próximas. 
 
O isolamento entre as ilhas tornou-as laboratórios vivos da evolução das espécies. A fauna é única mas não é rica, a não ser sob o mar. É escassa em mamíferos, por não poderem suplantar sem água ou alimento a enorme distância que o Arquipélago fica da costa. Destes, só existem seis espécies, todas naturalmente aquáticas. 
 
Também os répteis de que Galápagos tem fama de serem abundantes são poucos, apenas quatro, fora naturalmente as tartarugas gigantes que lhe deram o nome. O aspecto interessante é que as espécies em cada ilha são endêmicas, pois evoluíram em ambientes isolados. Este não é o caso das aves, cuja autonomia gerou alta diversidade e baixo endemismo.
 
Pois Lonesome George era o último exemplar de sua espécie, uma tartaruga gigantesca com uma fenda na sua carapaça que permitia grande alcance a seu fino e ágil pescoço. Durante quarenta anos foi criada solitária no centro de pesquisas, daí o seu nome. 
 
Em várias ocasiões tentaram acasalá-lo com fêmeas semelhantes, mas sem resultado. Aparentemente, não era fanático pelo sexo oposto e, quando conseguia algum suado sucesso, os ovos não eclodiam.
 
A escolha dos parceiros para acasalamento é uma prática delicada, pois só resultará uma prole se houver compatibilidade genética. Este é atualmente o caso no Brasil da ararinha azul, espécie quase extinta, da qual se esperam filhos a partir de um único casal. 
 
Bem, um dia, aos cem anos e ainda jovem, Lonesome George morreu. Havia porém a esperança de que, dado o longo período de incubação, algum ovo ainda poderia mostrar-se fértil. Mas, decorrido o prazo, nada aconteceu. E a espécie deste ser solitário acabou tristemente extinta, como tantas outras na face da terra.         
 



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