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A morte de um glaciar

Acabou de vez o glaciar do Chacaltaya

Cumprem-se os prognósticos dos estudos sobre o aquecimento global: O glaciar do Chacaltaya, montanha que abrigava a pista de esqui mais alta do mundo, já não existe mais.

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Representantes da Bolívia e de várias nações do mundo estiveram esta semana no Chacaltaya para atestar o estado do glaciar da montanha e a contestação foi a pior possível: O glaciar já não existe mais.

Segundo José Luis Gutiérrez, "este é o primeiro sinal do que acontecerá com os outros picos nevados da Cordilheira, porque a temperatura média sobe 0,6 ºC por década e já ameaça a reserva de água que alimenta as cidades de La Paz e El Alto e muitas outras comunidades".

Gutiérrez informou ainda que não se perder apenas uma montanha com neve e sim o início de todo um sistema, que ajudava as outras montanhas a manterem-se nevadas e que possivelmente, a falta do glaciar no Chacaltaya vai causar uma aceleração do processo de descongelamento nas outras montanhas da região.

Ele ainda confirmou que já não existe nada do glaciar do Chacaltaya e por isso, o Estado deve tomar medidas de adaptação para que o impacto não seja tão brusco, tais como a construção de represas e a verificação de extração de água por poços subterrâneos.

Apoio Internacional

A Ministro das Relações Internacionais da Suécia, Gunilla Carlson, esteve presente na visita técnica ao Chacaltaya e após verificar a morte do glaciar, informou que o governo da Suécia deverá investir 10 milhões de dólares por ano, por um período de 5 anos, em "estudos conjuntos com a Bolívia para tentar encontrar uma solução para este problema mundial".

Efeitos na Comunidade

A primeira seqüela do desgelo do Chacaltaya será a migração de moradores das comunidades que dependem tanto da água quanto do turismo que o Chacaltaya traz à região.

A comunidade homônima à montanha, localizada exatamente aos pés desta, já possui diversas casas abandonadas e percebe-se uma redução grande da produção, tanto de animais como as LLamas e Alpacas, quanto da agricultura de batatas e quinua.

Para Adolfo Mendoza, morador do local, percebe-se que "já não se tem mais futuro ali, devido à falta da água e principalmente pelo virtual perda da atividade turística que gerava recursos a muitos dos habitantes. Desde a venda de pão, até os serviços de guia e instrutor. Terminou para nós aqui".

A pequena vila de Chacaltaya se encontra na zona norte da Cidade de El Alto, cerca de 40 quilômetros desta, e os habitantes são de origem aymará.

Equipe de Investigação


Uma equipe científica controla minuciosamente o processo de desertificação que sofre esta montanha, e estima-se que os últimos resquícios do glaciar deverão desaparecer até 2015.

Ainda assim, a montanha oferece um refúgio para estadia e centro de visitantes, cuja visita não tarda mais que um dia. É um local hoje muito utilizado pelos montanhistas que procuram a aclimatação para ascender às outras montanhas.

Chacaltaya foi durante muitos anos a pista de esqui mais alta do mundo, além de ser única na Bolívia. De seu topo pode-se avistar o altiplano, as montanhas da Cordilheira além de uma vista para o Huayna Potosi de tirar o fôlego de qualquer um.

O volume de gelo e neve na montanha vem diminuindo desde 1963, e hoje já perdeu mais de 95% de seu total.

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