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Carlos Morey: A estratégia para o cume

De acordo com informações do blog no site O Meu Everest, o alpinista Carlos Morey já descreve a estratégia montada pela Jagged Globe para o ataque ao cume.

Fonte: texto de Patricia Paladino- no blog do site de Luciano Pires

Segundo informações postadas por Patricia Paladino, no blog do site de Luciano Pires (http://www.omeueverest.com/blog/), Carlos Morey mandou notícias do Campo Base do Everest, informando sobre sua estratégia de ataque ao cume, montada pela equipe da Jagged Globe.

Informa também a partir do email recebido de Morey a data para o cume, e que a equipe foi dividida em duas e fará parte do grupo Yellow, que terá como guia o experiente alpinista Willie Benegas.

De acordo com o texto de Patricia, "Willie Benegas é velho conhecido de quem anda pelas bandas do Everest. Experiente alpinista, é reconhecido por este espírito "antigo" de relação com a montanha e o montanhismo - que, infelizmente, nem todos têm hoje em dia. Para alpinistas de elite, como ele, nada é mais importante do que uma vida em risco na montanha. Não importa cume, não importam os recordes. Importa é resgatar ou atender alguém em dificuldades. Dave Hahn, Ed Viesturs, Conrad Anker, David Breashears e Pete Athans também são alguns dos membros desta antiga (e bendita) confraria. Benegas já guiou alpinistas e clientes para várias expedições, ao longo dos anos, e nesta temporada está guiando na Jagged Globe - que bom para a equipe", disse Patricia.

Ele comenta também em outro email a morte de um sherpa por envenenamento provocado por uísque clandestino. Fala das prováveis desistências na reta final para o cume na expedição.


Leia abaixo o texto integral do site O Meu Everest:

“Hoje o dia começou com o pouso do helicóptero e o resgate do sherpa que tinha sido intoxicado por metanol. O estranho foi o tratamento dado a ele enquanto estava aqui: Vodka Smirnoff. A idéia era trocar o metanol por etanol, menos tóxico. Smirnoff salvando vidas... Uma coisa é certa: quando ele acordar terá uma tremenda ressaca.

Para passar o dia e manter o preparo físico, fomos e voltamos a Gorak Shep. Fizemos em pouco mais de uma hora. Isso é bom...

A novidade ficou na nossa chegada, pouco depois do almoço. Tivemos uma reunião e foi dito que o tempo está melhor e que iremos subir. Fomos divididos em dois times:

Yellow: Doug, Bill, Nick e eu.

Orange: Amanda, Neil_A, Ian, Chris, Kevin e o Neil e o Dave, que ainda não foram ao Campo 3.

O nosso time sai dia 15 de maio e o Orange no dia seguinte. Nós vamos com o Willie e os demais com a Adele e o Tomaz.

O nosso cronograma será, se o tempo não mudar:

 , , , * 15 de maio – Campo 2
 , , , * 16 de maio – Descanso no Campo 2
 , , , * 17 de maio – Campo 3
 , , , * 18 de maio – Campo 4 e à noite (21h) saída para o cume
 , , , * 19 de maio – Se Deus quiser cume e volta ao Campo 4
 , , , * 20 de maio – Campo 2
 , , , * 21 de maio – Campo Base

Amanhã eu escrevo mais detalhes dessa estratégia.

Abraços,
Morey”



“Depois de 36 horas de muita neve, finalmente o tempo melhorou um pouco, mas até o próximo sábado, creio que não teremos nada a fazer do que esperar. Essa deve ser a tendência dos próximos dias.

Vou procurar manter a mente ocupada e se o tempo permitir farei algumas pequenas caminhadas pela região para manter os músculos quentes.

Infelizmente ontem morreu mais um sherpa e um outro está muito ruim. O motivo da morte não é incomum para nós brasileiros, mas tem sido muito comum aqui. Os dois sherpas tomaram um porre de whisky batizado. E tinha sido batizado com metanol. Parece que tem sido comum a importação ilegal de bebidas alcoólicas do Irã e Paquistão e não está sendo incomum pessoas passarem mal com a bebida.

Hoje tentamos um resgate do sherpa que está internado no HRA, mas o tempo ainda estava nublado e ventoso. Tomara que amanhã consigamos.

Felizmente, para mim, estou de Lei Seca. Até concluir a minha missão aqui não corro o risco de experimentar essas bebidas.

O que surpreendeu de verdade foi o comportamento do nosso guia argentino, Willie Benegas. Desde a notícia do envenamento pelo whisky dos sherpas, ele não sai da tenda do hospital. Passou a noite ao lado do sherpa. A sua preocupação com o local (segurança, poluição etc) e com os sherpas é impressionante. Ele vê um sherpa sem crampom ou sem cadeirinha num lugar perigoso, e logo chama a atenção. E depois chama o chefe dele para conversar. Parabéns... Não é à tôa que tem sete cumes do Everest...

Hoje o Peter veio conversar comigo. Tenho visto, ao longo dos dias, que o brilho saiu da sua face. Ele jogou a toalha. O tempo em Pheriche não foi suficiente para ganhar força e energia para continuar. Ele deve começar a voltar para casa amanhã. O próximo, creio, deve ser o David.

O Neil, mesmo com o problema nas costelas, se mostrou bem no retorno ao Campo Base. Pode ser o elemento que complete o time de 10 para o Summit Push.

O Charles Klein também tinha me perguntado sobre como é o caminho do Campo 3 ao 4. Ele começa pela Face do Lhotse, cruza a Faixa Amarela e vai acompanhando uma parte rochosa da Face, o Geneve Spurs, até chegar ao topo, aos 8.000m, local do Campo 4. Peguei uma foto e desenhei o caminho.

Vou ficar devendo as fotos do local de onde saiu o gelo para a avalanche porque sumiu a expansão USB que usava para descarregar as fotos. Espero que achem... Pois senão... No Picts...

Abraços,
Morey”


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Fonte: texto de Patricia Paladino, no blog do site de Luciano Pires (http://www.omeueverest.com/blog/)

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