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Panorama Latino-Americano em cumes de 8 mil

Poucos países da América latina já conseguiram completar todos os cumes com mais de 8 mil metros do mundo e apesar das recentes conquistas brasileiras, ainda estamos longe do México e do Equador, que já completaram todos os 14, e também da Argentina, que possui 10 cumes conquistados. Saiba mais...

Fonte:


Por Rodrigo Granzotto Peron

I – Introdução:

Apesar das dificuldades financeiras, a América Latina foi um dos primeiros continentes a desbravar o Himalaia. No início as expedições eram argentinas, organizadas pelo exército, e se destinavam principalmente ao Dhaulagiri, um 8000 virgem na ocasião, que os nossos vizinhos almejavam desvirginar.

Esse pioneirismo custou a reverberar, muito pelas ditaduras militares que se instalaram em quase todos os países da América Latina nos anos 60 e 70, tornando muito mais difícil entabular expedições para a Ásia. O início dos anos 80 também não colaborou, com a hiper-inflação assolando grande parte dos países de nosso continente. Mal havia condições financeiras de pagar as contas no fim do mês, e portanto o alpinismo não tinha como vingar. Mas a partir do final dos anos 80, com os planos de estabilização econômica, as condições começaram a melhorar e isso refletiu-se grandemente no montanhismo, com várias e várias expedições começando a desbravar cada um dos cumes 8000.

De meados dos anos 90 para cá temos tido inúmeras expedições, não apenas pelas grandes forças (México, Brasil, Colômbia, Equador, Chile e Argentina), mas igualmente por conta de diversos outros países que vêm tendo conquistas significativas.

II – Análise Geral dos Países Latino-Americanos:

Os dois maiores expoentes em termos de himalaísmo na América Latina são México e Equador, os dois tendo conseguido completar a conquista de todos os 14 cumes 8000. No caso mexicano, quase todas as primeiras ascensões aos gigantes da Ásia foram feitas pelo gênio Carlos Carsolio, sem dúvida a maior estrela da Ámerica Latina em todos os tempos. Carsolio concluiu sua jornada pessoal em 13.05.1996, no Manaslu, no que foi também a conquista do México, como país, a todos os 8000. Abriu várias novas rotas e fez vários speed ascents. Uma lenda viva. Recentemente, também o Equador completou todos os 14, e a maior parte das primeiras ascensões equatorianas foi feita pelo top climber Ivan Vallejo, que terminou sua saga no Dhaulagiri, em 01.05.2008.

Os demais países latino-americanos estão em busca do número mágico 14.

A Argentina já conquistou 10 montanhas 8000 (EV, K2, LH, MK, CH, DH, G1, BP, G2 e SH). Ficaram faltando Kangchenjunga, Manaslu, Nanga Parbat e Annapurna. Sem ter uma grande estrela individual, a Argentina aposta no jogo de equipe, sendo que as primeiras ascensões nacionais foram feitas por vários escaladores distintos. Nos últimos anos emergiram nomes importantes no cenário porteño, como Christian Vitry, Darío Bracali (infelizmente falecido no Dhaulagiri ano passado) e Maximo Kausch. Também deve ser ressaltada a conquista do Shishapangma, em 2007, por Alfredo Cevallo e Federico Sacchi, pela árdua e difícil Face Sudoeste, um dos feitos mais impressionantes dos últimos anos pelos latino-americanos.

O Chile já conquistou 8 montanhas 8000 (EV, K2, LH, MK, CH, NP, G1 e G2). Ainda faltam ser conquistadas Kangchenjunga, Dhaulagiri, Manaslu, Annapurna, Broad Peak e Shishapangma. País de longa tradição no montanhismo – tendo conquistado o 1º 8000 latino-americano, o Gasherbrum II, em 1979 (que se bem que essa conquista não é aceita por todos no Chile e está sendo disputada) – e possui um projeto organizado para, coletivamente, conquistar todos os 14 picos 8000. Nessa temporada o escalador Rodrigo Fica Pérez está no Manaslu, tentando conquistar o 9º oitomil chileno. Também não há um único escalador que brilhe sozinho no firmamento. Há, isso sim, vários bons alpinistas, praticando o jogo de equipe.

O Brasil já conquistou 8 – ou 7 – cumes 8000 (quer se aceite, ou não, que Michel Vincent é brasileiro). A maior parte das primeiras ascensões aos cumes 8000 foram realizadas por Waldemar Niclevicz, que é a maior estrela brasileira. Nos últimos anos têm despontado rostos novos, com destaque para Ana Elisa Boscarioli, Rodrigo Raineri, Eduardo Keppke, Manoel Morgado, Irivan Burda, Roman Romancini e Carlos Morey (dentre muitos outros).

A Colômbia conquistou metade dos picos 8000, a maior parte pelas mãos de Fernando Gonzalez-Rubio. Faltando estão: Kangchenjunga, Lhotse, Makalu, Manaslu, Gasherbrum I, Gasherbrum II e Shishapangma. Fernando tem projeto para até 2012 conquistar todos os 14, sendo bem provável que seja o desbravador dessas montanhas faltantes. Mas o país vive uma onda renovadora no montanhismo, fervilhando de atividades, expedições e com muitos alpinistas de nível. Essa onda renovadora é fruto da melhoria da qualidade de vida do país, com queda nos níveis de violência e aumento do nível de renda, gerando um ambiente positivo para projetos esportivos, incluindo o himalaísmo. Houve recentes incursões colombianas ao Dhaulagiri, Gasherbrum I, Gasherbrum II e ao Everest, esta muito bem sucedida, com o cume simultâneo de três mulheres: Ana Maria Giraldo, Katty Guzmán Pérez e Monica Bernal Bonilla.

Além desses, que são as grandes forças da América Latina, há ainda Venezuela (que já conquistou 4 montanhas 8000 – EV, CH, NP e G2), Peru (com 3 – EV, CH e SH), e, cada um com uma montanha (o Everest), Bolívia, Guatemala e Porto Rico.

III – Algumas das Grandes Realizações:

1954 , Argentina , , , , , , 1ª expedição latina a um 8000 – Dhaulagiri
1956 , Argentina , , , , , , Desvirginamento de um 6000 por latinoamericanos – Manapathi
1979 , Chile , , , , , , , , , , 1º 8000 latino-americano – G2 [está sendo questionado]
1985 , México , , , , , , , , , Subida do Nanga Parbat pela Face Rupal
1987 , México , , , , , , , , , 1º 8000 feminino – Shishapangma (Elsa Ávila)
1988 , Equador , , , , , , , , Nova rota no Annapurna Leste – Face Sul
1989 , México , , , , , , , , , 1ª subida do Everest
1989 , México , , , , , , , , , 1ª subida do K2
1992 , Chile , , , , , , , , ,  ,  , Subida do Everest pela Face Leste
1994 , México , , , , , , , , , Speed ascent do Cho Oyu (Carsolio – em 18h)
1994 , México , , , , , , , , , Speed ascent do Lhotse (Carsolio – em 23h)
1994 , México , , , , , , , , , Nova rota no Broad Peak (Esporão Sudoeste)
1995 , Argentina , , , , , , Nova rota no Trango Tower (Book of Shadows)
1995 , México , , , , , , , , , Speed ascent do Gasherbrum I (Carsolio – em 30h)
1996 , México , , , , , , , , , 1º latino a conquistar todos os 14 picos 8000 (Carsolio)
2003 , Brasil , , , , , , , , , , , , Desvirginamento de um 6000 por latinoamericanos – Pharilapcha
2003 , Argentina , , , , , , Nova rota no Nuptse (Crystal Snake)
2004 , Equador , , , , , , , , Desvirginamento de um 6000 por latinoamericanos – Nikarchu Qilla
2006 , México , , , , , , , , , Nova rota no Changabang (Face Oeste)
2007 , Argentina , , , , , , Subida do Shishapangma pela Face Sul
2008 , Equador , , , , , , , , 2º latino a conquistar todos os 14 picos 8000 (Vallejo)

IV – Quantidade de 8000 diferentes por País:

14 , México
14 , Equador
10 , Argentina
08 , Chile
08 , Brasil*
07 , Colômbia
04 , Venezuela
03 , Peru
01 , Bolívia
01 , Guatemala
01 , Porto Rico

* O Brasil tem somente 7 se desprezada a conquista do Nanga Parbat, em 1999, por Michel Vincent.

V – Primeiro 8000 conquistado por cada País:

1979 , Chile
1984 , Colômbia
1985 , México
1987 , Equador
1990 , Argentina
1991 , Brasil
1992 , Peru
1994 , Venezuela
1998 , Bolívia
2001 , Guatemala
2002 , Porto Rico

VI – Ordem cronológica de conquista dos 8000:

1979 , Shishapangma (Chile)
1984 , Broad Peak (Colômbia)
1985 , Nanga Parbat (México)
1987 , Cho Oyu (Chile)
1988 , Makalu (México)
1989 , Everest (México)
1990 , Dhaulagiri (Argentina)
1992 , Kangchenjunga (México)
1992 , Gasherbrum II (México)
1993 , K2 (México)
1994 , Lhotse (México)
1995 , Annapurna (México)
1995 , Gasherbrum I (México)
1996 , Manaslu (México)

Portanto, o México fez as primeiras ascensões latino-americanas a 10 picos 8000, o Chile a 2, e a Colômbia e a Argentina, 1 cada.

Texto: Rodrigo Granzotto Peron
Fotos: Waldemar Niclevicz


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