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A 8 mil metros!

Brasileiros de saída para o Himalaia

A pré temporada de escaladas no Himalaia está começando. Alguns brasileiros já estão se deslocando para a Ásia,onde irão odisséias nas montanhas mais altas do Planeta.

Fonte:

Dois brasileiros, Manoel Morgado e Maximo Kausch, estão entre os milhares de montanhistas que tentarão fazer cume nas maiores montanhas do planeta.

Manoel Morgado e sua esposa, Andrea Cardona, tentarão escalar a maior montanha do mundo, o Everest. O casal vem ao longo dos último dois anos se preparando para o desafio: “Desde que iniciamos nosso plano de escalar o Everest há 2 anos, escalamos 14 montanhas, entre elas as mais altas da Bolívia, do Equador, da Europa, da África, da América do Norte e o Cho Oyu. Além disso fizemos trekkings no Nepal, Bolívia, Peru e Nova Zelândia.”

Desde que Morgado e Cardona fizeram o cume do Cho Oyo, a sexta montanha mais alta do mundo, com 8201 metros, no ano passado, a vida deles ficou totalmente focada no Everest. Longe da civilização a maior parte do tempo, o casal manteve uma rotina de caminhadas e escaladas que os ajudarão a suportar as condições físicas da montanha: “Fiquei em média mais de 250 dias por ano nesses dois anos nas montanhas e dormi muito mais noites em minha barraca do que nas camas de hotéis.” Disse Morgado em sua coluna no AltaMontanha.

Seguindo a mesma rotina de nômade, o montanhista Maximo Kausch irá enfrentar ou o Lhotse, montanha de 8501 metros situada ao lado do Everest, ou o Cho Oyo, montanha que ele já fez cume em 2008.

O motivo da indefinição, é que Max irá trabalhar como líder de expedição, atividade que ele já desempenha há alguns anos no Himalaia e assim, ficará na dependência de seu patrão, o americano Dan Mazzur.

Independente de onde for, Max está contente de poder voltar ao Himalaia e ele planeja outras ascensões na Ásia ainda neste ano.

O ano passado foi um ano redenção para Maximo, pois foi quando ele pediu as contas de seu trabalho, que sempre foi seu “patrocínio” nas expedições. Foi só assim ele só se dedicou ao montanhismo por completo, escalando 10 montanhas de altitude, a maioria técnica, abrindo 2 novas rotas, no Cerro Vallecitos e Tolosa, e 1 uma variante no Cerro Rincón, todas montanhas argentinas com mais de 5 mil metros.

Montanhistas globalizados

Questionado sobre sua nacionalidade, Maximo diz que este é um dos maiores problemas de sua vida, pois para ele ser de um lugar é um paradigma a ser rompido e ter (ou não) documento é uma dor de cabeça.

Maximo nasceu na Argentina, mas veio ao Brasil com oito anos de idade, onde morou em São Paulo, Teresópolis (RJ), Mogi das Cruzes (SP), Volta Redonda (RJ) e Itatiba (SP). Ele foi alfabetizado aqui e deu seus primeiros passos no montanhismo nas Serras da Mantiqueira e do Mar. Anos mais tarde, ele se mudou para a Inglaterra, onde trabalhando mais de 70 horas por semana, conseguiu arrecadar dinheiro para suas primeiras expedições himaláicas.

Dizem que não sou brasileiro apenas porque não tenho um documento brasileiro, mas isso é injusto, vejo tanto brasileiro americanizado e eu que morei a maior parte de minha vida no Brasil e tenho minhas raízes aqui, sou de onde?” Indagou Maximo Kausch, que tem documento argentino e passaporte inglês. “Infelizmente sou melhor tratado na Inglaterra, que esteve recentemente em guerra com a Argentina, do que no Brasil. As pessoas precisam perceber que ou são preconceituosas, ou que são demasiadamente influenciadas pelas opiniões do Galvão Bueno.” Desabafa.

Morgado, que nasceu no Rio Grande do Sul não sofre com a documentação como Maximo, entretanto é igual a ele quando se refere ao nomadismo. Casado com uma guatemalteca, a também montanhista Andrea Cardona, Morgado já esteve em diversos países como Nepal, Butão, Índia, China, Paquistão, Tailândia, Indonésia, Nova Zelândia, Quirguistão, Uzbequistão, Rússia, Turquia, Grécia, Chipre, Austrália, Estados Unidos, Quênia, Tanzânia, Mali, Argentina, Bolívia, Peru, Equador entre outros...

Boa sorte aos nossos montanhistas, que independentes de onde nasceram ou onde foram morar, são brasileiros de cultura, formação e coração!

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