A Barbárie no Montanhismo - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
Histórias obscuras

A Barbárie no Montanhismo

Normalmente os relatos sobre as expedições às grandes montanhas é centrado nas dificuldades da escalada, na superação dessas dificuldades e no triunfo de fazer cume. Mas nem tudo são flores no montanhismo, e há alguns casos engraçados, bizarros ou trágicos que também atraem a atenção. Vou compartilhar com os leitores do Altamontanha alguns desses casos, que eu compilei ao longo dos anos, e que pertencem ao lado sombrio do alpinismo...

Fonte:

Por Rodrigo Granzotto Peron

Argentinos dinamitam o Dhaulagiri

Na expedição de 1954 ao Dhaulagiri os argentinos, sob a liderança de Francisco Paco Ibañez, seguiram a rota dos suíços na face norte até os 7.000 metros. Na expedição suíça (de 1953) não se conseguiu achar uma rota segura para contornar a famigerada “Pera”, uma protuberância rochosa com o formato da fruta que precisa ser superada para se atingir a aresta que leva ao cume.

Mas os argentinos estavam muito mais bem equipados do que os suíços e, com , mentalidade militar (a expedição argentina era formada por vários soldados), deram um jeito de passar a “Pera”, como narrado no American Alpine Journal: “Os argentinos fizeram uso de boa parte das quinze toneladas de equipamentos que haviam trazido. Por volta dos 7000 metros o sargento Godoy, do Exército argentino, explodiu as rochas com dinamite, para conseguir um lugar para colocar as barracas do campo VI. De lá os alpinistas e seus sherpas conseguiram realizar a primeira ascensão completa da “Pera” e montaram o campo VII a 7300 metros, bem abaixo da aresta oeste”.

A expedição porteña alcançou apenas 8.000 metros, e infelizmente o líder morreu de pneumonia e frostbites na descida. Mas esta foi a primeira vez que a famigerada “Pera” foi vencida.

Claro que nos anos 50 as coisas eram bem diferentes e não havia a preocupação com a ecologia que há nos dias de hoje, mas ainda assim explodir pedaços de uma montanha de 8000 metros – que é um santuário natural – pode ser considerada uma catástrofe ecológica. A cena que vem à mente é daquelas explosões de nitroglicerina no filme Limite Vertical. Coitado do Dhaulagiri!

Espancamentos e ameaça de morte

O romeno naturalizado norte-americano Gheorghe Dijmarescu é um dos guias mais experientes no Everest, tendo feito nove cumes na montanha, sempre pelo lado tibetano. Na temporada de 2004 seu lado violento veio à tona.

Segundo narrativas dos clientes da expedição, após bebedeiras e sessões pornô dentro da barraca, ele espancou sua sobrinha, de apenas 15 anos, até fazê-la desmaiar. Sua esposa, Lakpa Sherpani, também foi agredida, e chegou a sangrar. Os clientes que presenciaram a gritaria e o espancamento tentaram intervir, mas Dijmarescu estava totalmente fora de controle. Horrorizados, comentaram a sites de alpinismo algumas das “pérolas” vociferadas pelo guia: “De agora em diante, eu vou caçar essa vagabunda como uma hiena”, teria dito sobre uma cliente que reclamou. A outro, ameaçou: “Eu posso fazer um acidente acontecer com você”. Depois de berrar que iria tocar fogo nas barracas e matar todos, fez nova ameaça: “Não se sabe o que pode acontecer à noite e eu possuo um piolet bem afiado”.

Parece que a turbulência de 2004 passou, e desde então não se tem tido mais notícias ruins relacionadas a ele, mas aquela primavera no Everest foi uma legítima barbárie.

Sherpa escandaliza a comunidade do Nepal

Buscando seus cinco minutos de fama, o sherpa Lhakpa Tharkey (24 anos) teve uma ideia um tanto quanto sem noção. Resolveu ficar pelado no cume do Everest, na temporada de 2006. Após chegar no ponto mais alto, não teve dúvidas, baixou as calças e ficou nu por 2 minutos.

A maior parte dos nepaleses, tendo em vista que o Everest é considerado uma montanha sagrada, ficou furiosa, condenando a atitude de Lhakpa, e exigiram uma punição ao sherpa, por ofensa às crenças religiosas. Em 2008 o Governo do Nepal editou uma resolução proibindo nudez pública no Sagamartha Preservation Area, aplacando a fúria dos descontentes.

Após o episódio, Lhakpa passou a ser mal visto pelos colegas. Em 2007 ainda escalou o Everest, mas pelo lado do Tibete (já que no lado nepalês ninguém queria ele). A partir do ano seguinte, caiu no ostracismo.

Sexo explícito no cume do Everest

Foi divulgado pelo site italiano Montagna que o casal Rumen Obermoser e Kathy Fawdray praticou sexo no cume do Everest, em 29 de setembro de 2009. Segundo noticiado o casal teria transado por poucos instantes, mas o suficiente para que Obermoser tivesse sofrido severas frostbites em seu órgão genital. A notícia nunca foi confirmada, e é quase certo que seja um boato (hoax) na internet, porém essa história revoltou os sherpas, que consideram o Everest um local sagrado.

O lado sombrio dos Sherpas

Um dos atributos mais destacados dos sherpas é sua simpatia, recebendo todos os estrangeiros com sorriso e um cordial “Namastê”. Porém, como em toda regra, há exceções.

Há diversos relatos de sherpas que são preguiçosos, beberrões, arruaceiros, que abandonam as expedições ao deus-dará, ou que tentam extorquir os montanhistas. Há também vários furtos de iPODs, câmeras fotográficas, celulares, óculos e equipamentos que acontecem na calada da noite, enquanto os alpinistas estão escalando as partes mais altas da montanha, e que são atribuídas a sherpas “bad boys”.

Em alguns casos o relacionamento com os nepaleses pode ficar muito conturbado, chegando a níveis extremos, como narrado por Kim In-Tae, líder da expedição sul-coreana de 1989 ao Everest: “Péssimas relações com os sherpas. Um dos membros da expedição teve o nariz quebrado por um dos sherpas no campo-base”

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