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CATÁSTROFE!

Paquistão, o paraíso do montanhismo, pede ajuda

A situação no Paquistão está piorando cada vez mais com as chuvas que não param. Enquanto as autoridades trabalham para reconstruir as pontes que conectam as áreas afetadas, os rios continuam subindo, novos deslizamentos acontecem e as doenças se alastram cada vez mais. De acordo com a ONU, o número de afetados supera 19 milhões e mais de 1700 mortos

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Segundo o nosso colunista Maximo Kausch - que esteve mais de 2 meses escalando no Paquistão e conseguiu sair do país na semana passada - "a situação só piora e a ajuda internacional mal consegue chegar nas áreas afetadas". Segundo Maximo, a falta de estradas torna impossível que a ajuda chegue por terra e isso requer aviões militares e helicópteros, que são escassos no momento considerando a quantidade de pessoas afetadas. O colunista conta que "há corpos humanos flutuando ao lado de animais mortos e troncos de árvores"

As tropas americanas no Afeganistão têm centenas de aeronaves que poderiam ajudar a distribuir comida, água, remédios e combustível nas áreas inundadas, porém apenas 8 aeronaves foram emprestadas das tropas no país vizinho. Os americanos prometeram 18 helicópteros para ajudar nos resgates e entrega de comida.
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O Karakorum, uma das maiores cadeias montanhosas do mundo, contém a maior concentração de montanhas de 5000-6000-7000 e 8000 metros em um lugar só. Para os que já escalaram no Paquistão contam que esta é a verdadeira Meca para o montanhismo e escalada. "O Paquistão sempre nos trouxe tantas notícias, alegria e escaladas esplêndidas, agora é hora de retribuir" comentou Maximo. Na sua conturbada temporada no Karakorum, Maximo contou: "Após 2 meses escalando, começamos a descida e tivemos muitos deslizamentos, tivemos que cruzar rios e havia muitas pontes quebradas, foi um pesadelo. Quando chegamos na primeira cidade tivemos que lidar com um pesadelo ainda maior quando encontramos o país em ruínas"

Nos vales baixos do Karakorum muitas estradas foram bloqueadas por inúmeros deslizamentos. Os rios que nascem nas montanhas ganharam enormes proporções durante a época de monção e estão destruindo pontes e casas nas margens. Esta é considerada a pior monção dos últimos 80 anos no Paquistão.

O papel da ONU

Através de inúmeras instituições de ajuda humanitária, a ONU conseguiu doar quase 700 milhões de dólares. De acordo com especialistas, isso cobre apenas 47% dos custos imediatos.

A maior parte da ajuda veio dos EUA e Europa e até a Índia quer ajudar com a crise. O Paquistão porém se nega a receber ajuda da Índia sem que a ONU seja envolvida. Os dois países são inimigos há muitos anos devido aos conflitos em áreas fronteiriças.

O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, que visitou o Paquistão há poucas semanas disse que o problema que país está enfrentando é um "tsunami em câmera lenta". De acordo com o que Ban conseguiu observar, entre 15 e 20 milhões de pessoas precisam imediatamente de abrigo, comida e principalmente de água limpa. Segundo ele: "Isso é mais do que a população que foi afetada pelo tsunami no Oceano Índico, o terremoto na Kashimira, o cicline Nargis e o terremoto no Haiti, combinados!" Estima-se que 160 mil quilômetros quadrados de terras ainda estão submergidos.

A Karakorum Highway e os estrangeiros

Esta estrada é uma das principais vias de acesso ao norte do país. Estima-se que 22 pontes foram afetadas na estrada e 8 deslizamentos bloquearam diferentes partes da estrada. Ante muitos esforços, as autoridades paquistanesas estão constantemente reparando a estrada, porém estima-se que ainda existam 4 áreas bloqueadas na estrada.

Ao descer das montanhas, alpinistas ficaram ilhados, sem conseguir ir por terra para Islamabad. A estrada foi fechada por mais de 20 dias, o que cortou o suprimento de comida e combustível ao norte.

Maximo Kausch contou que faltava comida em Skardu e os comerciantes triplicaram o preço de tudo o que estava armazenado. O preço da gasolina subiu e em alguns lugares só pode ser encontrado por 2 dólares o litro. O mesmo acontece no vale Hushe.

Apesar de operar 2 vôos por dia de Skardu a Islamabad, a Pakistan International Airlines está tendo dificuldades em pousar suas aeronaves no aeroporto local devido ao mau tempo. Para remover os estrangeiros do país, o exército está usando um avião cargueiro C130 que pode voar em condições adversas de tempo. Segundo muitas operadoras de turismo, as embaixadas paquistanesas cancelaram as visas turísticas temporariamente.

Além das áreas afetadas ao centro e norte do país, as enchentes agora estão afetando o sul do país. Na cidade de Thatta, 175 mil pessoas fugiram para áreas mais altas. Acredita-se que a periferia da cidade estará submersa em alguns dias.

O futuro do Paquistão

Espera-se que os problemas com as inundações comecem a melhorar no começo outubro, mas até lá, muita destruição e mortes acontecerão. Um dos grandes problemas gerados pelas inundações é a contaminação. É raro encontrar água limpa nas áreas afetadas e doenças como febre tifóide, disenteria e giardíase são comuns no Paquistão neste momento. Após o nível , água abaixar, estima-se que centenas de milhares de pessoas, principalmente crianças e idosos, irão morrer por falta de tratamento.

Milhares de animais foram mortos e milhões de hectares de colheitas foram arruinadas. Após a enchente, o Paquistão irá mergulhar de cabeça numa grave crise econômica. Lembrando que o Paquistão já não era um país rico, a ONU estimou que a reconstrução econômica do país irá demorar 10 anos.

Há relatos de que as forças do Taliban estão se aproveitando da crise e tomando mais terras na região de Gilgit e Swat. O porta-voz do Taliban, Azam Tariq, alegou que a presença de organizações estrangeiras no país é inaceitável e diz que o Taliban pretende atacar os estrangeiros voluntários no futuro. Mesmo ante as ameaças do Taliban, a ONU pretende continuar com a distribuição de ajuda às áreas afetadas.

Como ajudar?

Veja abaixo alguns links que facilitam a ajuda financeira às vítimas da catástrofe no Paquistão.

 ,Veja mais fotos da tragédia:


Residentes parados ao lado de um rio que cortou a área de Muzaffarabad no dia 30 de Julho - foto: Sajjad Qayyum / AFP


Um home tenta atravessar uma ponte improvisada para escapar de sua casa em Nowshera no dia 31 de Julho - foto: Adrees Latif / Reuters


Voluntários na procura de vítimas após um ônibus de passageiros cair dentro do rio Jhelum, na Kashirmira paquistanesa. 22 pessoas morreram - foto: Nasiruddin Mughal / EPA


Homens do exército paquistanês carregam vítima até um helicóptero em Sanawa, distrito de Punjab , - foto: Reuters


Homens da força aérea paquistanesa resgatando famílias ilhadas pelas enchentes em Sanawan - foto: Khalid Tanveer / AP


Enchentes severas no noroeste do Paquistão - foto: Merlin NGO/Reuters


Habitantes de Bannu parados nos restos de uma ponte levada pela enchente - foto: Reuters


Moradores de zona alagada do distrito de Punjab esperam ajuda de um helicóptero


Uma refugiada afegã remove entulho da sua casa destruída pelas enchentes em Nowsher - foto: Reuters


Homens esquivando um caminhão do exército carregando suprimentos em área alagada em Muzaffargarh distrito de Punjab - foto: Adrees Latif / Reuters


Comparação de umagens satelitais de 2007 e 2010 mostrando Nowshera - foto: DigitalGlobe satellite / Reuters


Uma vítima das enchentes segurando sua irmã chora depois de ter perdido o arroz que ela ganhou de doações. A comida foi destruída por veículos em movimento numa estrada em Muzaffargarh distrito de Punjab - foto: Adrees Latif / Reuters


Homem caminha sobre trilhos suspensos sobre a água na região de Pershawar - foto: Reuters


Paquistaneses sem casa tentando alcançar sacos de comida jogados desde um caminhão de ajuda humanitária numa estrada em Sukkar, sul do Paquistão - foto: Kevin Frayer / AP


Soldados da marinha tentando distribuir comida em uma pequena porção de terra ilhada em Pannu Aqil, privícia de Sindh - foto: Nadeem Khawer / EPA


Um sobrevivente se segura de um hovercraft da marinha na esperança de ganhar comida distribuída por soldados perto da vila de Sangi, perto de Sukkur, sul do Paquistão , - foto: Shakil Adil / AP


Allah Detta, com 26 anos, um dos afetados pelas enchentes sofrendo de febre alta e espasmos no dia 25 de Agosto de 2010. O homem recebe ajuda médica num acampamento médico improvisado em Muzaffargarh - foto: Reuters


Soldados paquistaneses e americanos sentados na rampa de um helicóptero cargueiro CH-47. Eles observam a área alagada no vale Swat no dia 10 de Agosto - foto: Behrouz Mehri / AFP

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