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Escalada na África

Roberta Wendorf descobre boulders em Angola

Robertinha Wendorf ficou conhecida no Brasil quando, no ano passado, deixou de ser platéia para entrar numa competição de boulder e vencer. É uma escaladora que tem história, nascida na Bahia, já morou em Goiás, foi frequentadora de Cocal, passou por São Paulo e agora está morando na África. Em Angola, ela não se conformou com o desconhecimento do esporte e saiu atrás de blocos. O resultado está aí, um dos primeiros points de boulder do país. Confira:

Fonte: REUTERS

Por Roberta Wendorf

Sou Baiana e escaladora desde 2004. Trabalho como Analista de Testes. Procuro sempre conciliar trabalho e esporte.

Por meu trabalho fui designada a uma viagem para Angola. Conheci muitas praias e algumas cidades. Confirmando os clichês sobre África, aqui é realmente próximo do que se imagina.

Há muita pobreza, falta educação, infra-estrutura, o custo de vida é altíssimo e há corrupção de todas as partes. Para espanto de quem não sabe atualmente Luanda (capital de Angola) é a cidade mais cara do mundo (Fonte: REUTERS). Um dos principais motivos deste tipo de realidade é que praticamente tudo que se consome no país é importado da Europa (grande parte de Portugal, Alemanha e Bélgica). Conseqüência da guerra civil, quando os rios do país foram contaminados com único intuito de exterminar a população.

A economia do país gira em torno de petróleo e exploração de diamantes. Após o fim da guerra civil pela independência de Angola em 2003, a cidade renasceu e hoje cresce em ritmo acelerado abrindo as portas para o mercado mundial.

Durante mais de um mês pesquisando e perguntando às pessoas locais sobre blocos de rocha para a escalada (esporte desconhecido aqui), descobri a praia dos surfistas em Cabo Ledo. A praia, que fica a 160 km ao sul na província de Bengo, não tem muitas sinalizações inclusive nas rodovias. Por este motivo o acesso ao local é, após Cabo Ledo, virar a direita na estrada de terra sentido pedreira.

Fortemente aconselhável ir de jipe.

Considerada uma das melhores por ser limpa, deserta, com ondas e claro, um lindo bloco de rocha vulcânica situado na ponta esquerda (*Foto 01).

O bloco, batizado de Ginguba (amendoim), possui duas faces com grande potencial para a prática de boulder. O horário ideal para escalar é no final do dia quando o mar está mais calmo. A face voltada para o mar é um pequeno teto somente acessível quando a maré está baixa.

A face esquerda é um negativo “soft” onde abri três linhas variando entre V0 e V3 (Tabacuda - V3, Gaija Loira - V3/V4 e Tá fixe - V0). A face de trás é uma travessia de aquecimento.

Mais para a esquerda tem um bloco (*Foto 02 ainda não batizado) com grande potencial também. Escaladores como eu que estão em Angola a trabalho, vale à pena ir a Cabo Ledo pelo visual. Em sua maioria os freqüentadores são surfistas portugueses, espanhóis e brasileiros. É a praia para prática de surf mais próxima a Luanda, onde muitos surfistas acampam.

O clima é tropical, caracterizado por duas estações chuvas (outubro a abril) e seca (maio a agosto). Normalmente as chuvas são de verão. No momento estamos no “inverno”, com ar-condicionado a todo vapor.

Em meio ao trânsito caótico, fome, preços surreais e tantas outras dificuldades em Angola, há também muitas riquezas naturais, fauna, flora.

O que mais me marcou neste país foi a esperança e o sorriso nos rostos dos angolanos. This time for África!  ,

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