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Luciano Fernandes entrevista

Entrevista com Peter Mortimer

Hoje no mundo, os melhores filmes de escalada são produzidos pela “Sender Films“, empresa produtora de verdadeiros clássicos como “First Ascent” (2006), “Return 2 Sender“(2005), “Sharp End“(2007), “King Lines“(2008) e a série, em parceria com o “National Geografic Channel“ “Fist Ascent - The Series“(2010).

Fonte:

Por Luciano Fernandes

A série First Ascent foi comprada para se transmitir por meio do canal aberto americano “Travel Channel”, e transmitido para todo país. Foi a primeira vez na história da escalada que houve uma transmissão de um filme de escalada em canal aberto. Em sua primeira exibição foram exibidos nada menos do que um programa com duração de duas horas.

Agregado a isso, os filmes contidos no Box de DVD (são seis filmes ao todo) têm arrebatado vários prêmios e menções honrosas por público e crítica em festivais de filmes de montanha.

O fundador da Sender Films, Peter Mortimer, hoje poderia ser considerado, guardada as devidas proporções, claro, o Francis Ford Copolla dos filmes de escalada.

O Blog de Escalada procurou a produtora para fazer uma entrevista com Peter. O produtor gentilmente respondeu, e pacientemente em todas as perguntas não poupou palavras ou dados em suas respostas. Esta é a primeira entrevista que Peter Mortimer concedeu à um site brasileiro.

Mortimer na entrevista fala sobre o início como produtor de filmes de escalada, qual estilo de escaladas mais gosta e sua vontade de voltar a filmar no Brasil.

Para saber mais sobre a Sender Films, acesse : http://senderfilms.com/

Sigam a entrevista abaixo :

1 – Quanto tempo você dedica para escalar? Qual o seu estilo de escalada favorito?


Hoje eu escalo em casa, apenas duas vezes na semana por poucas horas de treino.

Estou escalando tão pouco em parte por causa da minha filha recém nascida, Pia, que tem oito semanas.

Eu gosto de vias tradicionais em móvel, mas também gosto de fazer boulder para ter mais aproveitamento em curto espaço de tempo.

Eu usualmente escalo no outono perto de um local de boulder chamado “The Ghetto”. É negativo e bem forte e está localizado a 25 minutos de caminhada de minha casa.

2 - Como você começou a produzir filmes de escalada? O que as pessoas (seus pais, seus amigos...) falaram para você?

Quando eu comecei tinha 22 anos, durante a faculdade e morando em Nova York trabalhando na escola de filmes.

Eu queria fazer um filme, e meu amigo Josh Lowell (fundador da BigUp Productions) fizemos um filme de boulder sobre Nova York. Falei com ele e pensei que seria bem interessante fazer um filme de escalada.

Eu queria fazer algo totalmente diferente – não mostrar escaladas difíceis demais, mas sim contar uma história legal sobre escalada em Boulder (cidade do estado do Colorado nos EUA) onde eu cresci.

Eu queria entrevistar todos os escaladores e olhar um pouco para as suas vidas. Isto se tornou no “Scary Faces”, nosso primeiro filme.

Eu acho que meus pais pensaram que eu era um pouco maluco de fazer filmes de escalada, mas como eu tinha apenas 23 anos não houve muita pressão para saber o que eu estava fazendo.

Era apenas uma coisa divertida de se fazer, para servir de experimento na época. Para os primeiros filmes foi apenas diversão e eu ganhei um pouco de dinheiro, o que foi legal.

Na maioria do tempo eu queria viajar o mundo, escalar, passear com os amigos e fazer alguma coisa criativa e desafiadora. Foi apenas isso na época

3 – Hoje a “Sender Films” é referência de padrão quando se pensa em filmes de escalada. Quanto difícil foi isso?

Bem, antes de mais nada, agradeço por você dizer isso. É muito legal!

Foi muito, muito difícil.

A maior mudança para a “Sender Films” foi quando meu amigo Nick Rosen se juntou à compania, e a partir de então, éramos dois trabalhando juntos e construindo cada um na idéia do outro.

Eu não poderia fazer um filme sozinho agora, pois necessitamos de muitas pessoas envolvidas. Então a outra coisa é trabalhar com a BigUp e Josh Lowell, nós sempre nos ajudamos nos projetos e fizemos “King Lines” juntos, e sempre pensamos como fazer melhor, diferente, novo, engraçado e maluco.

Ao longo dos últimos cinco anos criou-se esta grande energia para filmes de escalada e tentarmos elevar o nível dos filmes e que nós sempre alimentados com mais energia.

Espero que continue a crescer.

4 - No início quando estava procurando por patrocinadores para um filme de escalada, como reagiram?

De início foi muito pouco, talvez dois mil dólares aqui ou ali de uma ou outra empresa para nos ajudar.

Então com cada projeto foi tornando-se cada vez maior, e maior. Agora com o “Reel Rock Tour” empresas estão mais contentes em patrocinar-nos porque eles amam os eventos, ainda mais tendo seus atletas nos filmes e logotipos nos DVDs.

Mas foi nunca foi um grande salto desde o início para agora, sempre foi pouco a pouco. Mas todas as vezes que conseguimos patrocínio colocamos o dinheiro na produção.

Nunca pagamos nós mesmos. Nós sempre queremos gastar mais nos filmes para faze-los melhor. Então investimos 100%(às vezes mais) no filme e então nós concluímos : “OK, se este filme é bom e as pessoas vão gostar, comprar e dizer aos amigos para comprar também, então nós ganharemos dinheiro para nos bancar. Mas se for ruim, não iremos ganhar dinheiro, e as pessoas não irão gostar.”

Então é bom porque é nosso pescoço que estão em risco e temos de fazer o filme com qualidade.

5 - A parceria com a “National Geografic Channel” criou seis episódios. Haverá uma segunda temporada de “First Ascent – The series”?

Eu acho que não.

Nós amamos a série, e está fazendo muito sucesso, mas foi muito estressante para nós faze-la. Perdemos três grandes amigos na China durante a época de produção, e tivemos muito estresse em cada um dos episódios.

Eu acredito que filmar “First Ascents”(primeira ascenção de uma via) é muito difícil para uma série de TV porque há muitos fatores desconhecidos e inesperados, e mesmo assim tem de entregar no tempo agendado.

Mas seguramente faremos mais séries de TV, eu acho que não apenas sobre “First Ascents”.

6 - O foco de todos s filmes da “Sender Films” é sobre escaladores. Isto tem feito a diferença?

No momento temos muitos projetos de escalada que nós fazemos todos os nossos filmes sobre escalada.

Isto é ótimo porque nós temos de viajar para os melhores lugares e trabalhar como nossos amigos e a comunidade internacional da escalada.

Nós queremos fazer outros filmes também, mas nós estamos construindo o Reel Rock Tour e agora temos um documentário sobre Yosemite, então temos muito trabalho pela frente.

Mas seguramente, no futuro, nos faremos alguma coisa além de escalada. Mas por agora, este ano, nós temos alguns graaaaaaaaandes projetos chegando.

7 - Como foi ver “First Ascent – the series” ser transmitido no “Travel Channel”

Foi ótimo!.

Eu estava no aeroporto no dia seguinte da transmissão e escutava pessoas falando sobre a sperie – pessoas que nunca tinham escalado antes, e vivem em lugares planos como Oklahoma (estado americano).

Me fez sentir o máximo.

Foi um pouco engraçado durante os intervalos ter propagandas de grandes, e chatas, como Restaurante Olive Gardens durante a transmissão. 3

Mas no geral, foi uma sensação incrível.

8 - Quando você começou a produzir filmes , todos eram vendidos em DVD. Hoje são vendidos também em forma de Downloads. O futuro é este?

Sim, eu penso que mais e mais iremos para o download.

Eu gosto disso, mas há um porém.

Como a caixa do “First Ascent – the series”, nosso designer gráfico Barry Thompson fez um trabalho incrível para ajudar a criar o espírito da serie mesmo antes de você assistir.

Eu acho que isso é algo que queira ter posto em sua mesa de centro. Então eu quero que as pessoas vejam o pacote interiro (Caixa + DVD).

Mas eu penso que é legal para as pessoas que tenham a opção de baixar da internet de qualquer lugar no mundo, e o mínimo impacto ambiental de não fazer o DVD e não enviá-lo também é positivo.

Porque, como eu digo, a única maneira de fazer dinheiro é vendendo o produto finalizado, então se as pessoas terem de graça, não temos jeito de fazer um próximo trabalho.

9 - Você é um dos criadores do Reel Rock Tour. Hoje o evento é grande, com exibições na Europa e América do Sul (e talvez no Brasil em 2011), o que isso representa para você?

Me faz muito feliz.

Nós tínhamos a visão do Reel Rock cinco anos atrás, e pensamos que em cinco anos poderia ser grande, como 200 shows ao redor do mundo.

E este ano é exatamente isso.

Cresceu a cada ano, e eu adoro os eventos, porque a cada ano para a comunidade escaladora é uma oportunidade de se encontrar e celebrar a escalada.

Josh e eu começamos o tour juntos, e investiremos muita energia para os próximos cinco anos para continuar fazendo o evento melhor e melhor a cada ano.

10 - Em um capítulo de “First Ascent – the series” foi feito no Brasil (na cidade do Rio de Janeiro), e também outro vídeo nos extras. Existem planos de voltar ao Brasil para fazer mais filmes?

Sim!!

Nós sempre estamos procurando por motivos para voltar ao Brasil.

Quando a equipe filmava no Rio de Janeiro, tive de ir diretamente para a Patagônia, então não tive como ir.

Mas todos que estiveram amaram. Cedar (Wright) ainda ficou por meses.

Nós estamos sempre pesquisando sobre futuras locações para futuros filmes e encontrando a história certa para as pessoas certas.

O Brasil é um lugar que sempre surge porque todos querem voltar. Então se alguém tiver alguma boa Idea nos adoraríamos escutar.

11 - Depois de tantos anos, provavelmente você tem uma lista enorme de agradecimentos. Quem seriam estas pessoas?

Bem, com certeza meus pais, que sempre me apoiaram e me disseram tudo o que é possível apenas fazendo o que eu amo.

Minha parceira Jocelynm, que me apóia e me ama, aceitando que eu sou obcecado por trabalho todo o tempo.

Nick, Josh, Barry e todas as pessoas que trabalhei todo este tempo, que me ajuda a fazer os filmes e tours fantástico.

Aos músicos que contribuem com sua veia artística para os filmes com praticamente nenhum dinheiro.

Aos patrocinadores que nos apóia e nos deixa saber o que querem.

E por último, aos escaladores que fazem a coisa mais fantástica do mundo e nos deixa filma-los e ajudar a contar suas histórias ao mundo.

Bem atualmente o maior agradecimento de todos será para a comunidade escaladora que é apaixonada pelo esporte e tão apoiadora de pessoas que trabalha para a comunidade

12 - Para aqueles que estão interessados emu ma carreira de produtores de filmes de escalada, qual o seu conselho?

Bem, o meu conselho é foco na história primeiro, visual depois.

Mas muitas pessoas não seguem esta linha.

Esteja preparado para o inesperado, isto acontece quando você consegue a melhor cena. Às vezes é um trabalho bem duro, as às vezes quando tudo engrena parece fácil. Mas estes momentos são raros, e você tem de tentar, tenrar e tentar para tê-los

13 - Sem citar seus filmes, quais são seus filmes de escalada favoritos?

Bem, eu gosto de filmes como “Touching the Void”.

Acho “Progression” um excelente filme.

“Hard Grit” e E11 são clássicos.

Há muitos filmes novos de escalada que eu ainda quero assistir.


Matéria original: http://blogdescalada.blogspot.com/2010/11/exclusivo-entrevista-peter-mortimer.html

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