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Jorge Kaiser na Ruta 40

Jorge Kaiser retorna da bike trip nos Andes

O projeto de Kaiser é percorrer toda a Ruta 40, lendária estrada que serpenteia os Andes da Argentina, de bicicleta. Ele acabou de finalizar a primeira etapa.

Fonte:

Foram 23 dias de pedal mais escaladas e cerca de 1200 quilômetros percorridos com a magrela para o ciclista/montanhista Jorge Kaiser finalizar a primeira etapa de seu projeto que visa percorrer toda a Ruta 40, lendária estrada que percorre a Argentina de Norte a Sul em toda a extensão da grande cordilheira.

A Ruta 40 é uma daquelas obras de governos visionários que ligam o nada à lugar nenhum. Mesmo cruzando a Argentina do extremo norte ao Sul, ela corta as regiões menos habitadas do continente e exatamente por isso, dá acesso à algumas das mais belas paisagens dos Andes.

A rodovia, que começou a ser construída em 1935, percorre 5.224 km: começando ao nível do mar, atravessa 20 parques nacionais, 18 importantes rios, conecta 27 passos de montanha na cordilheira e sobe a 5.000 metros de altitude na Abra del Acay em Salta. Ela cruza 11 províncias: Santa Cruz, Chubut, Rio Negro, Neuquén, Mendoza, San Juan, La Rioja, Catamarca, Tucumán, Salta e Jujuy e o mais importante, ao longo de seu percurso passa por centenas de milhares de montanhas dos Andes.

Na atual etapa, Jorge pedalou desde Mendoza até a cidade de Junin de Los Andes, na Província de Neuquen, Norte da Patagônia. Vamos saber mais sobre como foi a expedição de Jorge Kaiser:

AltaMontanha: Jorge, quanto tempo você ficou na estrada? Quantos quilômetros pedalou, de onde até onde?

Jorge Kaiser: Em relação ao tempo, foram 23 dias, contando o deslocamento do Brasil para a Argentina, a travessia de bike e as escaladas.
 
Pedalei de Mendoza (capital) até a cidade de Junin de los Andes já na Patagônia. Percorri cerca de 1200km pela mítica Ruta 40.

AM:  Neste meio de tempo você acampou, ou ficou também em pousadas? Qual foi a maior perrengue na estrada?

JK: Sim, acampei praticamente todos os dias, com exceção de uma noite em Mendoza e uma noite em Junin de los Andes. Durante a travessia de bike fiquei em alguns campings nas cidades por onde passei, mas a maioria dos acampamentos foram as margens da Ruta 40 mesmo. Isso se deve principalmente pelas longas distâncias entre os povoados. Nas montanhas tive a sorte de ter lugar nos refúgios e aí tive um pouco mais de “conforto".
 
Na verdade passei por várias dificuldades, mas poderia citar quatro como as principais:
Durante o sexto dia de pedal enfrentei tempestades de areia próximo ao povoado de Bardas Blancas, o vento também estava em alguns dias com velocidades incríveis, fazendo com que a bicicleta não atingisse mais que 8km/h. Em alguns locais a falta de água era preocupante, no nono dia de pedal eu teria que percorrer 100km até chegar a um rio, onde acamparia, me abasteceria de água para o dia seguinte para percorrer mais 100km, porém depois de um dia com temperaturas superiores a 40 graus cheguei ao rio e fui apanhar água, só que a água era salgada, incrível a água parecia ser do mar. Depois pesquisando um pouco a região descobri que o rio vinha da cordilheira Salada, onde existe um pequeno salar. Neste dia não me restava mais nada a não ser seguir, e foi o que fiz e depois de mais uns 25km avistei uma pequena casa no alto de uma colina, fui até lá e consegui um pouco de água com um senhor que morava ali no meio do nada, foi o que me salvou!!!

Outro dia difícil foi quando estava no vulcão Lanin, na noite em que sairia em direção ao cume formou-se uma grande tempestade na montanha, com rajadas de ventos violentíssimas, muito frio, neve e sensação térmica muito baixa. Sorte que estava abrigado em um dos refúgios existentes na montanha. No dia seguinte só consegui descer a montanha depois do meio dia, ainda assim com muito vento e neve.

AM:  Quais montanhas você escalou. Onde deixou a bike quando estava subindo?

Escalei primeiro o Cerro Penitentes 4351m, próximo ao Aconcagua. Foram dois dias para chegar ao cume, sendo que o 1º dia realizei a aproximação até o campo base a 3300m, onde pernoitei em um refúgio de pedra de aproximadamente 2mx2m. No dia seguinte realizei a escalada em direção ao cume, encontrei bastante neve na parte superior da montanha o que acabou tardando um pouco a chegada ao cume, mas depois de 6h desde a saída do CB cheguei a topo desta linda montanha no coração da Cordilheira dos Andes.
 
A segunda montanha foi o Cerro de la Virgen 1131m, próxima a Cordilheira del Viento já na Patagônia. Saí do camping em Chos Malal e realizei um trekking de aproximação ao cerro, pois a montanha esta bem próxima a cidade, depois de algumas horas estava no cume deste cerro que tem uma linda visão panorâmica de toda a região. A escalada desta montanha não apresenta grandes dificuldades, mas a inclinação da trilha que leva ao cume é bem alta, principalmente próximo ao cume e o vento lá em cima é assustador.
 
Terceira foi o Vulcão Lanín 3776m, localizado a 65km de Junin de los Andes, esta montanha não cheguei ao cume devido a uma tempestade que se formou no dia de cume.(relato completo).
 
Quando estava subindo as montanhas deixei a bicicleta em um hostel em Mendoza, no camping municipal de Chos Malal e em um hostel em Junin.

AM:  Qual será a próxima etapa, quando?

JK: A data próxima expedição ainda não esta definida, mas ainda me faltam a parte sul e a parte norte da Ruta 40, já que acabei de realizar a travessia de toda a região central desta rodovia. A idéia inicial é de concluir o projeto de realizar toda a travessia da Ruta 40 até o final de 2012, mas isso vai depender principalmente dos patrocínios e apoios que terei para as próximas jornadas.
 
:: Veja site de Jorge Kaiser

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