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Meio Ambiente

Macaco Prego invade florestas de pinus

Pequeno primata, nativo das matas brasileiras, está mudando seu hábito alimentar se alimentando da seiva do pinus.

Fonte: Gazeta do Povo

O pinus, pinheiro nativo da América Central, está na lista das espécies exóticas que mais provocam danos aos ecossistemas nativos do Brasil. Esta árvore tem um crescimento rápido e se desenvolve em vários tipos de clima em qualquer tipo de solo, até mesmo sobre afloramentos rochosos.

Por conta desta característica, reflorestamento de pinus voltado para a produção de celulose têm se tornado uma opção de renda em ambientes onde a pecuária e agricultura são pouco produtivas, como regiões montanhosas. Reflorestamentos de pinus se tornaram uma grande ameaça aos ecossistemas de montanhas no Brasil, com a disseminação de árvores invasoras em campos de altitude que fazem sombra nas gramíneas nativas e leva à um colapso populacional destas plantas e também realiza um desarranjo estético e ecológico nestes ambientes.

Entre os meses de maio e novembro, falta alimento na floresta nativa e os Macacos Prego saem em busca de comida. Para não correr o risco de ser caçado por uma jaguatirica, o primata evita atravessar a floresta pelo chão. Eles pulam de galho em galho até alcançar o terço superior dos pinus.

A casca do pinus é arrancada com os dentes pelo macaco-prego. Seu objetivo é degustar a seiva, que circula pelo caule para levar alimento à planta. “A retirada da casca pode ser parcial, onde ele retira apenas uma lasca, comumente chamada de janela, ou total, quando o descascamento se dá ao longo de toda a circunferência do caule, causando um anelamento”, acrescenta Dieter Liebsch. O biólogo, supervisor de Gestão Sócio-Ambiental da Remasa em Bituruna-PR,  explica que o anelamento é o mais prejudicial ao pinus, pois mata a copa da árvore ou fragiliza a planta, que se torna porta de entrada para pragas florestais, como a vespa da madeira.

Árvores com mais de 4 anos são as preferidas dos primatas. Como o corte florestal pode ocorrer entre 6 e 14 anos, conforme o uso da matéria-prima, o ataque compromete a qualidade e o desenvolvimento da planta. Os danos podem ser vistos claramente em florestas já formadas. Árvores secas entre e fileiras irregulares denunciam as perdas de produvidade causadas pela invasão do primata.

A série de motivos que leva o macaco-prego a invadir as florestas de pinus ainda está sendo decifrada pelos pesquisadores, bem como os prejuízos causados pelos bandos. O trabalho tem sido mais difícil do que se imaginava.

“Já fizemos uma pré-análise na empresa e notamos que as árvores, em sua grande maioria, não chegam a morrer, mas perdem a capacidade de produzir mais. Esse estresse gerado na planta é propício para o ataque da vespa da madeira”, aponta o presidente do Conselho Deliberativo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), Gilson Geronasso.

Dieter Liebsch lembra que o preocupante é que os hábitos desenvolvidos pelos primatas são repassados de geração em geração. Os macacos-pregos são considerados os mais inteligentes entre os primatas. Eles até utilizam pedras como ferramentas. Para o biólogo, o novo comportamento se explica mais pela inteligência do animal, que busca as áreas com alimentação farta, do que com o desmatamento das florestas originais. Os bandos podem ter descoberto que é mais fácil encontrar alimentação nas florestas de pinus do que nas matas nativas.

 

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