Nobukazu Kuriki e sua tentativa limpa alpina no Everest - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
Crista Oeste, rota de alto nível de comprometimento, em solitário em estilo alpino, sem O² e sem cordas fixas!

Nobukazu Kuriki e sua tentativa limpa alpina no Everest

Ainda há espaço para os valores clássicos de montanhismo no Himalaia. Ainda há alguém capaz de lidar com o risco e compromisso na montanha mais alta da Terra. Longe de oxigênio artificial, o que reduz em mais de dois mil metros a altura real das montanhas, o oposto das cordas fixas habituais que prendem entre 50 e 100 escaladores como salsichas ao sol, longe das rotas normais sem querer encontrar nenhum dos oitomilistas normais de se ver, Nobukazu Kuriki levou sua aventura ao passado.

Fonte: elmundo.es

Resgatando o espírito heróico estrelado por pessoas como Bonatti, Messner ou Mallory mesmo, esse japonês agora viaja sozinho, sem sherpas, sem cordas fixas, sem O² e no estilo mais rigoroso e exigente alpino, uma das rotas mais comprometidas para o Everest: a combinação da crista oeste do Everest e o corredor Horbein. Na hora que divulgou sua tentativa, Nobukazu se encontrava no acampamento 3 a 7.200 metros de altitude.

 
Nobikazu tem uma história que destaca suas ascensões individuais sem oxigênio artificial Cho Oyu (8.201 metros, a sexta montanha mais alta da Terra), Dhaulagiri (8.167 metros, a sétima), Manaslu (8.163 metros, oitava mais alta), de onde desceu esquiando, e seis da cobiçada lista dos Sete cumes (Seven summits). Em setembro de 2009, tentou da mesma maneira o corredor norte do Everest, retornando a 7.950 metros.
 
Rota impressionante escalada pela primeira vez em 1963 pelos norte-americanos Tom Hornbein e Wolly Unseld, esse corredor que atravessa a base para o topo da face norte do Everest, com três mil metros verticais, é uma das melhores rotas da montanha. Duas décadas depois, em 1986, consagrou-se um dos capítulos mais gloriosos do Himalaismo. Foi quando os suíços Erhard Loretan e Jean Troillet fizeram a rota em estilo alpino, sem cordas fixas ou oxigênio. Esta rota, escalada até o cume e desescalada até a base da parede custou 40 horas non-stop de escalada. Nunca se viu algo assim até então.
 
O pequeno número de repetições, só cinco, e o número de tentativas sem sucesso esclarecem o quão comprometida é a rota na qual nove pessoas já morreram, elevando a periculosidade, registrada entre os escaladores que conseguem e os que morrem na tentativa, em 180% (a relação entre o conjunto de todas as outras rotas do Everest é somente de 4%).
 
É por essas razões que muitos especialistas consideram o desafio de Kuriki como um dos mais complicados que podem ser feitos neste momento no Himalaia. Apenas Reinhold Messner realizou uma aventura deste calibre, quando em 1980 escalou em solo e sem oxigênio a face norte do Everest, o único que fez isso na história. Embora a rota seguida pelo Messner é de muito menor compromisso do que a em que se aventurava o japones.
 
Entre as tentativas dos últimos anos da rota, se destacam os de Gerlinde Karlterbrunner, primeira mulher a completar os 14 8000m+ sem oxigênio, em 2010, e os espanhóis Latorre, Iñurrategi e Vallejo em 2010 e Alberto Zerain e Juan Carlos Arrieta em 2012.
 
Atualização (fonte: alanarnette.com)
 
Infelizmente o summit push do japonês não deu muito certo, por motivo de más condições climáticas Nobukazu abandonou sua tentativa de finalizar a rota e abortou o ataque após passar a linha dos 8000 metros de altitude. Foi resgatado de helicóptero do campo 2 com congelamentos graves, até Katmandu.
 
Recados no Twitter do escalador solitário:
 
19OUT2012
 
"Estava na crista oeste do Everest Oeste me movendo em direção ao cume, mas, infelizmente, decidi descer. Ventos fortes que senti meu corpo flutuando várias vezes, um vento muito forte, escalando a mais de 8000 m estava determinado a prosseguir, mas não foi possível pois a escalada torna-se difícil e poderia sair rolando ou deslizando, com previsão de tempestade, muito perigoso."
 
21OUT2012
(escritório dando notícias)
 
"Ontem descemos para o acampamento 2 (6.400 m), ele estava com dedos das mãos e dos pés e nariz congelados, sérios congelamentos, logo voltará para casa, as necessidades de tratamento são urgentes, seguimos para Kathmandu por helicóptero do campo 2 esta manhã e ele foi internado no hospital."
 
Uma tentativa heróica com um final não muito bom, mas, acredita-se que se não fosse más condições do tempo, ele teria completado a rota.
 
Nobukazu encontra-se internado para tratar dos congelamentos, ainda não se sabe se sofrerá amputações.
 
 
 
 

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