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O deserto mais árido do mundo, no norte do Chile, mistura arqueologia com atividades radicais

Aventura e História no Deserto do Atacama

Trekking, bicicleta, montanhismo, arqueologia ou simplesmente a apreciação da fauna e flora. Ninguém pensa que isso tudo poderia ser feito em um deserto, mas a opinião muda quando vemos o Deserto de Atacama, no norte do Chile. O local é o campeão de visitas do país vizinho. Com mais de 200 km de extensão, tem a fama de ser o deserto mais árido do mundo. Certa vez, não houve chuva no local por cerca de 400 anos.

Fonte: Por André Carbone

 

A falta de chuva pode ser explicada pelo fato de as correntes marítimas do Pacífico não conseguirem chegar até o deserto por sua altitude, cerca de 2.400 metros. Assim, as nuvens úmidas descarregam-se antes de chegar ao local. A principal cidade e mais visitada da região é San Pedro de Atacama, que, com pouco mais de 3 mil habitantes, é considerada um oásis dentro do deserto. Lá, todas as construções são feitas de adobe, um tipo de tijolo de barro seco, que mantém a temperatura interna agradável.
 
Em todo local do norte chileno, é sempre indicado o turista levar uma garrafa de água. Não faça exercícios físicos até que esteja totalmente adaptado a altitude. No verão (de dezembro a fevereiro, como o brasileiro) a temperatura média durante o dia é de 30°C e durante a noite, 16°C. Durante o inverno (de junho a agosto) a temperatura é em média de 22°C durante o dia e 4°C durante a noite. Se a sua estada em Atacama for de setembro a novembro, cuidado, pois os ventos podem chegar a 100 km por hora.
 
Arqueologia
 
San Pedro de Atacama é considerada a capital arqueológica do Chile. É lá que estão localizados os dois maiores museus arqueológicos do país. O Museu Padre Le Paige, fundado pelo padre belga Gustave Le Paige em 1955, possui uma coleção de mais de 300 mil peças de cerâmica, instrumentos de caça, tecido (túnicas de tecido fino usados pelo povo antigo), múmias e outros materiais arqueológicos descobertos na área, que podem contar a história e cultura dos atacamenhos.
 
O outro é o Museu de San Miguel de Azapa, a 12 km da cidade de Arica, que diz ter as múmias mais antigas já encontradas no mundo, datadas de 18.000 a.C. Ainda há mais de 20 mil artigos de grande valor histórico, como objetos de barro, cestos, anzóis de osso, tecidos e instrumentos. Acredita-se que o clima árido da região tenha ajudado a conservação dos artigos, especialmente das múmias. Muitos dos objetos foram utilizados pelos chinchorros, povo que ocupava a região por volta do ano 5000 a.C. (leia mais no quadro sobre a história de ocupação da área).
 
Cordilheiras e vulcões
 
A Cordilheira do Sal é um dos pontos mais visitados pelos turistas. Dela é possível ter a noção exata de grande parte do deserto, especialmente de San Pedro de Atacama, e os vulcões da região. Seu nome é devido ao seu aspecto, pois por sua composição mineral tem muito gesso, parece estar coberto de sal.
 
Percorrendo a cordilheira encontra-se o Vale da Morte, denominado assim por ter sido um dos locais onde mais teve nativos executados durante a dominação espanhola, e o Vale da Lua, que leva este nome por parecer com a superfície lunar. É lugar do Atacama com maior variedade de fauna. Há ali até iguanas de origem africana, trazidas pelos escravos de lá na época da colonização. No pôr do sol, a cordilheira tem uma visão diferente, com vários tons de vermelho.
 
Outro lugar interessante de se visitar é o Salar de Atacama (foto), a cerca de 60 km de San Pedro, planície de cristais de sal que formam lagoas povoadas por flamingos e outras aves. As mais famosas lagoas são Miscanti, Miñiques (que também são os nomes dos vulcões) e Chaxar, todas com águas cristalinas. Mas para realmente tomar um banho quente nada melhor do que ir às Termas de Puritama, um vale cortado por um rio de águas quentes vindo da base dos vulcões. Há várias piscinas naturais com temperaturas de 25 à 30º C. O maior vulcão do Atacama é o Licancabur, com 5.916 metros de altitude, e está inativo.
 
Gêiseres
 
Gêiser é um fenômeno raro de ebulição da água, que ocorre em poucos lugares do mundo. Quando a água subterrânea que se encontra nas fissuras e lençóis freáticos entra em contato com rochas quentes e lava vulcânica, ela vai se aquecendo gradativamente até ser expelida em forma de fortes jatos para o alto ou vapor.
 
Os Gêiseres do Tatio estão entre os mais importantes do mundo. Os jorros de água fervente e fumaça têm sua atividade maior no nascer do sol. Tomar este banho termal é uma boa saída para se livrar das baixas temperaturas. O melhor horário é entre 5h e 7h da manhã.
 
Povoados históricos
 
Os arredores das principais cidades do Atacama - Calama e San Pedro de Atacama - são repletas de povoados que guardam a história do povo do norte do Chile. A mais famosa é Toconao, em que todas as construções são de liparita, uma pedra vulcânica. Lá se encontram várias crateras vulcânicas, sendo a mais famosa delas a Quebrada del Jerez, banhada pelo Rio Toconao.
 
Também existem dezenas de vilas com menos de mil habitantes cada, que normalmente tiveram sua fundação ligada a alguma igreja construída pelos espanhóis, como Chiu Chiu, Toconce, Cupo, Ayquina, Lasana e Chuquicamata, que tem a maior mina de cobre a céu aberto do mundo.
 
Ocupação do Atacama
 
Quando os espanhóis chegaram ao Atacama, no século XVI, chamaram todos os que lá estavam de atacamenhos. Porém, na verdade eram várias tribos, como os Lípez, os Chicha, os Tucuman, os Omaguaca, os Casabindo e os Cochinoca, entre outros. Os espanhóis dizimaram uma parte da população enquanto outra virou escrava trabalhando nas reservas minerais. Os povos já tinham sido dominados no século anterior e anexados ao Império Inca, mas este não interferiu diretamente na cultura do povo da região.
 
O povo anterior às tribos que mais chama atenção nos museus é o dos Chinchorros. Eles habitaram a região entre 8000 e 4500 a.C. e viviam de pesca. Seus anzóis eram feitos de conchas e tecidos de malha. Há muitos vestígios da passagem deles pela região, já que mumificavam os mortos.
 
No período de 1000 e 750 a.C., depois da mudança climática na região, que a tornou mais árida, várias famílias se mudaram para a região do vale do Río Loa em busca de guanacos (lhama selvagem ainda hoje presente no Atacama), roedores, aves e frutos. O cultivo de milho e batata se tornou mais freqüente, e com isso também o comércio.
 

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