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Educação acima de tudo

Pedra da Divisa - novos velhos problemas

Voltando da Pedra da Divisa, indignado ao testemunhar o desrespeito do escalador Renatinho que acendeu um cigarro após passar as 3 placas de NÃO FUME. Quantos points mais nossa comunidade vai perder por atitudes egoístas de pessoas que se acham donas do quintal de outras?

Fonte: Texto de Eliseu Frechou

É terrível ter a sensação de estar sendo chato quando se tem a razão de falar. Pior ainda são situações, quando se tem que chamar a atenção de pessoas adultas quanto às suas atitudes egoístas que influenciam toda a comunidade. Mas muito pior ainda é perder um point de escalad por ação de pessoas irresponsáveis.
 
A Pedra da Divisa é um point que se não tem a mesma freqüência de escaladores que a Pedra do Baú está muito próxima de ser. O uso sistemático deste local por parte de alguns escaladores, parece que deu-lhes o direito de fazer deste lugar uma extensão de sua casa, levando consigo toda sorte de vícios, sujeiras e problemas que já causaram atritos com o Sr. Dimas, foram causadores de fechamentos e serão responsáveis por outros.
 
Desde que este lugar foi aberto aos escaladores, inúmeras placas de sinalização foram colocadas e acrescentadas visando minimizar o impacto da visitação, mas parece que ainda não é o suficiente. Nos últimos anos tenho – infelizmente – colecionado discussões com pessoas que insistem em usar este e outros lugares de forma inadequada. Veja alguns casos:
 
+ o caso da chapeleta solta: é rotineiro nas listas de discussão ver postagens de escaladores que estiveram nos points esportivos reclamarem de chapeletas soltas ou grampos saindo. No caso da Pedra da Divisa especificamente, sou o responsável pela conquista de 50 das 53 vias do lugar. Devo ter colocado mais de 500 proteções nessa montanha. Junte esse número com as outras falésias, montanhas e paredes da região (abri mais de duas centenas de rotas) e multiplique por R$10,00 e você vai ver que coloquei o valor de um carro para que todos possam aprender a escalar em segurança. De onde saiu esse dinheiro? Do Abrigo de Montanha da Montanhismus e do meu bolso. E quem está reclamando? Pessoas que não conheço, que não são meus clientes, que nunca vi em nenhum mutirão de limpeza e conservação de trilhas, nem seus nomes como contribuintes do GT de regrampeação da FEMESP, pessoas que na hora de comprar um equipamento vêem somente a etiqueta do preço e não refletem se a marca deste equipamento ajuda no desenvolvimento de seu esporte. Enfim, é gente que se acha no direito de cobrar sem nada retribuir para o esporte, que só vê seu próprio umbigo. Falar é fácil, principalmente para quem nunca está presente quando o trabalho deve ser feito. Mas tudo na vida precisa de manutenção, seu carro, sua casa, e grampos não são exceção. Já falei uma vez “você pode ser parte dos problemas ou das soluções”. Se você anda em uma trilha, está detonando ela, Se escala, as vias uma hora necessitarão de manutenção... e chapeletas são fáceis de apertar. Se grampos estão saindo, um tubo de Araldite custa R$10,00, qualquer um pode comprar, colar e ele ficará seguro novamente. Com relação a isso minha postura é clara e simples: não vou arrumar. Estou empenhado em trocar grampos velhos na região do Baú nesse momento. Desde setembro passado já troquei mais de 60 grampos antigos. Não vou me preocupar com os points esportivos.
 
+ meu cachorro é legal: Eu gosto de cachorros, tanto que tenho dois, acho que eles são bonitos, bacanas, não mordem... mas não levo meus camaradas para ambientes naturais. Semana passada encontrei uma galera com um cachorro de grande porte no setor dos Tetos. Tive mais uma vez que ser chato e falar que lá não é lugar para levar cães. Assim como em nenhum Parque Nacional deste país. A diferença é que na Divisa não existe guarita com guarda - deveríamos então contar o bom senso da galera em não perturbar mais ainda a vida silvestre com a presença de animais domésticos (com seus cheiros e excrementos). A Pedra da Divisa tem em sua base trechos menores de 100 metros de mata secundária para a fauna de esquilos, quatis, veados e pássaros sobreviverem. Por favor, respeitem.
 
Não bastasse o exemplo de alguns anos atrás quando um grupo de escaladores levou um cachorro à Divisa, e na volta, o cão assustou uma vaca que de tão apavorada, arrebentou a cerca no peito, e com certeza se ferindo. Esse caso isolado já seria motivo para o proprietário fechar a montanha para todos nós.
 
+ cigarro e tabaco: A menos de um ano atrás, um grupo de escaladores passou pela placa onde está sendo pedido para não acender qualquer tipo de fogo na área da montanha. Entre eles, um estava fumando e “apagou” a bituca do cigarro em um dos moirões da cerca. Só que o cigarro não foi completamente apagado, o moirão estava podre e pegou fogo, o fogo passou para o pasto e começou a se alastrar enquanto os escaladores estavam alegremente escalando na Pedra. Por sorte o Sr. Dimas viu a fumaça, correu com seu filho e conseguiram apagar o fogo antes que uma tragédia acontecesse. Esperou todos os escaladores descerem e questionou a todos – um por um - a autoria do acontecido. Ninguém foi corajoso para assumir a culpa. O resultado foi que eu tomei uma chamada e um pedido para avisar “meus amigos” para não fumar mais lá. Essas pessoas não são meus amigos, nem são montanhistas. São irresponsáveis.
 
+ som e gritos: outra reclamação é a de som dos carros de escaladores no estacionamento e gritos na montanha. Essa é uma reclamação que poderia muito bem advir de um grupo de rapeleiros na ponte da Sumaré, é lastimável que venha sendo causada por escaladores.
 
+ quero acampar na base das vias: qualquer pessoa com o mínimo de bom senso sabe que a Divisa é um lugar de uso diurno. Exatamente por conta do já explicado em relação aos animais domésticos. Um grupo de Campinas a bem pouco tempo atrás tanto argumentou com o Sr. Dimas, que este, já sem palavras para dizer não aos escaladores, depois de inclusive ter pedido para eles acamparem em seu quintal, cedeu e eles ficaram uma semana acampados na estreita faixa de mata da base da Pedra. Ao me pedir para avisar (novamente) “meus amigos” para não acamparem lá, o Sr. Dimas confessou ter acordado e levantado da cama duas vezes a cada noite para verificar se a mata não estava pegando fogo. Alguém merece isso? Quando finalmente descobri os espertos acampantes – e dei o recado a um deles que encontrei no setor dos Tetos – este ainda me enviou um e-mail dizendo que eu não poderia ter chamado a atenção dele na frente de todos. Quem pede tanta sensibilidade, deveria retornar pelo menos educação aos outros, principalmente quando se está na casa alheia. Será que este indivíduo concordaria que alguém acampasse, cozinhasse e defecasse no quintal da casa dele por uma semana?
 
Prezados (as), é preciso que todos entendam, que não é por que a Divisa (ainda) é um local aberto que algumas pessoas tem o direito se portar como se fossem donos do local. Educação e respeito evitarão novos fechamentos e medidas proibitivas definitivas como já tiveram de ser tomadas lá e em outros tantos lugares do Brasil em conseqüência da inconseqüência dos escaladores.
 
Se você se porta bem, mas consente ou se cala ao ver outros extrapolarem os limites, também é culpado por deixar que irresponsáveis fechem o lugar para todos nós.
 
Boas reflexões à todos.

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