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Iniciativa legal de Luciano Fernandes

Entrevista com Diandra Pittella

Tivesse a escalada pessoas com a personalidade e o coração de Diandra Pittella, seguramente seria um esporte diferente. Na hipótese de que se possuir excesso de simpatia tivesse valor monetário, Diandra seria bilionária. Pittella é uma pessoa que se caracteriza pela sua energia positiva, e por sua paixão incondicional ao esporte que pratica.

Fonte: http://blogdescalada.com/

Não há ninguém que não se contagie com sua energia positiva e com seu bordão “exceleeeente”. Para exemplificar o porque de tantos elogios Diandra gastou quase uma tarde inteira pendurada em uma via de 3º grau apenas para tirar fotos e orientar seus amigos que estavam experimentando uma escalada. Por atitudes  como esta a caracteriza como alguém que procura fazer algo pelo esporte que pratica.
 
Por tudo isso o Blog de Escalada procurou Diandra Pittella para uma entrevista para que todos pudessem saber mais sobre esta escaladora que é destaque no Espírito Santo.
 
BE: Diandra, do Espírito Santo é um verdadeiro paraíso para a prática da escalada. Como está a difusão do esporte no estado?
 
DP: Realmente. A Escalada Esportiva é recente no ES, e alavancou mesmo à partir do ano de 2000. Temos ainda setores de boulders e vias de Big Wall. É um estado que possibilita praticamente tudo em termos de escalada em rocha. Certamente é um estado que tem um dos maiores potenciais para abertura de novas vias no Brasil.
 
BE: Hoje estão sendo abertas academias nas cidades com escaladores mais engajados. No Espiríto Santo está acontecendo o mesmo?
 
DP: No Espírito Santo não temos academias de escalada. Pelo que sei não existe nenhum plano em ter. Temos a Sede da ACE (Associação Capixaba de Escalada), que abre todos os dias da semana das 18h às 22h. Sempre que chove, tem alguém abrindo para treinos.
 
BE: Você irá protagonizar um dos filmes que está sendo aguardado com grande ansiedade pela comunidade (Elas na PEDRA). Como foi para você participar dele?
 
DP: Foi incrível. O convite foi feito e aceito na hora. Poder escalar uma via que eu amo e gravar com amigos, já é perfeito. Participar de um projeto tão lindo é… sem palavras. Uma experiência única. Dias e horas de gravações, um vai e volta, mas tenho certeza que o resultado vai ser sucesso.
 
BE: Como é a sua rotina de treinos?
 
DP: Faz 3 anos que escalo, e os treinos começaram fevereiro deste ano. Sempre escalei em rocha nos finais de semana. Sempre que podia durante a semana. Nunca consegui horários para treinar na ACE , pois trabalho a noite. Em janeiro montei um muro em casa, e os treinos começaram sob a orientação do Naoki Arima. Os resultados começaram a aparecer em 3 semanas. Hoje treino 2 vezes por semana.
 
Treino dura em torno de 1:40h, entre aquecimento, vias de graduação 7a/b, sem crux, mais diluídas e com 30 ou 35 movimentos. Depois abdominal, apoio, finguer. Nos outros dias que não faço este treino, faço finguer ou barras (que pra mim não são fáceis).
 
BE: Sem considerar a escalada, qual outro esporte você pratica?
 
DP: Adoro correr.  Sempre que posso estou na praia correndo. Não é nada muito constante por motivo de trabalho.
 
BE: A escalada estava por se tornar esporte olímpico. Qual a sua opinião a respeito disso?
 
DP: Um esporte olímpico vai dar uma “importância” para a escalada, uma visão mundial do “esporte” que a escalada nunca teve. Atletas competitivos já tempos, e excelentes atletas.
 
Basta acompanharmos os campeonatos mundiais de boulder/escalada. Sei que tem muitos escaladores que treinam para competições, e respeito muito isso. Mas para mim, a escalada não é somente um esporte (ou não é um esporte), é um estilo de vida. É um autoconhecimento, é objetividade, é trabalhar os medos, ariscar segundos da vida, auto-confiança….
 
Eu escalo pra mim, não para competir com alguém. É uma auto competição.
 
BE: Na sua opinião a popularização da escalada é real, ou otimismo de quem a pratica?
 
DP: É real. Uma popularização no sentido de aumento de escaladores praticantes.  A cada dia temos mais festivais de escalada no Brasil. E nesses festivais comprovamos o aumento.
 
BE: O esporte de escalada mudou muito nos últimos 10 anos. Você acredita que as associações e federações acompanharam as mudanças?
 
DP: Estou no mundo da escalada há 3 anos, não tenho tanto conhecimento dessas mudanças. Sei que as Associações estão cada vez mais organizadas, e lugares que não havia nenhuma associação hoje já estão se organizando. Inclusive organizando festivais e eventos relacionados à escalada.
 
BE: Poucos atletas possuem patrocínio, tendo apenas alguns apoios. A que você credita este tipo de postura das marcas e empresas com escaladores?
 
DP: Falta de conhecimento das empresas sobre as leis de incentivo. Marcas e empresas investem em atletas que se destacam de alguma forma para que sua marca seja conhecida. Como na escalada existem poucos eventos competitivos, pode ser um bom motivo para o não patrocínio. O que é um absurdo.
 
BE: Muitas marcas consagradas no exterior estão começando a vir para o Brasil. Você acredita que as marcas de produtos brasileiros devem se sentir ameaçadas?
 
DP: Sim. A competitividade é necessária para que as empresas se preocupem com a qualidade e preço dos seus produtos.
 
BE: Qual conselho você daria para quem deseja começar a escalar?
 
DP: Que se divirta! Acredite em você! Escalar é um estilo de vida, que pode transformar sua vida. Autoconhecimento pouco alcançado por aquele que não escala.
 
Muitos buscam tratamentos para se conhecerem e conhecerem a vida. A escalada te traz muito mais que isso. E a cada dia me transforma.
 
 
 

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