Os Alpes, parte 4 - Dachstein, Áustria - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
Especial sobre os Alpes europeus.

Os Alpes, parte 4 - Dachstein, Áustria

A quarta parte da série de matérias especiais sobre os Alpes é sobre Dachstein na Áustria. Acompanhe o texto de Eduardo Prestes.

Fonte: Redação

O país
 
A Áustria é um país no centro da Europa, com área de 83.872 km², o que seria comparável com o Estado de Santa Catarina ou a metade do Uruguai. A população é de cerca de 8,3 milhões de habitantes, sendo que somente a capital reúne 1,7 milhão de pessoas. Depois de Viena, a maior cidade é Graz, com cerca de 220.000 habitantes. A seguir, apenas Linz, Salzburgo e Innsbruck possuem mais de 100.000 habitantes. Cerca de dois terços do território austríaco é montanhoso, especialmente ao sul, que corresponde ao chamado setor oriental dos Alpes. O ponto mais alto da Áustria é o cume do Grossglockner, com 3797 metros, com outros 92 cumes acima dos 3000 metros. O idioma oficial é o alemão, mas em algumas regiões fronteiriças fala-se também o croata, o esloveno e o húngaro. A Áustria é um dos países com maior renda per capita do mundo, fruto de uma economia desenvolvida e uma sociedade de organização exemplar.
 
A intenção inicial seria produzir apenas uma matéria sobre os Alpes Austríacos. Evidentemente, não foi possível resumir em um único texto tudo o que um país, mesmo pequeno, tem a oferecer. Mesmo selecionando uns poucos locais na Áustria, acabamos sendo obrigados a dividir o conteúdo em duas matérias, uma sobre a região dos Lagos Austríacos (também conhecida por Lagos Salzkammergut) e a outra tratando do Grossglockner e Innsbruck. A região dos Lagos possui montanhas mais baixas, com paredes rochosas e vegetação exuberante. Já a região em torno do Grossglockner e de Innsbruck têm montanhas mais altas, na maior parte do ano cobertas de gelo, em um clássico cenário alpino. De certa forma, com suas diferenças, estas regiões resumem a diversidade de opções existentes na Áustria. 
 
Lagos Salzkammergut
 
A região dos Lagos Austríacos é o principal destino de férias do país, com mais de 70 lagos e incontáveis montanhas, compondo paisagens belíssimas, onde cada vale e cada lago tem os seus encantos particulares. Um simples passeio pela região, passando de um lago a outro, por túneis, orlas e estradas sinuosas, já seria o suficiente para justificar a visita. Entre as opções, vale destacar os maiores lagos, que são o Hallstätter, Traunsee, Attersee, Mondsee e Wolfgangsee. No roteiro também não deveria faltar uma visita a Salzburgo, a menos de 50 km destes lagos, uma das mais belas cidades da Áustria e de toda a Europa.     
 
Vias Ferratas
 
Antes de iniciar nosso giro nas montanhas da Áustria, é oportuno dar mais detalhes sobre uma particularidade do país, que são as suas muitas vias ferratas. Sendo em grande parte ocupada por montanhas, é natural que a Áustria tenha uma longa história no alpinismo. Quase toda a população, em algum momento da vida, frequentou as montanhas e alcançou alguns cumes nos Alpes. Basta lembrar de nomes como Hermann Buhl, Kurt Diemberger, Peter Habeler ou Heirich Harrer para comprovar a qualidade da escola austríaca. Com montanhas um pouco mais baixas, se comparadas com a Suiça ou França, os Alpes Austríacos são mais secos, com muita rocha exposta, especialmente no verão. Esta condição permitiu uma singular abordagem do montanhismo austríaco, que foi o amplo investimento em vias ferratas. Na Áustria, existem mais de 550 vias deste tipo, numa tradição iniciada ainda no século XIX. Houve um trabalho consistente por parte do Clube Alpino Austríaco ao longo de décadas. Nenhum outro país possui tantas vias ferratas. Praticamente todas as montanhas importantes da Áustria oferecem ao menos uma via ferrata que permite alcançar o seu cume. Para efeito de comparação, a primeira via ferrata formal na Suiça é de 1983 e o número total fica, atualmente, em torno de 150. Apenas a Itália rivaliza com a Áustria em termos de número de ferratas, especialmente na região das Dolomitas.
 
Não pretendemos entrar aqui na discussão sobre a alteração de ambientes naturais. No montanhismo brasileiro, por exemplo, predomina o princípio de mínimo impacto. No contexto europeu, entretanto, e em especial na Áustria, as vias ferratas são um componente cultural e fazem parte da tradição do esporte. Nossa modesta sugestão é simplesmente aproveitar esta inusitada infra-estrutura que as montanhas austríacas oferecem, e que permite escalar sem cordas ou peças de proteção. Basta uma roupa quente e seca, além de um kit para via ferrata, para que seja possível atingir a maioria dos cumes do país. Para um montanhista amador, viajando a turismo e sem maiores pretensões, as possibilidades são espetaculares. A isso, podemos somar o alívio por viajar com um mochila leve, sem os mais de 30 kg de equipamentos normalmente necessários para uma escalada tradicional. Valorizando esta particularidade da Áustria, vamos apresentar algumas regiões com destaque no montanhismo austríaco, com um foco especial nas vias ferratas. Não custa lembrar, no entanto, que estas mesmas montanhas também oferecem possibilidades de escaladas técnicas, em rocha ou gelo.
 
Antes de iniciar nosso passeio, é oportuno ressaltar alguns aspectos das vias ferratas. Nunca é demais lembrar que as vias ferratas não são trilhas, mas escaladas. É fundamental conhecer as técnicas de proteção, ter os equipamentos adequados (sistemas com fitas ou cordas expansíveis) e estar acostumado com exposição à altura e a riscos calculados. A proteção das vias ferratas é feita em um cabo de aço contínuo, preso a apoios chumbados na rocha, a cada 4 ou 8 metros. O usuário deve estar com uma cadeirinha, com um mínimo de 2 fitas especiais de segurança, utilizando-as de forma alternada. Estas fitas são expansíveis e de uso específico para vias ferratas. Há dois sistemas distintos. O mais indicado usa um rabo de corda passando por um freio metálico especial. Em caso de queda, o pedaço de corda escorrega pelo freio, amortecendo a queda. O outro sistema usa fitas longas, comprimidas em forma de "sanfona". Em caso de queda, as seções da fita vão soltando progressivamente. A desvantagem deste segundo sistema é que a fita não pode ser reutilizada após uma queda, ao contrário do sistema com corda, que pode ser rearmado. Os mosquetões para via ferrata são especiais, mais fortes, com trava automática e maior abertura. Eles vem identificados com um "K", do termo alemão "klettersteig". Também é praxe o uso de capacete, além de roupas e calçados adequados. Luvas (com boa aderência) ajudam muito quando é necessário agarrar o cabo de aço.  Outros equipamentos podem ser necessários, conforme o tipo e a graduação da via. Em muitas vias, a aproximação é feita por glaciares. Nas linhas mais verticais, pode ser útil levar cordas finas (8,5 mm), apenas para "rapelar" na descida. 
 
É fundamental advertir que as fitas e mosquetões comuns de escalada não oferecem proteção adequada em vias ferratas. Em caso de queda, a força do impacto gerado no apoio é muito alta, ultrapassando facilmente a resistência destes equipamentos e mesmo do quadril do escalador. Já ocorreram mortes em vias ferratas e os equipamentos atualmente recomendados são o resultado de décadas de pesquisa e experiência prática nas montanhas.   
 
Além dos equipamentos, outra preocupação indispensável é buscar vias ferratas com uma graduação adequada a sua experiência pessoal em montanha. A graduação mais usada tem 5 níveis, de A até E, cuja definição resumida segue abaixo. Não é recomendável subestimar esta graduação, antes de ter uma maior vivência na modalidade. 
 
Grau A - Fácil: Mais uma caminhada desafiadora do que uma escalada. O trajeto é inteiramente protegido, eventualmente com escadas curtas. Ainda assim, não se trata de um objetivo adequado a qualquer pessoa, pela exposição à altura.
 
Grau B - Moderado: Via com boa proteção e com apoios adicionais nos trechos mais expostos ou técnicos. Apenas setores mais fáceis (de escalaminhada e sem exposição vertical) poderão estar desprotegidos. Alguns trechos poderão exigir o uso de agarras naturais. Provavelmente haverão escadas longas e verticais. 
 
Grau C - Difícil: Vias bastante verticais, com possibilidades de trechos negativos curtos. Há bons apoios para pés e mãos. Nos trechos mais exigentes, quase certamente haverão apoios artificiais, como escadas longas e aéreas. Os trechos fáceis poderão estar desprotegidos. Trechos moderados estarão protegidos, mas podem exigir o uso de agarras naturais. Exige bom preparo físico geral, além de resistência e força nos braços e nas mãos. 
 
Grau D - Muito difícil: Via vertical e aérea. Os trechos fáceis estarão desprotegidos. Na maior parte da via, mesmo em trechos verticiais, quase certamente haverá apenas o cabo de aço. Apenas os trechos negativos ou técnicos deverão contar com apoios artificiais (escada ou similar). Via exigente em termos físicos,  especialmente para braços e mãos. Alguns escaladores podem necessitar proteção adicional com cordas dinâmicas.
 
Grau E - Extremamente difícil: Via vertical e aérea, com a progressão feita em agarras naturais, com proteção do cabo de aço. Mesmo em trechos difíceis ou negativos, o único apoio adicional será o cabo de aço. A escalada provavelmente terá trechos técnicos, em fendas ou pequenas agarras. Seções fáceis e moderadas provavelmente estarão desprotegidas. Em alguns pontos, o escalador poderá ficar exposto a acidentes ou mesmo quedas fatais. A via irá exigir destreza e experiência do escalador, além de resistência e força física, especialmente nos braços e mãos. Muitos escaladores podem necessitar proteção adicional com cordas dinâmicas.
 
Vale ainda ressaltar que o europeu considera que a segurança é uma responsabilidade pessoal. Ou seja, não adianta reclamar das condições das vias. Cabe a cada um buscar informações atualizadas sobre o seu objetivo, analisando a todo o momento as condições de segurança existentes. O fato de ser uma via ferrata não significa que a linha é segura. Nas montanhas, sempre há risco, particularmente nas vias mais longas. A manutenção dos cabos pode não ser a ideal e sempre há o risco do clima deteriorar durante a escalada, dificultando ou mesmo impedindo um recuo. As tempestades elétricas são especialmente perigosas em vias ferratas, pelo potencial de condução dos cabos e escadas. Muitas das vias ferratas estão em ambiente alpino e podem exigir equipamentos para travessia de glaciares (cordas, botas com crampons, piolet) ou até mesmo um bivaque na base. Tudo isso deve ser levado em conta no planejamento e na seleção de um objetivo.  
 
Um excelente site para estudar as possibilidades é o www.bergsteigen.com, onde é possível consultar o croqui de 312 vias ferratas na Austria (e outras 79 vias na Suiça, Itália e Alemanha).  
 
Hallstatt
 
Nossa primeira parada na Áustria será a pequena e encantadora cidade de Hallstatt, com menos de 1000 habitantes, às margens do lago Hallstätter. O lugar é belíssimo e Hallstatt é tombada como patrimônio mundial da humanidade pela Unesco, tanto pela paisagem como pela inestimável importância histórica da região. Hallstatt é considerada por muitos estudiosos como a cidade mais antiga da Europa, estando habitada sem interrupção desde 3000 AC ou antes ainda. Foram encontradas inúmeras relíquias pré-históricas em torno de Hallstatt, algumas datadas de 7000 AC. Alguns destes achados estão expostos no museu da cidade, mas a maioria das peças encontra-se em Graz (no Castelo Eggenberg) e nos mais importantes museus da Europa.  
 
Mesmo não estando localizada propriamente nos Alpes, Hallstatt possui longa tradição no montanhismo austríaco (a cidade está na cota de 511 m). Entre os símbolos da cidade estão botas de alpinismo e piolets antigos. Hallstatt faz parte de uma região conhecida como Salzkammergut, com mais de 70 lagos, todos cercados por montanhas e grandes paredes rochosas, Como a Áustria não possui costa marítima, os lagos funcionam como balneários de veraneio, sendo esta a principal e mais valorizada região de férias no país (já há alguns séculos). Há trilhas conectando cidades, lagos e montanhas, formando uma rede estupenda de circulação para pedestres e ciclistas. 
 
Hallstatt significa "cidade do sal". Nas encostas da cidade, está a mina de sal mais antiga do mundo ainda em atividade, explorada desde o Império Romano, há mais de 2000 anos (é possível visitá-la). A área ocupada pela cidade é pequena, não sendo permitido o acesso de veículos (exceto a moradores). Em poucos minutos, é possível cruzar a pé a área urbana. No verão, é quase impossível conseguir uma vaga em hotel sem uma reserva. Uma peculiaridade de Hallstatt é a capela dos ossos (Beinhaus). Devido ao limitado espaço do cemitério, os túmulos têm uso temporário. Após um período de uns 15 anos, os corpos são exumados, e os ossos, após secagem e limpeza, recebem desenhos e textos artísticos. Em seguida, são dispostos juntos com outros ossos em uma capela especial, conforme o tipo (crânio, tíbias, etc). O resultado é impressionante e, de certa forma, poético. Atualmente, a tradição está em desuso, desde que a Igreja Católica passou a permitir a cremação. Mas se solicitado por algum morador, ainda é possível contratar este peculiar ritual fúnebre.
 
Em Hallstatt, ficamos hospedados em um pequeno hotel histórico no centro da vila, todo em madeira. Estávamos fora da temporada, com o ambiente relativamente tranquilo. O dono do hotel era um montanhista com mais de 70 anos, ainda robusto e sempre vestido com trajes típícos. Nas paredes, havia várias fotos antigas de escaladas nas montanhas da região. Foi uma bela imersão na cultura e na história da Áustria. O delicado conjunto de prédios de Hallstatt, espremido entre o lago e as montanhas, compõe um cenário inesquecível para os visitantes. 
             
Montanhas de Hallstatt
 
Há montanhas por todos os lados em volta de Hallstatt. Os cumes mais baixos oferecem belas trilhas e vistas panorâmicas dos lagos. Já os cumes mais altos estão um pouco ao sul de Hallstatt, na cadeia Dachstein, em ambiente alpino. O ponto culminante é o Hoher Dachstein, com 2996 m.  
 
Um reconhecimento poderia iniciar na mina de sal (Salzbergwerk) logo acima de Hallstatt, cujo acesso pode ser feito em um moderno trem em plano inclinado. A visita guiada na mina é interessante e vale o ingresso. Em volta do acesso à mina existe um parque, com árvores e alguns mirantes para o lago e a cidade. Para mexer um pouco mais as pernas, uma boa opção seria seguir por trilha, a partir deste parque, até o cume do Plassen (1530 m), que oferece estupendas vistas das cordilheiras Dachstein e Gosaukamm, num percurso de cerca de 2h30m até o cume, mais o retorno (quase 8 km no total).  
 
Outra interessante caminhada seria cruzar o Sarstein (1975 m), uma montanha na margem oposta do lago, em frente a Hallstatt. O percurso pode ser feito das cidades de Bad Goisern até Oberbraun, num total de 9 h (ou 17 km). Todavia, é possível fazer um bate-volta no cume em cerca de 4 h, a partir da Salzkammergut Strasse (uma estrada), ao norte de Hallstatt.
 
Uma via ferrata de fácil acesso é a Echernwald, uma travessia de 450 metros, nível C/D, com alguns trechos negativos, acessível a partir do estacionamento da mina de sal, a 30 minutos de caminhada de Hallsttat.
 
Ousando um pouco mais, a meio caminho no sentido de Obertraun e a cerca de 3 km do centro de Hallstatt, está localizada a Seewand, uma desafiadora via ferrata com 750 metros e nível D/E (a maior parte da via está graduada em C ou menos, apenas no final há um trecho graduado em D/E). As vistas para o lago e para Hallstatt são espetaculares. Ao final, é possível descer por trilha ou por teleférico até Obertraun, tanto da estação Gjaidam (uma hora a partir do fim da via) como do Hotel Krippenstein. Nas proximidades deste hotel, existe um interessante mirante em forma de 5 dedos, voltado para o lago e suspenso sobre um abismo de mais de 400 metros. É um dos principais cartões postais da região. 
 
Este planalto, acima do lago Hallstätter e abaixo dos cumes das montanhas Dachstein, oferece uma ampla rede de trilhas no verão, interligando abrigos, glaciares, áreas de escalada esportiva, vias ferratas e montanhas. Já no inverno, o local transforma-se em uma frequentada estação de esqui, com a neve cobrindo o relevo. Para os escaladores, em torno do abrigo Simony existem boas vias tradicionais e esportivas, curtas e em todos os graus de dificuldade. Deste setor ao norte da cordilheira, para subir até os cumes principais, como o Hoher Dachstein, será necessário encarar uma longa ascensão por glaciares, o que pode levar até 2 dias, conforme as condições.  
 
Outra curiosidade nas proximidades é uma espécie de labirinto composto por estranhas formações de gelo e rocha, desenhando uma teia de sulcos, numa grande área no setor leste da Cordilheira Dachstein. Uma vez imerso nesta geografia, torna-se complicado encontrar uma saída. Muitas pessoas passaram dias perdidos ali, desorientados, até serem resgatados.  
 
Mais abaixo do Hotel Krippenstein, na linha do teleférico, estão localizadas duas cavernas que justificam a parada e a visita. A Cordilheira Dachstein é repleta de cavernas, formando um sistema que continua sendo pesquisado e ainda não possui um mapa definitivo. A Rieseneishöhle (Caverna do Gelo Gigante) é considerada a mais bela, por suas formações rochosas. A Mammuthöhle (Caverna do Mamute) mereceu este nome por seu tamanho, com mais de 44 km de galerias mapeadas. Junto da cidade de Obertraun, existe a Koppenbrüllerhöhle, que abriga uma imensa fonte, sendo considerada a maior caverna com água na região. Estas cavernas costumam estar abertas apenas no verão e em parte do outono.        
 
Gosau 
 
Localizada em um vale verdejante cercado por montanhas, Gosau é um daqueles cenários alpinos de cartão-postal. Localizada a cerca de 15 km a oeste de Hallstatt, a vila possui cerca de 2000 habitantes fixos, em casas espalhadas em torno de uma bela e delicada igreja luterana. No inverno, Gosau funciona como estação de esqui, com mais de 140 km de pistas. No verão, há diversas trilhas, vias-ferratas e montanhas a explorar. 
 
Logo na entrada do vale, no seu extremo norte, há uma trilha bastante frequentada, que leva ao topo do Kalmberg (1763 m), uma caminhada de 4 horas a partir da vila de Gosau, sempre subindo. É uma boa opção para quem deseja chegar a um ponto privilegiado de observação, exercitando as pernas e sem o uso de equipamentos.  
 
Seguindo para o sul, em direção ao fundo do vale, há um caminho panorâmico que vai afunilando, até atingir as muralhas rochosas da cadeia de montanhas Gosaukamm. Depois de passar por dois lagos menores, chega-se a uma das mais belas paisagens da Áustria, o lago Gosau (ou Gosausee).  Até este ponto, ainda é possível chegar em carro. A oeste, o lago é limitado pelas paredes do Donnerkogel. Mais ao fundo, no ponto de fuga do vale, está o cume do Dachstein, acima dos glaciares que o defendem. Uma caminhada em torno do lago, numa trilha cênica espetacular, é quase uma obrigação (1h30m). 
 
Junto ao Gosausee, há um teleférico (o Gosaukammbahn) que leva montanha acima, até as proximidades do abrigo Glabonzer (1550 m). Pode-se também subir a encosta caminhando, acompanhando os cabos. Na chegada, uma boa pedida é uma refeição no terraço do abrigo, observando o Gosausee das alturas da cordilheira. Mas sempre há quem queira mais. 
 
A poucos minutos do abrigo Glabonzer, está o início de uma bela via ferrata, que cruza as cristas de cume de algumas montanhas até alcançar o topo do Gross Donnerkogel (2055 m). Esta via ferrata é recente, tem cerca de 1250 metros de extensão e 470 metros de desnível vertical (nível C/D). Seu nome é Intersport Donnerkogel e causou uma grande polêmica em sua implantação, por "atropelar" em alguns trechos uma tradicional via de escalada. De qualquer forma, seja na via ferrata ou escalando, o visual é espetacular. O retorno é feito pelo outro lado da montanha, onde há trilhas. Também há abrigos nesta área, com destaque para o Stuhlalm, nas imediações dos picos mais altos do conjunto Gosaukamm. Obviamente, há inúmeras vias de escalada nestas montanhas, curtas ou longas, fáceis ou difíceis. Para quem vai equipado, as opções são mais numerosas. Uma resslava deve ser feita em relação ao fotogênico e vertical Bischopsmütze (2454 m), ponto culminate do maciço Gosaukamm. Esta montanha sofreu desmoronamentos importantes nos últimos anos, danificando um grande número de vias, tendo sido considerada "instável" após estudos geológicos. Antes de se aproximar deste pico, é importante coletar informações mais precisas e atualizadas.  
 
Voltando ao vale Gosau, um dos caminhos segue pela orla esquerda do Gosausee, em direção ao Dachstein. Se há tempo sobrando, um passeio pelo via ferrata Laserer Alpin pode render fotos maravilhosas do lago Gosau, do cadeia Gosaukamm e cerca de uma hora de puro divertimento. A via faz um circuito pelas encostas rochosas do lago, sem ganhar muita altura, num total de 420 metros de travessias. O nível é "C", com direito a uma engraçada ponte em cabos de aço, logo acima da trilha que contorna o lago. Continuando a subida do vale, o caminho supera mais dois lagos menores (Gosaulacke e Hinterer Gosausee) até o abrigo Adamek, já na borda da região alpina da Cadeia Dachstein (são cerca de 5h de pernada desde o Gosausee). O abrigo está situado junto a um cenário majestoso, cercado por grandes paredes rochosas. Há inúmeras rotas de qualidade a poucos minutos de caminhada do Adamek Hütte, especialmente na Schreiberwand, nas imediações do prédio de 3 pavimentos. O site do Adamek Hütte oferece 10 croquis de vias de escalada próximas. Estas vias possuem em torno de 300 metros e há opções para todos os níveis. O abrigo é administrado por escaladores e, nos dias de chuva, há um muro indoor para manter a forma. Outra opção muito interessante é a via ferrata Amon (ou Amon Klettersteig), que leva ao cume do Hohes Kreuz (2837 m). A base da via está a 45 minutos de caminhada do abrigo Adamek, mas o caminho cruza um glaciar, o que irá exigir equipamentos apropriados. A via possui 420 metros e predomina o nível A/B, com algumas poucas passagens C/D. Ou seja, é uma via bastante acessível, apesar de exposta, sendo considerada uma das melhores vias ferratas de toda a Áustria. A descida é feita por trilha; são 2h até o Simony Hütte ou 4h até retornar ao Adamek Hütte. Para quem está melhor equipado e busca mais emoções, existe também uma via de escalada moderada de 330 metros (10 cordadas) que leva ao cume do Hohes Kreuz. A base desta via está a apenas 15 minutos do abrigo. O Adamek Hütte é uma excelente parada para quem busca um ambiente dedicado ao montanhismo, com várias opções de vias e cumes. Dali é possível lançar investidas ao Torstein (2948 m), ao Mitterspitz (2925 m) e mesmo ao Hoher Dachstein (pela crista oeste, com proteções ocasionais em cabo de aço), entre outras montanhas menores.    
 
Outros lagos próximos de Hallstatt
 
São muitos os lagos em volta de Hallstatt, e as paisagens não deixam de nos surpreender por suas particularidades e beleza. Mantendo nosso enfoque nas vias ferratas, vamos indicar algumas linhas interessantes e mais longas nesta região. No Traunsee, na margem oposta do belo balneário de Traunkirchen, está a Naturfreundesteig, uma via ferrata acessível (A/B)  de 1250 metros, que leva da orla do lago até as cercanias do espetacular abrigo Gmundner, cravado no topo de um pináculo com vistas panorâmicas do lago e da região. A via é muito bem equipada, passando por um túnel natural na rocha, num trajeto de 2h20m. A descida pode ser feita por trilha (2h). 
 
Logo ao lado, no Attersee, a opção seria a Attersee Klettersteig, uma linha de 600 metros, a maior parte B/C, com algumas passagens cotadas em D. A linha segue uma crista, saindo de um bosque junto à orla do lago até o topo do Mahdlgupf, com 1261 m. A escalada costuma durar 3h30m e a descida é feita por trilha, em 1h30m. 
 
No Mondsee, junto da cidade de Sankt Lorenz, está a Dranchenwand Klettersteig, com 560 m e que leva ao cume do Dranchen (1060 m). Está classificada como C e possui algumas escadas e uma ponte nepalesa, que rende belas fotos. A subida leva em torno de 4h e a descida é feita por trilha, em 1h30m.
 
No Wolfangsee, a partir do balneário de Sankt Wolfang, parte uma cremalheira (trem com engrenagens) que percorre 6 km de subida até o cume do Schafberg (1780 m), onde há um hotel e restaurante, encravado na borda de um penhasco. Há trilhas entre o topo do Schafberg e a cidade, na orla do lago. A linha férrea foi inaugurada em 1892 e as vistas dos terraços do hotel são deslumbrantes. 
 
No Altausee está uma das mais verticais vias da região, a Sisi, que leva ao cume do Loser (1837 m), subindo por sua parede sul. A via tem nível D e sua escalada levaria em torno de 1h30m. Como normalmente acontece, a descida é feita por trilha, em 45 m.
 
Uma última sugestão próxima de Hallstatt seria a escalada do Grimming, uma montanha isolada, rochosa e bastante proeminente, sem um acesso fácil ao cume. A via Nordanstieg é classificada como A/B, mas tem 1400 metros de extensão e 700 metros de desnível vertical, com alguns trechos protegidos por cabos e muita escalada de crista sem qualquer proteção. É uma investida para um dia inteiro, umas 4h30m para subir e quase isso para descer. O ponto de partida para escalar a Nordanstieg do Grimming é a vila de Kulm, a 36 km a leste de Hallstatt.
 
Face sul do Dachstein
 
As maiores paredes do conjunto Dachstein estão localizadas ao sul, logo acima das cidades de Schladming e, especialmente, Ramsau am Dachstein. Trata-se de uma verdadeira muralha, com cerca de 8 km de extensão horizontal e mais de 1000 metros verticais abaixo do cume do Torstein (2948 m). O Vale Ramsau é um dos principais centros de esqui, montanhismo e trekking da Áustria. De Hallsttat até Ramsau, é preciso contornar toda a cordilheira Dachstein, num percurso de 78 km por Gosau (a oeste) ou 86 km por Obertraun e Bad Mitterndorf (a leste).
 
A partir do leste, o primeiro ponto de referência nesta área seria o abrigo Guttenberg (ou Guttenberghäus). Dali, uma excelente opção de atividade é a via ferrata Ramsauer, um misto de trilha alpina e travessia de crista, com cerca de 4000 metros de extensão, nível A/B com trechos de C, passando pelos cumes do Scheichenspitze (2667 m) e do Hohe Gamsfeldspitze (2655 m), com saída pelo glaciar Edelgriess e dali para o curioso túnel de pedestres Rosmarie (ou Rosmariestollen), que atravessa a rocha abaixo de uma crista, até o conjunto de glaciares em torno do Dachsteingletscher. Subindo um pouco este glaciar, chega-se na estação de teleférico do Hunerkogel, que permite descer ao vale Ramsau. 
 
Nesta região em torno do túnel Rosmarie existem outras vias ferratas interessantes. A Irg possui 450 metros, nível D e sobe a parede sudoeste do Grosser Koppenkarstein (2865 m). Outra excelente alternativa para ir ao cume desta montanha é a via ferrata Westgrat (ou crista oeste), que inicia junto ao túnel Rosmarie, passando por uma ponte em cabos de aço (opcional) e cruzando cristas e escadas até o topo. É uma linha com 320 metros, nível B/C, a cerca de 20 minutos da estação Hunerkogel. É possível subir este cume por uma destas vias e descer pela outra, num interessante percurso de quase 800 metros de extensão.
 
Ainda nas proximidades do abrigo Guttenberg, há mais 2 montanhas que valeriam uma visita. A via ferrata Jubiläums possui 250 metros e leva ao cume do Eselstein (2553 m). Esta via tem nível C/D, o início está localizado a 20 minutos do abrigo e a descida pode ser feita por trilha. Já a via ferrata Austria Sinabell está a apenas 10 minutos a leste do abrigo Guttemberg e seu percurso leva ao cume do Sinabell (2349 m), tendo 230 metros e nível C (1h), numa parede bem vertical. A descida é feita por trilha, em meia-hora.
 
O teleférico da parede sul do Dachstein faz a ligação entre o cume do Hunerkogel (2700 m) e a estação Talstation (1700 m), logo abaixo das encostas do Türlspitz (2364 m). É um dos maiores atrativos do Vale Ramsau, permitindo um fácil acesso ao gelo eterno do conjunto de glaciares Dachstein, no alto da cordilheira, onde existem pistas de esqui. A estação Hunerkogel oferece restaurante, bar e áreas de permanência. Projetando-se sobre o abismo, foi construída uma passarela futurista, com parte do piso em vidro, chamada de Skywalk. Por perto, existe mais um inevitável parque de gelo, com túneis escavados no glaciar e esculturas de gelo. Associado a esta atração, foi construída recentemente uma ponte pênsil sobre os penhascos em volta da estação, um cenário que rende belas fotos. De Hunerkogel, pode-se subir um pouco mais, até o incrível abrigo Seethaler (também conhecido por Dachsteinwarte), junto das pirâmides dos cumes Dirndl Sul (2832 m) e Dirndl Norte (2818 m). Ali é um lugar apropriado para uma refeição inesquecível, nos terraços com vista para o vale Ramsau. Com reserva antecipada, também há a opção de pernoite no abrigo, outra experiência rara. Acima do abrigo Seethaler, está o caminho que leva ao cume do Hoher Dachstein, o ponto mais alto deste conjunto de montanhas. Abaixo da estação Hunerkogel (20 minutos), está o túnel Rosmarie, que dá acesso a um grupo de vias ferratas, que permitem subir até os cumes próximos e também descer até o vale. 
 
A partir da estação de teleférico Hunerkogel, cruzando o glaciar para o norte, a 15 minutos de caminhada, está o início da via ferrata para o Hoher Gjaidstein (2794 m), com cerca de 170 metros e graduada em "B" (de fácil a moderada). Dali pode-se retornar ou seguir adiante, numa trilha alpina que leva ao Taubenkogel (2300 m), ao Simonyhütte ou ainda ao Hotel Krippenstein, já no setor norte da cordilheira Dachstein (de onde pode-se descer por teleférico para a cidade de Obertraun). Seria a maneira mais fácil de atravessar caminhando este maciço de montanhas, de sul para o norte (ou vice-versa).    
 
Voltando ao Vale Ramsau, nas imediações da estação Talstation, está o Austriahütte, um abrigo tradicional da região. A partir deste setor, há dois caminhos que sobem a encosta sul até os glaciares que cercam os cumes da Cordilheira. Antes do teleférico, estes eram os percursos que as pessoas faziam para chegar na parte alta do Dachstein. A primeira opção seria a via Edelgriess, que sobe pelo glaciar de mesmo nome até as proximidades do Koppenkarstein, onde inicia um trecho vertical em rocha, protegido por cabo de aço. A Edelgriess é uma via mista, com escalada fácil, subida de glaciar e via ferrata. A extensão total é de uns 1000 metros, com um trecho de 300 metros protegido por cabo de aço. São necessários crampons e, para escaladores inexperientes, corda de segurança. 
 
Subindo um pouco além da Talstation, por trilha, chega-se ao Dachsteinsüdwandhütte, ou traduzindo, o "abrigo da parede sul do Dachstein". Este é o abrigo mais utilizado pelos montanhistas no Dachstein,  sendo ponto de partida para várias vias ferratas e escaladas na parede sul. Dali parte o segundo caminho tradicional de subida ao glaciar Dachstein, chamado de Hunerscharten, uma via ferrata de nível A/B, com cerca de 400 metros protegidos por cabos de aço e outros 600 metros em rampas de rocha e gelo. A Hunerscharten é o modo mais fácil de alcançar os glaciares no alto do Dachstein, desconsiderando, logicamente, o teleférico. Quem perde o último horário do teleférico acaba descendo para o vale por este caminho. Do final da Hunerscharten, para alcançar a estação no Hunerkogel, é preciso ainda percorrer o glaciar ou uma outra via ferrata, de nível C/D e com cerca de 250 metros. Um boa dose de emoção pode ser acrescentada com um desvio logo antes da canaleta final da Hunerscharten, em direção da via ferrata Skywalk. Esta via possui 140 metros e tem graduação "E", percorrendo algumas paredes verticais logo abaixo do cabo do teleférico, da estação e da passarela metálica de mesmo nome. É uma escalada muito fotogênica e atlética.
 
Próximo do abrigo da parede sul está um dos maiores clássicos da região, a Super Ferrata Dachstein, uma linha que  reúne 3 vias ferratas diferentes, resultando numa escalada de mais de 1200 metros, do vale até o cume do Hoher Dachstein. O primeiro trecho corresponde à Anna Klettersteig, uma via com 300 metros e nível "D", que leva leva ao cume do Mitterstein (2097 m), um aquecimento antes de encarar a verdadeira parede sul do maciço. A segunda etapa da Superferrata é a exigente via Der Johann, com 540 metros e graduada em "C/D", mas com um trecho "E" no início. Serão cerca de 4 horas parede acima, até o abrigo Seethaler, já na parte alta do Dachstein. Dali caminha-se uns 10 minutos pelo glaciar até atingir o início do último trecho da Superferrata, que é a via Schulteranstieg, com 250 metros e nível "B". Outra opção é subir um pouco mais pelo glaciar e atingir o cume do Hoher Dachstein pela Randkluftsteig, com 90 metros e também de nível "B" (esta é considerada a "via normal" do pináculo final da montanha). O Hoher Dachstein,por muito tempo, foi considerada uma montanha de 3004 m. Novas medições, no entanto, reduziram a altitude para 2996 m. Justo no cume da montanha, no entanto, há uma cruz metálica com mais de 5 metros de altura. Tornou-se uma tradição entre os montanhistas escalar também a cruz, para superar a cota de 3000 metros, mantendo assim o Hoher Dachstein como a única montanha na região a atingir esta marca.
 
O Dachsteinsudwändhütte é o ponto de partida de boa parte das escaladas na face sul da cordilheira Dachstein. A pedra local é o limestone, uma formação calcárea de muitas agarras e fendas, mas com alguma coisa solta. A rocha da região é considerada de boa a excelente, mas o uso de  capacete é obrigatório.  
 
A via de escalada mais famosa da face sul é a Steiner (ou Steinerweg), estabelecida em 1909, que leva diretamente ao cume do Hoher Dachstein. É uma via de 1070 metros, com 27 cordadas e graduada em 5.6 (prepare-se para um quarto ou quinto grau, em ambiente alpino). Neste setor da parede está também está a primeira via na face sul, a Pichl (de 1901), com 700 metros e graduada em 5.4 (até quarto grau brasileiro). Outra via digna de nota é a diretíssima da face sul, um artificial de 850 metros, mas que permite escalar em livre, com passadas de até 5.10 (ou 7C brasileiro). 
 
As maiores paredes da face sul estão um pouco mais para oeste, abaixo do cume do Torstein. As duas vias mais conhecidas nesta montanha são a Windleger Ridge e o Livro Sul do Torstein. A Windleger é uma escalada clássica de crista, com 1000 metros de desnível vertical e 2000 metros de percurso, graduada em 5.5. Já o "Livro Sul" é uma via mais direta, na face sul, levando ao cume do Torstein por um incrível diedro (como um livro aberto, daí o nome) de quase 850 metros. A via é de 1934 e possui passadas de até 5.10a (ou 6º grau brasileiro). 
 
O site www.mountain-unlimited.com oferece mais de 30 croquis de vias de escalada no conjunto Dachstein e vale uma consulta dos interessados em enfrentar sua parede sul.
 
Parque Nacional Gesäuse
 
Para fechar este passeio na região do Lagos Salzkammergut, nossa última parada será no Parque Nacional Gesäuse, próximo da cidade de Admont, a cerca de 80 km a leste de Hallstatt. Tecnicamente, já estaríamos fora da região dos lagos austríacos, mas seria uma pena deixar de destacar algumas das melhores vias ferrata dos Alpes Orientais. Pouco antes de chegar a Admont, na vila de Ardning, há uma bela via ferrata em forma de circuito, ao longo da crista de cume de maciço que inclui o Frauenmauer (1850 m), o Kitzstein (1925 m) e o Bosruck (1992 m). Para quem está na região para escalar, vale a parada. O percurso total tem mais de 1000 metros de desnível e pode levar até 7h para ser concluído. O nome da via é Wildfraunsteig e está graduada em B.
 
Já no Parque Nacional Gesäuse, o atrativo principal é o Hochtor, uma belíssima montanha de 2369 m, ponto culminante de um maciço cercado por paredões de mais de 1000 metros por todos os lados. Para subir ao Hochtor, a linha mais usada é a Josefinensteig, a partir do sudoeste. Esta via ferrata possui 1550 metros de extensão e 550 metros de desnível vertical, exigindo cerca de 8h para ser completada (graduação B, com trechos de escalaminhada sem proteção). 
 
No entanto, aquela que é considerada uma das melhores linhas moderadas de toda a Áustria inicia na Josefinensteig, passando pela Torre do Diabo e em seguida pelos cumes do Grosser Odstein (2335 m) e do Festkogel (2269 m) até o Hochtor. Dali a escalada segue pela crista de cume, passando pelo Rosskuppe (2152 m) e o Planspitze (2117 m), até descer a leste até o vale do Rio Enns. O nome desta linha lendária é Grosse Gesäuseüberschreitung, com quase 15 km de extensão e exigindo umas 12h de esforço para ser completada. É um percurso que exige o uso de equipamentos técnicos (cordas, mosquetões) e tempo excelente para ser completado em segurança. 
 
Para quem busca escaladas ainda mais desafiadoras, as paredes a norte do Hochtor e do Rosskuppe possuem várias linhas verticais e longas, com mais de 1000 metros de altura e até 30 cordadas de extensão. A pedra é o calcário típico da região, com muitas fendas, agarras e alguns blocos soltos. 
 
É possível pernoitar fora do Parque, na cidade de Gstatterboden. Dentro do Parque, há duas opções de abrigos. O Haindlkar é mais utilizado pelos escaladores que buscam as grandes paredes a norte do maciço do Hochtor. Já o Hesshütte está mais perto do início das vias moderadas para ao sul e a leste do Hochtor. A partir da estrada, o caminho até este abrigo é bem peculiar, incluindo uma fantástica via ferrata de mais de 200 metros, a Wasserfallweg, que sobe uma parede ao lado de uma grande cascata. A via conta com várias escadas e está graduada em A/B. O Hesshütte é uma visita quase obrigatória para quem visita o Parque Gesäuse.          
 
Encerrando
 
Nesta nossa primeira matéria sobre os Alpes Austríacos, detacamos cerca de 10 lugares, 26 vias ferratas, 6 trilhas, 8 vias de escalada, 3 cavernas e 4 teleféricos, tudo isso localizado na região dos Lagos Salzkammergut (a sudeste de Salzburgo). A quantidade de atrativos que acabamos obrigados a mencionar representa apenas um breve resumo das muitas possibilidades que a região oferece. A paisagem é realmente única, reunindo montanhas, paredes rochosas, lagos, orlas e muita história. 
 
Um último comentário, que funciona mais como alerta, é sobre acampamentos. Em toda a Áustria, é proibido o camping selvagem. Os austríacos são muito rigorosos com as leis, portanto não conte com a tolerância das pessoas. Se não for realmente um caso de emergência, a única alternativa para montar a barraca seria os campings autorizados.   
 
É isso, esperamos que a matéria seja útil como uma referência inicial sobre a região. Informações mais precisas e outras fotos dos locais podem ser facilmente obtidas na internet. Como em toda a Europa, a infra-estrutura disponível nas montanhas surpreende e torna a experiência bastante peculiar. Os montanhistas e amantes da natureza seguramente não irão se arrepender de uma visita à Cordilheira Dachstein e aos vales e lagos próximos.
    
 
 

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