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Voo livre

Argentino realiza a primeira travessia em parapente da Cordilheira dos Andes da história

Hernán Pitocco é uma unanimidade no parapente, não somente na Argentina, mas também no mundo todo. Hernan não para de superar-se levando cada vez mais alto o nome do esporte. É um dos poucos que voa com estilo, longe e muito alto.

Fonte: La Capital

Estilo


Este argentino ajudou a criar o que é o mundo do parapente acrobático hoje, já que quando começou a voar esta modalidade não existia. Desde o ano 2000, integra a equipe SAT, um dos grupos criadores da disciplina acrobática que revolucionou o mundo do parapente. Os triunfos que ele obteve nesta modalidade formam uma larga lista, com destaque aos anos de 2007-2008 quando obteve o primeiro lugar no Ranking Mundial de Acrobacias.

Por outra lado, os recordes esportivos que sustenta são impressionantes. Em janeiro de 2012 alcançou o Record mundial de Infinity Tumbling com 286 voltas. Esta prova consiste em realizar giros de 360º (como se estivesse pulando corda) no ar sem parar. Antes, em 2010, foi a primeira pessoa da historia a fazer Infinity Tumbling com um paramotor, una manobra em que o peso adicional do motor a torna muito perigosa.

Distância

Detém p recorde mundial de distância declarada, que alcançou em outubro de 2012 com 462 km. Este é o vôo mais longo do mundo decolando sem reboque.

Por todo isto, Hernán não poderia ser menos que embaixador da Marca País Argentina e atleta da Red Bull. Mas não termina por aqui.

Altura
 

Em 2011, em uma expedição junto com outros dois pilotos, realizou o vôo mais longo (225 km) e alcançou a maior altitude (7300 m), sem ajuda mecânica sobre o Himalaia. E fevereiro de 2013 a primeira travessia dos Andes em um parapente. Esta última é a historia que vamos contar.

Primeira travessia dos Andes. O porquê   
 
Para Hernán sempre foi um sonho poder cruzar estas grandes paredes que formam a Cordilheira. “Era um desafio esportivo pessoal, porque a Cordilheira dos Andes é um ícone das montanhas. O potencial para o vôo livre é incrível e muito pouco explorado. Por outro lado existe uma grande dificuldade por conta do clima hostil, que muda rapidamente e com ventos fortes.

Esta imensa aventura foi realizada junto com Martín Bradley e serviu como homenagem quase 100 anos depois para o bisavô de Martín, Eduardo Bradley, que em 24 de Junho de 1916, conseguiu realizar a primeira e épica travessia da Cordilheira dos Andes com um globo de Helio (cruzando de Santiago no Chile a Uspallata, Mendoza). Eduardo viajou com Ángel María Zuloaga e dedicaram este vôo a seu falecido amigo, o pioneiro da aviação na Argentina, Jorge Newbery. Para Martín era um desafio pendente fazer esta travessia voando de parapente 100 anos depois que seu bisavô.

As dificuldades
    
Então se propuseram a fazê-lo. Monitoraram o clima durante mais de um mês, até que viram uma janela de dois dias favoráveis com boas condições meteorológicas. “É uma região de muito vento, com um clima que muda muito rápido”, lembra Hernán.

“Antes de qualquer coisa, o primeiro desafio para cruzar a cordilheira era poder decolar. Necessitávamos de um lugar alto e seco, o que não é fácil de encontrar nesta região, já que há muita vegetação, que faz com que as térmicas sejam baixas e fracas. Investigando, encontrei o vulcão Llaima em Temuco, Chile, que é um ponto que se destaca entre as outras montanhas, além de ser seco. Foi o ponto ideal, já que de outra maneira seria impossível sair do verde”.
“O segundo fator importante era o tempo. Nesta época e a esta hora as condições são pouco definidas, a térmica é pouco concreta durante várias horas até que se define durante o dia. Porém não podíamos sair ao meio dia, pois calculamos que seriam necessárias 6 horas de vôo.”

A travessia
    
No primeiro dia não conseguiram, aterrissaram não muito longe do ponto de partida, logo após 2,5 horas de vôo. “Neste dia não chegamos nem a metade do caminho, pois levamos muito em conta a segurança e não quisemos nos afastar da rota”, recorda Hernán.
 “No segundo nos lançamos à travessia. Deixamos a rota de lado e nos concentramos no vôo. Havia momentos em que estávamos muito concentradas, aproveitando todos os centros de ascendentes para não nos metermos em nenhum lugar descendente, já que se perdêssemos a térmica, estaríamos complicados.”

“Durante o voo, alcançamos aproximadamente 3.300 mt de altitude. Cruzamos baixo, apenas por cima das cristas e as vezes até mais abaixo. Teria sido mais cômodo cruzar a 5.000 mt, porém não tivemos estas condições, o que tornou mais difícil.”

 “Quase no final do percurso, o teto subiu e ascendemos mais alto. Aí pudemos ficar mais relaxados, aproveitamos para respirar um pouco e saborear o momento. A vista era impressionante, porém ainda nos faltavam 30 km para completar a travessia”.

Um final que quase não foi feliz...    

Logo após terem ganhado altura, a grande aventura poderia ter acabado em desastre. “Aproveitamos para fazer umas imagens. Foi o único momento em que nos desconcentramos: tivemos um ponto baixo muito complicado e acabamos passando a 2 metros de uma parede de rocha!”

...e que felizmente foi    

“Por sorte pudemos recuperar a altura e a comodidade”. A travessia durou um total de6 horas. “Ter conseguido foi uma satisfação incrível. No planeio final quando voamos os últimos quilômetros, foi alucinante”, concluí Hernán Pitocco.
 

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