Quanto suportam as ancoragens em que nos penduramos? Teste de ancoragens de escalada! - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
Estudo sobre ancoragens na Espanha

Quanto suportam as ancoragens em que nos penduramos? Teste de ancoragens de escalada!

Neste teste foram reproduzidos alguns dos ensaios destrutivos realizados pela empresa Asac Formación (Espanha) que submeteram até a ruptura diversos tipos de ancoragem para escalada utilizados na Espanha, como Spits, micro perfuradores, parabolts, cordeletes entre outros comumente utilizados pela comunidade de escaladores de lá, obtendo conclusões interessantes.

Fonte: Desnivel

Tensores, parabolts, spits, perfuradores, correntes, mailons, argolas, pítons... nas paredes encontramos uma grande variedade de ancoragens fixas, cada uma com suas particularidades e resistências. Ainda que não tenhamos a intenção de nos tornarmos um conquistador/equipador de vias, conhecer os distintos tipos de ancoragens, suas resistências e qualidades, é fundamental para qualquer escalador, pois evidentemente não é a mesma coisa voar em uma ancoragem química recém instalada no granito ou em uma ancoragem feita com cordelete de 6 mm em um furo no calcário.

Ensaios destrutivos

A título de experimento e equipados com máquinas de tração mecânica e equipamentos de medição, a equipe da Asac realizou uma centena de provas em diferentes suportes de concreto e tipos de rocha. A título de curiosidade foram apresentados alguns valores obtidos:

1 – Chumbador Spit (M8x30, cunha de 12 mm), recém instalado e corretamente expandido. Resistência ao arrancamento: 14,26 kN (superfície: concreto, resistência a compressão de 310Kg/cm2)

2 – Chumbador Parabolt Hilti HSA-R (M10x83, inoxidável A4), recém instalado. Resistência: 25,5 kN. Na imagem pode-se apreciar os esforços de arrancamento produzidos em sua extração. (superfície: concreto, resistência a compressão de 310Kg/cm2)

3 – Mailon sem marca de 6 mm, galvanizado e de “aço doce” (baixo conteúdo de carbono), recuperado da via “Duro de pelar” em San Bartolo (Cádiz), com 15 anos de uso. Resistência: 10,34 kN.

4 – Fita anel plana de 26 mm (poliamida) da marca Beal fechada através do nó de fita. Estava completamente nova, sem marcas de uso, porém estava exposta ao sol e as intempéries do tempo durante um ano. Resistência: 9,81 kN (O fabricante marca em sua ficha técnica uma resistência de 19 kN neste tipo de fita).

5 – Chumbador Micro perfurador M8x15 com chapeleta recuperável. Resistência ao arrancamento: 5,2 kN. (superfície: concreto, resistência a compressão de 310Kg/cm2)

6 – Mosquetão Faders, modelo Free (de duralumínio), resistência marcada pelo fabricante 22 kN. Resistência real após 16 anos de uso: 24, 32 kN.

7 – Anel de cordelete Beal de 7 mm (poliamida), fechado através de um nó pescador triplo. Esteve exposto através das intempéries do tempo na parede de Chamizo (Villanueva Del Rosário, Málaga) durante 4 anos. Carga de ruptura: 7,02 kN. Deslizamento do nó: 25 mm. O fabricante marca para este tipo de anel uma resistência de 16,8 kN.

8 – Chumbador Spit M8x30, cunha de 10 mm recém instalado. Resistência ao arrancamento: 9,74 kN. Na imagem podemos apreciar como ele não foi totalmente expandido (superfície: calcário, resistência a compressão de 430Kg/cm2).

9 – Chumbador HKD da marca Hilti, M10x25, cunha de 12 mm, ancoragem de expansão por cone interno. Resistência ao arrancamento: 7,89 kN. (superfície: calcário, resistência a compressão de 430Kg/cm2).

10 – Chumbador Parabolt sem marca M8x75, bicromatado e de aço carbono, recém instalado e esforço de arrancamento com chapeleta recuperável. Resistência: 7,01 kN.

11 – Argola caseira de 10 mm em de cabeceira de via, com solda medíocre, exatamente na zona de trabalho da corda: 7,94 kN.

12 – Cabo de aço de 7 mm, montado com dois clips (um deles mal instalado), com 15 a 20 anos de uso, formava junto com a argola citada anteriormente a cabeceira de uma via clássica do Cerro Del Hierro, “No te salgas de la arista turista”. Resistência máxima alcançada sem chegar a ruptura: 40,21 kN.

É importante salientar que a resistência a compressão dos diferentes suportes e tipos de rocha em que foram instaladas as ancoragens foram obtidas com um Esclerômetro. Alguns dos ensaios foram realizados sobre uma superfície de concreto com (segundo os autores dos ensaios) uma resistência média muito parecida com a encontrada na pedreira do Peñon de los Enamorados, um calcário médio. O restante das provas foi realizado na pedreira de Antequera, sobre um calcário de qualidade extraordinária, como pode-se comprovar nos valores obtidos.

Nos casos dos dispositivos mecânicos representados na imagem, devemos lembrar que haviam sido recentemente instalados, portanto, nem a ancoragem, nem a superfície sofreram algum tipo de estresse, tampouco acumularam o desgaste produzido pelas sucessivas quedas em escalada. Ainda assim, poucos destes dispositivos seriam capazes de passar nos requisitos de segurança exigidos pela norma EN 959 Ancoragens para Rocha (15 kN de arrancamento e 25 kN de cisalhamento).

Por outro lado, sabemos que as formas máximas requeridas nestas ancoragens são muito inferiores aos requisitos normativos. Estudos realizados pela Comissão Técnica da Escuela Andaluza de Alta Montaña (EAAM), atestam que os esforços transmitidos ao ponto de parada (reunião) durante uma descida dificilmente superam os 4 kN e Chris Harmstrong, encarregado pela gestão de qualidade da Black Diamond, o qual estudou por oito anos a ruptura dos diferentes tipos da ancoragem e a força máxima exercida sobre elas durante as diferentes quedas em escalada, crê que em raras ocasiões são geradas forças superiores a 10 kN.

Conclusões

Estes experimentos de forma alguma podem levar a conclusões gerais sobre a resistência das ancoragens, já que é uma amostra muito específica do comportamento de alguns sistemas de ancoragem sobre um tipo de superfície específico. Como mencionado no início, saber qual tipo de ancoragem é mais indicada para determinado tipo de rocha ou avaliar seu desgaste, não são conhecimentos exclusivos dos conquistadores/equipadores e de vital importância para nossa segurança na escalada.

Os ensaios foram realizados durante os diferentes cursos sobre ancoragens realizados pela empresa Asac Formación organizados por Curro Martínez e Tino Nuñez e com a participação de grandes profissionais da área como Joan Lluis Haro, Tente Lagunilla e Jose María Sánchez Leal.

Sobre as ancoragens No Brasil

Nos anos de 1998 e 1999 foi realizado por Marcelo Roberto Jimenez e Miguel Freitas um amplo estudo sobre as ancoragens fixas brasileiras denominadas “Grampos”. O conteúdo deste estudo pode ser acessado através deste link: http://www.carioca.org.br/doc_tecnicos/grampos.pdf

Outro estudo bem abrangente foi publicado por Miguel Freitas e André Ilha em 2012, porém este sobre ancoragens de titânio para uso em ambientes salinos. Link: http://www.femerj.org/images/arquivos/a_introducao_dos_grampos_de_titanio_no_brasil.pdf

Davi Marski também publicou seu estudo: http://www.marski.org/artigos/artigos-tecnicos/56-artigos/428-protecoes-fixas

Você encontra ancoragem fixa para equipar suas vias na Loja AltaMontanha.com: http://lojaam.com.br/escalada/ancoragem-fixa.html

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