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Últimos carros ilhados depois da tempestade de 25/03 são resgatados nos Andes

A tempestade que caiu sobre os Andes no dia 25 de março de 2015 deixou várias vítimas, destruiu estradas e também deixou ilhados diversos carros de pessoas que tentavam escalar montanhas. Os dois últimos foram retirados do isolamento apenas na semana passada, após 7 meses abandonados.

Fonte: Redação

Após 7 meses ilhados no meio dos Andes, 2 carros de montanhistas que pretendiam escalar o Monte Pissis, a terceira montanha mais alta da cordilheira foram finalmente resgatados. 
 
Os carros, 2 caminhonetes Toyota Hilux, pertenciam aos guias de montanha Rubém Barrera e Marcelo Acosta, de Mendoza na Argentina. Acosta, que era professor da Escola Provincial de Guias de Montanha (EPGAMT), faleceu há quatro meses por um súbito ataque cardíaco.
 
A tempestade de 25 de Março de 2015 foi uma das mais fortes que caiu sobre os Andes matando o montanhista indiano Malli Mastan Babu que estava no Nevado Três Cruces, a quinta montanha mais alta da cordilheira situada ao norte do Pissis. Ela destruiu estradas, deixou montanhistas ilhados no Pissis, Walther Penck, Llullaillaco e Cerro Veladero e também ocasionou uma enorme enchente que alagou a cidade de Copiapó e deixou uma expedição brasileira que acabara de escalar o Vulcão Ojos del Salado ilhada nesta cidade chilena.
 
Na ocasião da tempestade, haviam 10 pessoas no Pissis. Como eles estavam sem comunicação, foram pegos de surpresa no acampamento base da montanha. Rubém Barrera, proprietário de uma das caminhonetes, disse que toda a comida do grupo estava em uma barraca situada no acampamento 1 da montanha e eles tiveram muita dificuldade em conseguir resgatar os alimentos e começar a empreender uma marcha à pé até a cidade mais próxima.
 
O acampamento base do Pissis fica 90 quilômetros de distancia da Ruta 60, que é uma estrada asfaltada e de lá mais 90 até a pequena cidade de Fiambalá. O grupo andou cerca de 70 quilômetros à pé até serem resgatados em helicóptero 5 dias depois. Eles pegaram neve até a cintura quase todo o percurso. Em 2012 uma motoniveladora deixou esta estrada, que era apenas percorrida por veículos 4x4, em boas condições, mas o clima impiedoso da Puna já mudou esta realidade e o local que era de fácil acesso agora ficou mais complicado.
 
Barrera achou que iria perder sua caminhonete, pois no inicio do mês de setembro um outro carro foi resgatado na região, o jipe da inglesa Marion Brown, que estava com a pintura fosca após ter sido jateada com areia pelos ventos da Puna. Diversos vidros também estavam quebrados pelo mesmo motivo, já que os ventos da região são fortes o suficiente para carregar pedras.
 
Ninguém esteve no acampamento base do Pissis desde a tormenta, isso por que acumulou tanta neve no caminho que não houve tempo suficiente para a mesma derretesse. Isso mudou no começo do mês de novembro quando uma expedição brasileira composta por Maximo Kausch, Pedro Hauck e Jovani Blume esteve na região e abriu caminho com um jipe 4x4 preparado. Os brasileiros usaram o local onde estavam as caminhonetes como base para escalar o Vulcão Parofes, montanha batizada por eles que era o cume virgem mais alto dos Andes.
 
Ao encontrar os veículos em bom estado, Maximo ligou de seu telefone via satélite para Jonson Reynoso, especialista em organizar travessias 4x4 na região e 2 dias depois ele e Barrera já estavam na base do Pissis para resgatar os veículos.
 
Parados há tanto tempo, o diesel das caminhonetes viraram parafina e a bomba de combustível parou de funcionar. O montanhista Jovani Blume, que é mecânico deu sua contribuição e junto com os demais elaborou um tanque de combustível improvisado no capô dos carros com mangueiras que levou combustível até o motor. Desta maneira os veículos funcionaram e dirigindo foram removidos da montanha.
 

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