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Expedição Andes 6K+

Brasileiros são protagonistas mundiais em exploração de montanhas andinas

Entre Novembro e Dezembro de 2016, uma expedição multi nacional liderada pelo montanhista Maximo Kausch escalou 11 montanhas nos Andes, sendo 9 delas acima de 6 mil metros e a maioria muito pouco escalada e conhecida até então.

Fonte: Redação

A cordilheira dos Andes é a mais extensa cadeia de montanhas do mundo, com mais de 6 mil quilômetros de extensão, indo do Caribe até a Terra do Fogo. A montanha mais alta da cordilheira, que também é a mais alta do mundo fora o Himalaia, é o Aconcágua, com 6962 metros de altitude, uma montanha muito famosa e bastante frequentada que é uma referência quando se fala em montanhismo na América do Sul. 
 
A badalação do Aconcágua é algo oposto para a maioria das demais montanhas de 6 mil metros dos Andes, que até pouco tempo atrás nem se sabia quantas elas eram. Isso começou a mudar com uma pesquisa levada a cabo pelo montanhista argentino radicado no Brasil Maximo Kausch e a cientista inglesa Suzie Imber, que usando dados da NASA, mapearam e quantificaram estas montanhas. Eles concluíram que nos Andes existem 104 picos acima de 6 mil metros e Maximo, que leva a vida como guia de montanha no Aconcágua, decidiu escalar todas elas.
 
Esta descoberta veio carregada de significado para o montanhismo. Depois de 1986, quando o alpinista italiano Reinhold Messner escalou todos os 14 cumes acima de 8 mil metros (as mais altas do Himalaia), surgiram diversos projetos que reunia a ascensão de montanhas com características semelhantes, que passou a se chamar de “Grand Slam” do montanhismo. São elas, além dos 14 oito mil do Himalaia, a ascensão de todas as montanhas com mais de 4 mil metros dos Alpes (84), todas com mais de 5 mil na América do Norte (10), os 7 cumes (o mais popular, cujo o próprio Aconcágua faz parte), entre outras menores. Escalar todos os 6 mil andinos (104), era algo inimaginável, que ninguém havia proposto fazer anteriormente, seja pelo grande volume de cumes, quanto pela dificuldade.
 
A expedição Andes 6K +, como foi batizado o projeto, está sendo realizado em diversas etapas desde 2011 por Maximo Kausch, que em 2016, já após ter se tornado o recordista mundial em ascensões de 6 mil andinos, conseguiu um financiamento para realizar mais uma etapa, desta vez para escalar o que faltava para ele completar todas as montanhas desta altitude entre o Chile e Argentina, que eram 12 montanhas.
 
Para esta etapa, Kausch convidou seu amigo, o montanhista paulista Pedro Hauck, que escala junto com ele há quase 20 anos, Suzie Imber, que o ajudou na pesquisa científica para mapear as montanhas, o fotógrafo e documentarista paulista Gabriel Tarso, o mecânico gaúcho Jovani Blume e a montanhista paranaense Maria Tereza Ulbrich.
 
O grupo se dirigiu à Argentina em dois veículos 4x4 especialmente preparados e uma moto. A utilização dos veículos foi de grande importância para fazer a aproximação das montanhas que eles queriam escalar. Na lista estavam alguns dos picos mais remotos e de mais difícil acesso de toda cordilheira dos Andes, montanhas que foram conquistadas há pouco tempo e que até hoje receberam pouquíssimas repetições.
 
A primeira dificuldade da expedição aconteceu antes mesmo do grupo chegar aos Andes. Em Corrientes (Argentina), eles foram assaltados e os bandidos levaram todo o dinheiro de patrocínio que eles haviam conseguido. Apesar do problema financeiro, Maximo bancou a expedição com o dinheiro de seu bolso e após a ascensão de duas montanhas na província de Salta para aclimatação, o Vulcão Tuzgle (5500m) e Acay (5770m), eles enfim fizeram seu primeiro cume de 6 mil, o Antofalla, que em seu cume de 6440 metros tem uma ruína inca.
 
Após esta primeira montanha, o grupo atravessou o planalto desértico da Puna do Atacama e escalou duas montanhas extremamente remotas que foram dois dos últimos 6 mil andinos a serem conquistados na história, o Cerro Colorados e Vallecitos, de 6080 e 6170 metros respectivamente.
 
Após estas escaladas Maria Tereza retornou ao Brasil, e o resto do grupo se dirigiu até a região do Paso San Francisco e escalou o Vulcão El Condor, de 6414 metros, uma montanha de acesso muito difícil e perigoso que foi escalada pela primeira vez em 2003 e que conta com poucas ascensões até hoje. Na sequência, Maximo escalou sozinho com sua moto o Pissis, que com 6800 metros é a terceira montanha mais alta dos Andes.
 
Deixando a região árida da Puna do Atacama, o grupo começou uma série de escaladas pelos Andes Centrais da província de San Juan na Argentina, onde a paisagem é caracterizada pelos vales profundos e as montanhas são marcadas por aproximações longas à pé. A primeira montanha desta região que eles escalaram foi o desconhecido Majadita de 6280 metros.
 
Após este cume, o grupo conseguiu uma permissão de uma mineradora de ouro e utilizando uma estrada privada da empresa conseguiu acessar o Cerro El Toro de 6168 metros, uma montanha que não era escalada desde 2009. Nesta montanha eles enfrentaram a neve afundando até o joelho e uma ascensão exaustiva de 1400 metros de desnível.
 
Atravessando a fronteira do Chile, as duas últimas montanhas de 6 mil metros foram escaladas próxima à região metropolitana de Santiago, o Marmolejo e o Nevado El Plomo
 
No Marmolejo (6108 metros), todos os integrantes do grupo fizeram cume juntos num dia de muito vento e frio. Esta foi a montanha mais popular que eles escalaram na etapa e a única em que encontraram outras pessoas, 3 montanhistas chilenos. Após este cume, Pedro e Jovani tiveram que voltar para casa e Gabriel, Suzie e Maximo escalaram a Nevado El Plomo (6070 metros) que é o 6 mil menos frequentado dos Andes centrais chilenos e que foi a montanha mais difícil, com uma aproximação de cerca de 40 quilômetros, muito vento e desnível vertical.
 
Antes, o grupo ainda tentou escalar o Cerro La Mesa, de 6200 metros, na Argentina. Porém eles foram abandonados pelos arrieros que transportavam seus equipamentos com mulas e tiveram que pernoitar sem saco de dormir e roupas apropriadas numa noite de nevasca e tiveram que desistir.
 
Apesar de não ter conseguido fazer as 12 montanhas que pretendia e ter enfrentado muitas dificuldades, esta etapa do projeto Andes 6K+ foi um sucesso e os números mostram que a equipe liderada por Maximo Kausch assumiu um papel de protagonismo mundial quando o assunto é exploração dos Andes. Kausch reafirma seu nome como o maior andinista de todos os tempos, com 72 cumes diferentes acima de 6 mil metros na cordilheira. Seu amigo Pedro Hauck, com 45, é o quarto montanhista com mais ascensões a montanhas desta altitude nos Andes, sua mulher, Maria Tereza Ulbrich, com 9 montanhas já é a brasileira mais experiente.
 
A expedição que foi inteiramente filmada por Gabriel Tarso, que no final da expedição somou 7 cumes de 6 mil mentros, será editada para virar um documentário ainda este ano. 
 
Maximo Kausch planeja escalar as 3 montanhas que lhe faltam para completar todos os 6 mil da Argentina e Chile ainda este ano. São elas o Cerro La Mesa de 6200 metros, o Alto San Juan de 6130 e o Negro Pabellon de 6070. Se ele completar estas escaladas se tornará no primeiro montanhista do mundo a realizar tal feito e lhe faltará apenas os 6 mil andinos do Peru, uma vez que ele e Pedro Hauck já fizeram todos da Bolívia.
 



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