Mozart Catão: Inspiração eterna - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
Herói do montanhismo brasileiro

Mozart Catão: Inspiração eterna

Na data de hoje, se vivo fosse, o carioca Mozart Catão completaria 55 anos. Embora tenha morrido precocemente (ano que vem farão 20 anos de seu passamento), suas atividades pioneiras em alta montanha continuam influentes e inspirando as novas gerações.

Fonte: Redação

por Rodrigo Granzotto Peron
 
BREVE BIOGRAFIA
 
Nascido em Teresópolis em 14 de junho de 1962, Mozart Hastenreiter Catão sempre demonstrou grande amor pelas montanhas, começando ainda adolescente a fazer caminhadas pela Serra dos Órgãos e escaladas em rocha. Aos catorze anos, ingressou no Centro Excursionista Serra dos Órgãos e passou a se dedicar com cada vez mais fervor às aventuras e ao montanhismo.
 
Graduou-se no curso de Educação Física na turma de 1984 do Centro Universitário de Volta Redonda - FOA/UniFOA.
 
TRAJETÓRIA EM ALTA MONTANHA
 
a) Primeiras Conquistas e Pioneirismo:
 
Sua primeira grande aventura foi o cume do Aconcágua (6962m), sozinho, aos 24 anos de idade. Nos anos seguintes, escalaria nos Andes e nos Alpes, culminando o Mt. Blanc (4810m).
 
Em 1991, realizou um impressionante speed ascent no Kilimanjaro (5895m), ascendendo do campo-base ao cume em 17 horas e 30 minutos, uma marca incrível para a época.
 
Em 1993, chamou a atenção de novo ao levar uma mountain bike até o cume do Aconcágua e descer parcialmente pedalando: de Nido de Condores (5600m) até Puente del Inca (2700m). No processo, sofreu princípio de congelamento em alguns dos dedos das mãos, mas voltou para casa feliz com o sucesso da expedição.
 
b) O Everest:
 
Com essas conquistas, Mozart passou a mirar mais alto e decidiu enfrentar a maior das montanhas, desdobramento natural de sua carreira.
 
Após intensa preparação e tendo conseguido patrocínio da Petrobrás, conseguiu ser incluído, juntamente com o paranaense Waldemar Niclevicz, na expedição comercial do renomado guia britânico Henry Todd (Himalayan Guides).
 
Primeiro foram ao Nepal, onde empreenderam marcha de aproximação a partir de Lukla. Na fase de aclimatação, realizaram a primeira subida nacional de que se tem notícia a picos subsidários próximos ao Everest: Chukung Ri (5.857m) e Imja Tse (6.173m), popularmente denominado Island Peak.
 
Em abril, voaram para o Tibete, alcançando o acampamento-base no dia 15. No 29º dia da escalada, nossos dois protagonistas acordaram à uma da madrugada e partiram, duas horas e meia após, do Acampamento 3 (8.200m). Depois de oito longas horas de dura escalada no ar rarefeito, com utilização de oxigênio suplementar, chegaram às 11:22h do dia 14 de maio de 1995, juntos e abraçados, no ponto mais elevado do planeta.
 
c) Projeto Sete Cumes:
 
Na volta do Everest, as relações entre Mozart e Niclevicz azedaram por questões ligadas aos direitos de filmagem, como o paranaense narrou em notória entrevista para a revista Playboy.
 
Não se sabe ao certo quem teve a ideia primeiro, mas ambos começaram uma vertiginosa corrida em busca dos Sete Cumes, em um duelo que foi ficando cada vez mais acirrado ao longo dos anos 90. Em 1996, Mozart fez o Elbrus; e Waldemar o Elbrus, o Vinson e o Kilimanjaro. Em 1997, Catão ascendeu o Denali e o Vinson, e Niclevicz culminou o Denali (solo). Na metade do ano de 1997 os dois estavam rigorosamente empatados, faltando-lhes apenas o Carstensz, na Indonésia.
 
Naqueles idos, a montanha estava fechada para estrangeiros por conta de problemas políticos e insurreição popular. Waldemar, em um passo ousado e ambicioso, conseguiu entrar clandestinamente na Indonésia e coroou o Carstensz em 20.09.1997, encerrando a disputa e tornando-se o primeiro brasileiro a completar os 7 Cumes - Versão Carstensz.
 
d) A Face Sul do Aconcágua:
 
Tendo Niclevicz conquistado os 7 Cumes, Mozart Catão então voltou-se para outro projeto pioneiro e ambicioso, a primeira escalada brasileira da Face Sul do Aconcágua, precipício de três quilômetros de desnível e elevado grau de dificuldade técnica.
 
Para tanto, passou a treinar freneticamente em 1997, chegando a, em apenas uma semana, escalar 20 picos da Serra dos Órgãos, na região de Teresópolis, entre eles o Dedo de Deus. 
 
Partiu, então, no início de 1998, novamente com apoio da Petrobrás, na companhia de Othon Leonardes (brasiliense, 23 anos), Alexandre de Oliveira (carioca, 24 anos), Ronaldo Franzen (paranaense, 32 anos) e Dálio Zippin Neto (paranaense, 31 anos), rumo ao Flanco Sul da Sentinela dos Andes.
 
Após um início empolgante, foram surpreendidos por avalanche aos 6200 metros, vindo Mozart Catão, Othon Leonardes e Alexandre de Oliveira a falecer no dia 3 de fevereiro de 1998, a maior tragédia da história do montanhismo brasileiro.
 
A família, consternada, colocou comovente placa aos pés do Aconcágua, com os seguintes dizeres: “Deus o deixou repousar na montanha, tendo consigo a bandeira congelada de sua pátria. Você e suas conquistas estarão para sempre em nossos corações!”.
 
e) Principais conquistas em alta montanha:
 
1987 - Aconcágua - cume (solo)
1990 - Mt. Blanc - cume
1991 - Kilimanjaro - cume em 17h30m (speed ascent)
1993 - Aconcágua - cume (e descida de mountain bike)
1995 - Island Peak - cume
1995 - Chukung Ri - cume
1995 - Everest - cume (pelo flanco tibetano)
1996 - Elbrus - cume
1997 - Denali - cume
1997 - Mt Shinn - cume
1997 - Vinson - cume
1998 - Aconcágua - cume (3º cume, rota normal)
 
HOMENAGENS PÓSTUMAS
 
Após sua morte, foi capa de inúmeras revistas e jornais, e recebeu várias homenagens.
 
Recebeu o título de Cidadão Benemérito do Estado do Rio de Janeiro (Resolução n. 206/1995).
 
Em 2009, foi agraciado postumamente com a Medalha Tiradentes, alta distinção dada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
 
Em 2012, virou estátua talhada em bronze, pelas mãos do Liboredo Atelier, de Teresópolis.
 
Além disso, parte de seus equipamentos de escalada estão expostos no Museu do Esporte de Teresópolis, além de ter virado nome de uma trilha no Parque Nacional da Serra dos Órgãos.
 
RELEVÂNCIA PARA A PRESENTE E AS FUTURAS GERAÇÕES
 
Como se pode ver, Mozart será para sempre lembrado como um dos grandes expoentes de nosso país em alta montanha, alguém que buscava de forma incansável quebrar seus limites e realizar atividades diferenciadas, mirando montanhas, rotas e aventuras nunca antes realizadas por nenhum brasileiro. Uma grande inspiração e um exemplo a seguir.
 
 
Autor: Rodrigo Granzotto Peron
Finalização do texto: 14.06.2017
 

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