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Karakoram

Atualizações sobre a Temporada do Paquistão 2017

Prosseguindo na temporada de escaladas de verão do Paquistão, nota-se que houve cumes em todas as montanhas de 8000 metros e muitas histórias interessantes começaram a brotar.

Fonte: Redação

por Rodrigo Granzotto Peron
 
CUMES NO NANGA PARBAT
 
Em duas levas, foram ao cume do NP o coreano Kim Hong-Bin e a chinesa Luo Jing (foi o 11º cume oitomil para ambos), além de Naoko Watanabe e grupo de sherpas.
 
A equipe da Dreamer’s Destination (de Mingma Gyalje Sherpa) infelizmente parou na antecima em 11 de junho devido a um erro de navegação.
 
CUMES (?) NO BROAD PEAK
 
O Broad Peak, em tese, foi a montanha mais culminada nessa temporada, com 32 “êxitos” pelas empresas Furtenbach Adventures, Kobler & Partner, Lela Expeditions e Dreamer’s Destinations.
 
Por outro lado, surgiram indícios fortes de que muitos dos alpinistas pararam na antecima (falso cume). Com efeito, para atingir o cimo do Broad Peak é necessário deixar a antecima (8035m) para trás e progredir por um quilômetro e meio ao longo da aresta somital até o ponto onde fica o verdadeiro cume da montanha (8051m).
 
Assim, em análise preliminar, por exemplo a Dreamer’s Destinations parou na antecima, segundo as primeiras fotos divulgadas por John Snorri Sigurjónsson, integrante do time, e pela marcação do racetracker utilizado pelo islandês.
 
O equívoco é bastante comum e não seria de espantar se, depuradas as antecimas, o número de cumes caia pela metade na análise final.
 
De se elogiar a atitude da renomada empresa austríaca Furtenbach Adventures, que já divulgou os nomes de quem fez cume separadamente daqueles que ficaram na antecima.
 
CUME BRASILEIRO NO GASHERBRUM II
 
Pela ordem cronológica, o Gasherbrum II (8035m) foi a terceira montanha culminada na temporada, em 16 de julho. Pisaram no ponto mais elevado dupla francesa, o americano Colin Haley, trio ucraniano, dupla italiana pela Lela Expeditions e Marcos Costa.
 
O cume do brasileiro foi uma agradável surpresa, pois no início da temporada ele estava incluído em permit para escalar o vizinho Gasherbrum IV (7925m). Não havia informação de que escalaria o G2, que foi o seu primeiro 8000.
 
Assim, Marcos Costa tornou-se o terceiro brasileiro, após Michel Vincent e Waldemar Niclevicz, a culminar essa montanha paquistanesa.
 
CÉU E INFERNO NO K2
 
No dia 24 de julho começou o ataque conjunto ao cume do K2, englobando vários alpinistas, a maior parte deles integrantes dos times de Mingma Gyalje Sherpa (Dreamers Destinations) e de Russell Brice (a conceituada Himex).
 
Após árdua escalada, os times se posicionaram no último acampamento (C4), prontos para atacar o cume entre os dias 27 e 28. As condições climáticas estavam erráticas (nevava bastante e ventava muito) e a previsão do tempo indicava que uma nova frente de tempo ruim estava prestes a chegar (entre os dias 28 e 29).
 
Considerando essas variáveis, os dois líderes de expedição tiveram atitudes diferentes.
 
Russell Brice optou pela segurança do time e determinou que todos abortassem o ataque ao cume e retornassem ao campo-base. Após reunião com os guias, sherpas e clientes, deu-se por encerrada a expedição e retornaram todos para casa.
 
Já Mingma Gyalje Sherpa resolveu arriscar e apostou que a frente de tempestade chegaria atrasada e moveu seu time direção ao cimo. A aposta mostrou-se acertada e no dia 28 de julho os doze integrantes da equipe alcançaram o cume do K2, após 14 horas de escalada difícil, mas foram gratificados com tempo bom e uma visibilidade incrível.
 
As consequências das escolhas de ambos repercutiram muito.
 
Mingma Gyalje Sherpa, da noite para o dia, virou estrela global, com seus feitos estampados na maior parte dos portais e sites de montanhismo, muitos dando conta de que o K2 era a quarta montanha de 8000 metros culminada pelo nepalês somente em 2017 (após Dhaulagiri, Makalu e Nanga Parbat [antecima]), um feito impressionante.
 
Por outro lado, infelizmente, a escolha equivocada do lendário Russell Brice pesou muito e ele publicou em seu site carta emocionada na qual assumiu os erros e anunciou que está abandonando o montanhismo guiado de alta altitude: 
 
Uma vez mais parece que eu fiz um mal julgamento da situação e deveria ter prosseguido na montanha. Eu fui ao K2 a pedido dos meus clientes porque eles confiam em mim. É uma grande honra mas também uma grande responsabilidade. Eu falhei, chegou a hora de abandonar esse jogo. Adorei todas as experiências que tive ao longo desses anos todos. Não fiquei rico nem me ajudou a ter uma vida doméstica estável, mas tive oportunidade de conhecer boa parte do mundo e encontrar pessoas muito interessantes ao longo dessa jornada. É hora de pendurar as botas de guia e calçar as botas de uma vida comum”. (Rus Brice, 2017).
 
CUMES NO GASHERBRUM I
 
Os únicos cumes no Gasherbrum I (8068m) foram da incrível dupla Marek Holecek e Zdenek Hak, que forjaram, como narrado aqui no Altamontanha, uma belíssima nova rota na íngreme Face Sudoeste do G1 no dia 30 de julho.
 
ATIVIDADES NOS CUMES MENORES
 
Encerradas as atividades nas montanhas de 8000 metros (aparentemente não há ninguém mais nos cinco gigantes paquistaneses), começa a segunda fase da temporada de verão, com as aventuras pelos cumes menores.
 
Há expedições interessantes em andamento no Chogolisa, Muchu Chhish, Trango Tower, Amin Brakk, Shispare, Baintha Brakk, K7, Latok I e Ogre II, que serão retratadas em mais detalhes nas futuras atualizações sobre a temporada.
 
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Autor: Rodrigo Granzotto Peron
Finalização do texto: 8.8.2017
 

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