Claudia Bento faz cume no Pico Lênin 7134m – Quirguistão - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
A mais forte montanhista brasileira

Claudia Bento faz cume no Pico Lênin 7134m – Quirguistão

A montanhista paulista Cláudia Bento fez cume no Pico Lênin, de 71345 metros, no Quirguistão no último domingo. Conheça um pouco mais desta montanha e desta grande escaladora.

Fonte: Redação

Confirmando uma ótima fase e ampliando seus horizontes, a montanhista paulista Cláudia Bento fez cume no último domingo, dia 13 de Agosto, no Pico Lênin, famosa montanha de 7 mil metros que faz parte do roteiro dos Leopardos das Neves e que fica na fronteira ente o Quirguistão e o Tadjiquistão, na cordilheira do Pamir, na Ásia Central.
 
Os Leopardos das Neves são as montanhas acima de 7 mil metros que ficam dentro do antigo território da União Soviética (que se dissolveu em 1991). Fazem parte as montanhas:  Ismoil Somoni Peak de 7495 m (também chamado de Pico Comunismo, localizado no Tadjiquistão), Jengish Chokusu 7439 m (também chamado de Pico Pobeda, localizado na fronteira do Quirguistão com a China), Ibn Sina Peak 7134 m (nome local do Pico Lênin, na fronteira do Quirguistão e Tadjiquistão), Pico Korzhenevskaya 7105 m (localizado inteiramente no Tadjiquistão) e Khan Tengri 7010 m (localizado na fronteira do Quirguistão com o Cazaquistão).
 
Evidentemente , pela localização, trata-se de expedições em países extremamente exóticos, que misturam a cultura russa, que dominou a região, com a cultura mongol, turca e muçulmana, que sempre influenciou a Ásia Central. Alguns dos países onde ficam os Leopardos, como o Tadjiquistão, sofre com agitações políticas por conta da influência do Al Qaeda do vizinho Afeganistão. Escalar estas montanhas é uma grande aventura em todos os aspectos.
 
Após o fim da União Soviética, os novos países foram aos poucos enaltecendo sua cultura e mudaram os nomes das montanhas. O Lênin, apesar de ter sido rebatizado de Ibn Sina, continua sendo chamado pelo nome antigo, pois os tadjiques não imaginavam que os ocidentais tivessem tanta dificuldade em falar o nome da montanha.  No Quirguistão manteve-se o nome antigo, que foi dado à montanha no ano de 1928. O Lênin foi apenas conquistado 6 anos mais tarde por escaladores soviéticos.
 
A rota normal do Lênin tem pouca dificuldade técnica, o que atrai muita gente. Hoje ele é considerado com sendo um dos 7 mil mais acessíveis do mundo. No entanto isso não significa que ela é fácil, até por que há muitos trechos perigosos. Em 1990 aconteceu na montanha a maior tragédia da história do montanhismo, quando uma avalanche matou 43 montanhistas !
 
Antes de Cláudia Bento, o Lênin já havia sido escalado por outros 4 brasileiros: Waldemar Niclevicz e Irivan Burda em 2009, Victor Carvalho em 2013 e Bruno Versiani em 2014. Claúdia foi a primeira mulher e certamente foi quem pegou a pior condição de todos!
 
Neste ano as condições climáticas não estava nada fáceis. A temperatura estava muito acima do normal na base e isso provocou muitas nevascas. Com muito mais neve, houve condições para formação de muitas avalanches. Uma delas, de grande proporção, atingiu em cheio uma expedição que se movia em direção ao acampamento 2. Por sorte ninguém morreu!
 
Este incidente ocorreu uma semana antes da expedição brasileira chegar na montanha e eles só foram descobrir depois que o vídeo viralizou na internet e os parentes mandavam mensagens preocupados com o montanhistas brasileiros que estava na montanha.
 
Vídeo mostrando a grande avalanche que engoliu uma expedição no Pico Lenin em 2017.
 
A Expedição Brasileira era composta por 7 pessoas:  Paula Kapp, Vinicius Vieira, Roberto Mendoza, Alexandre Sanfurgo, Tatiana Batalha, Jeni Valentin e Claudia Bento. Todos já tinham experiência em grandes altitudes nos Andes e com excessão de Jeni, todos já tinham escalado o Aconcagua recentemente e estavam confiantes. As avalanches frequentes e a dificuldade física imposta pelo excesso de neve foi minando o psicológico e o físico de todos os integrantes. No ciclo final de cume, apenas Vinicius, Paula e Claudia tinham condições de ir para o cume.
 
Vinicius, que tem 7 cumes de 6 mil em seu currículo, desistiu logo na sequência. Paula, que é a brasileira com mais cumes de 6 mil metros nos Andes (9, empatada com Maria Tereza Ulbrich, mulher do montanhista Pedro Hauck) e com quem Claudia fez cume no Aconcagua no começo do ano, não aguentou o cansaço físico e desceu até a base para esperar Claudia fazer o cume e voltar. Ela presenciou o drama do montanhista japonês que congelou o pênis depois que o zíper da calça emperrou e ele ficou com a braguilha aberta. Apesar do calo na base, as nevascas fizeram a temperatura em altitude despencar e quase todas as expedições desistiram por conta disso.
 
Claudia Bento enfrentou o frio extremo para enfim alcançar o cume de 7134 metros da montanha nesta difícil temporada. O desafio foi imenso e o frio extremo provocou congelamentos de segundo grau na ponta dos dedos e nas orelhas de Claudia, que agora está a caminho de Bishkek , para depois voltar a São Paulo.
 
Com esta escalada, Cláudia vai se confirmando como uma das montanhistas mais fortes do Brasil. Ela tem 4 cumes de 6 mil metros nos Andes (Huayna Potosi, Parinacota, Illimani e Aconcagua), as 3 ultimas escalada em expedições femininas,  independentes e com mal tempo! Fora isso, ela também já escalou o Elbrus, Mont Blanc e também algumas montanhas no Equador. É uma figura carimbada em travessias brasileiras, como Serra Fina, Marins x Itaguaré, Serra do Ibitiraquire e outras. Tem grande talento em escalada em rocha e não tem medo de nada!
 

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