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Restrição duvidosa

Situação atual dos oito mil tibetanos: Abertos ou fechados?

A Expedição de Maximo Kausch no Cho Oyo despertou muitas dúvidas de leitores e até mesmo dos editores do Altamontanha, pois a China havia imposto uma proibição à expedições no Tibet. Assim mesmo, o brasileiro/argentino está lá e junto com ele há Sherpas e muita coisa que os chineses haviam proibido. O que afinal aconteceu no Tibet?

Fonte:

As Olimpíadas de Pequim foi a chance perfeita para que os tibetanos mostrassem ao mundo sua luta contra a invasão chinesa, que há mais de 50 anos controlam o país de Dalai Lama com mãos duras.

Com as atenções todas voltadas para a China neste ano, os tibetanos rebeldes foram às ruas e provocaram um grande protesto que foi coibido à maneira chinesa. O que houve? Ninguém sabe, pois desde então o Tibet foi fechado aos ocidentais e tudo que se sabe são rumores. Everest, Cho Oyo, Shishapangma, todas as montanhas que são acessadas pelo lado tibetano do Himalaia foram igualmente proibidas de serem escaladas. Os chineses não querem que o mundo saiba o que acontece no Tibet.

Acabaram as Olimpíadas, mas as proibições na China persistiram, será que os problemas em Lhasa continuam? Os chineses não querem que saibamos! Entretanto uma luz no final do túnel foi acesa e depois de muitos rumores, algumas expedições, muito poucas, receberam a permissão de escalar montanhas tibetanas neste segundo semestre. Entre elas a expedição da Summitclimb liderada pelo americano Dan Mazzur, na qual nosso jovem montanhista, meio brasileiro, meio argentino, Maximo Kausch trabalha como guia em treinamento.

Max, um dia antes de cruzar a fronteira com o Tibet, falou por telefone com Pedro Hauck, colunista do Altamontanha e amigo pessoal, com quem escalou uma dezena de vezes nos Andes. Ele contou que naquele dia ainda não sabia se iria ou não para o Cho Oyo e que se os chineses os impedissem, eles iriam ao Manaslu. Disse também que não iriam levar rádio VHF, não teria telefone via satélite e nem teria Sherpas trabalhando na expedição. Achávamos que seria a última notícia que teríamos da expedição de Maximo, pois não é que estávamos errados!

Eis que a expedição de Mazzur atravessou a fronteira, realizou aclimatação em Nyalam, se estabeleceu no acampamento base, base avançado, perdeu todo um acampamento por uma tormenta e, pela internet ficamos sabendo de tudo! Sabendo inclusive que há Sherpas trabalhando na expedição, que há uma equipe multi-nacional (que também estranhamente era proibido!) e que, com certeza, há no mínimo um telefone via satélite na expedição, pois caso contrário não teríamos tido tantas informações. Informações inclusive que no acampamento base há oficiais chineses, onde, inclusive, os membros da expedição com problemas de altitude descem para se recuperar, ou seja, o Maximo não está dando "Cambau" no Himalaia.

Este fato estranho causou uma grande "dor de cotovelo" das outras expedições que foram impedidas de entrar no Tibet. Muitas delas concentram-se no Manaslu, que é uma montanha "fácil" no Nepal, algumas estão no Makalu e outras pro lado do Dhaulagiri, pegando neve. Muitas, a maioria, desistiu de ir. A pós-monção não é a melhor época de escalar no Himalaia e a recente tormenta no Manaslu, que destruiu todo um acampamento por lá, está fazendo os montanhistas pensarem melhor se foi uma boa idéia ter insistido e tentando uma montanha um pouco mais perigosa.

Jesus Calleja é uma das pessoas barradas pelos chineses. Ao invés de ir ao Manaslu, Calleja foi ao Makalu, muito mais difícil. No caminho ele passou pelo vale do Khumbu e relatou o desastre que essa proibição chinesa foi na economia dos Sherpas.

A diminuição das expedições e dos trekkings no Himalaia, ocasionou um grande desemprego entre eles. Uma expedição comercial precisa de dezenas, ou centenas de Sherpas. Eles não são somente os melhores guias de altitude, mas são também carregadores que levam os suprimentos e equipamentos não só na parte alta da montanha como na base também. Os Tamangs, que também desempenham este trabalho, também estão na mesma situação.

No vale do Khumbu não se fala outro assunto. Rezam e fazem "Pujas" para que no ano que vem volte a normalidade.

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