César Grosso fala sobre suas perspectivas para o campeonato na Venezuela - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
Entrevista com Césinha

César Grosso fala sobre suas perspectivas para o campeonato na Venezuela

O Escalador César Grosso - o Césinha - concedeu uma entrevista exclusiva para o Luciano Fernandes, do Portal AltaMontanha.com, acerca de suas perspectivas e seu treinamento para o Campeonato Centro Sul Americano de Escalada Esportiva.

Fonte:

A poucos instantes de embarcar para a Venezuela, está se sentindo preparado para a competição?
Muito, em todos os aspectos, os treinos estão rendendo, estou bem focado, como resultado estou me sentindo bem resistente e forte.

Desde a confirmação do campeonato na Venezuela como tem sido a sua expectativa?
Desde a confirmação deste campeonato meu foco tem sido exclusivo para ele, vivo para ele, e ainda com uma novidade, pois é a primeira vez que treino para via e boulder tendo como auge a mesma data para as duas modalidades, já que vamos todos participar de via, boulder e velocidade, todos nós.
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Qual a sua rotina de treinos desde então?
Os treinos são diários, 7 dias por semana, 32h semanais de treino, com 30 a 50 km/semana de corrida, 2h semanais de fisioterapia e o resto no muro, com diversas séries e sessões que variam muito conforme a data e o objetivo.

Dentro de sua planilha de treinamentos, quais são os locais que freqüenta para pô-los em prática?

A corrida faço na rua, ou em um lago do lado de casa ou na USP (gosto muito da tranqüilidade de lá), a fisioterapia faço na Biomecânica Funcional no qual tenho apoio deles e a escalada na Casa de Pedra, na qual também tenho apoio.

Para a elaboração de seus treinos, você teve algum auxílio de algum mentor?
Não, faço tudo eu mesmo, tive um treinador há 8 anos atrás, foi uma boa experiência, bem eficiente, abriu meu campo de visão para treinamento, mas por fim prefiro treinar só, conheço muitos que sabem “tudo” de fisiologia e bioquímica, mas a escalada vai infinitamente, além disso, me conheço bem e sei como meu corpo reage a diferentes estímulos desta modalidade. Mas claro que estudo, leio e tenho contato freqüente com excelentes treinadores e fisiologistas de outras modalidades, discuto com eles, leio um pouco mais sobre o assunto e por fim aplico em mim mesmo.

Você como nutricionista fez alguma alimentação especial?
Claro! Tenho uma alimentação controlada, balanceada, rica em carboidratos de boa qualidade e baixa em gorduras que ainda são de boa qualidade. Consumo as proteínas específicas que necessito pelo consumo nas atividades na escalada, com isso tenho um ótimo resultado nos treinos sem abrir mão do prazer.

Dentre os seus amigos, e conhecidos você é tido como alguém extremamente motivado, qual o segredo?
Sei lá... Sou muito “pilhado”, estou sempre com um projeto, uma meta, um objetivo na cabeça e me jogo com tudo a ele, já é natural, não me obrigo a nada. Gosto de fazer bem feito o que for fazer, se for cozinhar um jantar, vou fazer o melhor que posso, se for ver um filme tem que ser magnífico, se for dia de descanso, não levanto o dia todo e ser for para treinar... Aquele dia de descanso com certeza será merecido. ,

Dentro da sua preparação você foi ao Rio de Janeiro e encadenou vias de graus bem elevados com pouquíssimas tentativas. Como foi a experiência de escalar estas vias míticas?
Indescritível! Na verdade toda a viagem, ver amigos que não via á anos, tomar chuva, ir a um tradicional botequim carioca, vejo tudo isso como “escalada”, sendo assim estava me sentindo muito bem e não tinha porque ser diferente na hora de entrar uma via, estava com um espírito, atmosfera, etc, tudo muito bem a coisa fluiu. Foi uma satisfação muito, muito grande, ainda mais se tratando de vias como essas.

Muitos dos escaladores de alto grau, estes mesmos ficam a abrir vias pelo mundo afora, você pretende seguir esta linha?
Atualmente não penso nisso como prioridade, quero treinar para as competições deste ano e 2009, mas não nego nada... Qualquer proposta é bem vinda abrir via, livrar via, escalar um boulder, uma alta montanha... ”vamu que vamu”!

Você já sabe quem são os principais adversários que irá enfrentar?
Única e exclusivamente a via, não importa quem estiver, ou não estiver lá, se o cara cai na primeira ou última agarra, isso não vai alterar meu desempenho. Quem me derruba (ou não) é única e exclusivamente a via e não um adversário, ao contrário do boxe, ou tênis, por exemplo, por isso vejo somente a via como uma adversária, ou amiga, depende como eu me dou com ela.

Na equipe que irá representar o Brasil nesta competição haverá novidades, como ter um delegado. Qual a importância de haver um delegado no time?
O Delegado nos tira a preocupação e comprometimento técnica de reuniões, representações, ou a uma possível queixa, por exemplo, ele é o que representa a nossa Confederação. , Assim podemos nos concentrar mais e melhor na competição, sem contar que o atleta oficialmente não tem poder algum diante de uma Federação Internacional. Nosso delegado, Ricardo Leizer, que é o atual Presidente da APEE, irá representar o Brasil em uma Reunião Latino Americana de Escalada Esportiva.

Haverá pessoas “cara novas” na equipe como o Eric Teles e a Anna Shaw, como será tê-los como companheiros?
Excelente! Claro! Só vem a acrescentar á equipe Brasileira, a Anna já competiu no Equador no Campeonato Sulamericano juvenil em 2007, já tem certa experiência e está pilhada. O Eric é um grande escalador com um grande currículo de cadenas e campeonatos. Incluindo o (Campeonato) Brasileiro. Somos uma equipe que quanto maior for maior será nossa força com a nossa própria torcida.

Muita gente não sabe, mas você não possui patrocino, como foi arrecadar dinheiro para a sua participação?
È realmente o maior lastro de todos e decepcionante, realmente não tenho nenhum tipo de patrocínio, portanto para um campeonato desses, mundial, ou qualquer outro internacional tenho que juntar as economias para ir competir pelo Brasil, cada atleta banca TUDO de seu próprio bolso, passagens, hospedagem, translado, alimentação, inscrições e até mesmo o uniforme (feito por nós mesmos).
Mas sigo na luta por patrocínio.

Este ano você foi premiado pela revista GoOutside como destaque do ano de 2007, , desde então algo mudou desde lá? Houve alguma sondagem de patrocinadores?
Sondagem sempre houve, mesmo antes da premiação, talvez um pouco mais depois dela, mas sei como é, pois já tive más experiências quanto a isso, muitos querem te dar uma camiseta e uma cadeirinha “muito jóia” por ano em troca de 1Gb de imagens quinzenais, relatórios e participações em eventos, não preciso sem comentar mais, né?
Mas já tem algum tempo que busco patrocínio de empresas de fora do meio, que além de serem mais sérias e respeitosas, tem obviamente uma possibilidade de viabilizar um projeto maior.

Se quiser deixar alguma mensagem antes de embarcar, sinta-se à vontade. Boa sorte a você e à delegação brasileira na competição, tenha certeza de que vocês estarão no podium.
Só tenho a agradecer a todos pela força no dia a dia e pela torcida que nos leva á algumas agarras mais para cima.
Obrigado a todos
César Grosso

*Entrevista realizada em 7 de outubro de 2008, pelo Luciano Fernandes.
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