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Ele mandou noticias do Himalaia

Maximo fez cume no Cho Oyo sem oxigênio

O escalador Maximo Kausch mandou notícias do Himalaia. Falou sobre o terremoto, sobre a morte de Miha, do trabalho, dos chineses e do fato de ter feito o cume sem oxigênio e em apenas 5 horas e meia!

Fonte:

"Fazer o cume foi o mais fácil!" Estas foram as palavras do guia em treinamento Maximo Kausch para uma temporada pra lá de conturbada, que começou mal antes mesmo da expedição chegar à montanha.

Para começar, a expedição onde Maximo trabalha só soube que ia conseguir atravessar a fronteira com o Tibet em cima da hora. Foi uma das poucas que conseguiu os permissos para escalar o Cho Oyo.

Já na montanha, os chineses mantinham com mão dura o controle sobre as atividades do grupo. Max diz que eles impediam que os carregadores com yaks chegassem ao acampamento base com suprimentos e ameaçaram atirar em quem tentasse ajudar os ocidentais.

Não só a política conspirou contra, mas o tempo também. Esta temporada foi marcada por uma monção eterna que destruiu várias acampamentos da expedição na montanha, varrendo 22 barracas!

O resultado disso tudo foi que Maximo teve que trabalhar dobrado, mas houve recompensas, pois após todas estas provas, ele chegou ao cume sobrando:

Trabalhei muito, muito mesmo dessa vez e acabei ficando por último na escalada ao cume. No fim fui um dos 3 a fazer cume sem oxigenio e fiz em 5.5 horas somente, o mais rápido da expedição. Fiz trampos nas cordas no icecliff a 6700 mt que leva ao campo 2. Também instalei cordas no rockband a 7600 mt. Cavei muitas plataformas a 6500mt, a 7000 e a 7500 mts.

Chegar ao cume não foi o fim da expedição e dos problemas. Na descida, o eslovêno Miha Valic morreu. Maximo esteve com ele minutos antes de sua morte e ajudou nas buscas pelo corpo:

Tinha um cara eslovêno chamado Miha, muito gente fina. Na descida do campo 3 eu estava com ele e falou que tava com dor no peito. Depois fiquei sabendo que ele caiu ou tal na minha corda. inicialmente achei que a minha corda soltou, mas não foi isso. A minha corda ficou bem presa por que tinha 3 ancoragens boas. O Miha morreu na corda que eu coloquei, mas acho que foi por que ele tava tão fatigado depois do cume (ou tinha edema pulmonar) caiu, bateu a cabeza e morreu. Encontrei o corpo dele 1 dia depois e parei para falar tchau. Puta cara gente boa. Que pena... Ajudei o Anton, amigo dele a descer o corpo ate o 1.

As tragédias não acabaram por ai, fora Miha, ainda há outra morte, pois uma pessoa caiu do Campo 3 e desceu rolando até o 2. Seu corpo ainda está lá.

Terremoto

O regresso da expedição ao Nepal está sendo retardado por causa do terremoto que abalou o Tibet antes de ontém. Este terremoto matou 30 pessoas nas vilas do Tibet e destruiu a estrada até Tingri, por causa disto, a expedição está ilhada:

Um terremoto levou parte da estrada e não dá pra atravessar pro nepal. O TMA ta tomando conta da gente e já cobraram multas. Temos 3 toneladas de equipo na china sem poder passar.

Para piorar, a continuidade da expedição está ameaçada, pois a China novamente está restringindo as escaladas. Maximo continuará com a Summitclimb nesta temporada trabalhando em outra montanha, o Shishapangma, a 14 mais alta do mundo. Entretanto ele ainda não sabe se tem ou não o permisso para continuar.

Maximo Kausch


Maximo nasceu na Argentina, mas veio ao Brasil com 8 anos de idade. Começou a escalar por aqui, mas por falta de oportunidades migrou para a Inglaterra, onde trabalha. As dificuldades da vida não o impediram de seguir o sonho de escalar as montanhas mundo afora. Ele é dono de um dos melhores sites sobre montanhismo do Brasil, escrito em português e dirigido ao público brasileiro. Por este e outros motivos o Altamontanha trata as conquistas de Maximo como uma conquista do montanhismo do Brasil, pois ele viveu e superou todas as dificuldades de um escalador brasileiro.

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