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Niclevicz comenta o acidente de avião no Nepal

Sempre que acontece algum acidente entre as montanhas, recebo dezenas de e-mails, infelizmente! Foi assim há pouco mais de dois meses, no início de agosto, quando 11 alpinistas acabaram perdendo a vida no K2, bem como hoje pela manhã, quando um pequeno avião acabou se despedaçando na cabeceira da pista de pouso em Lukla, no Nepal.

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Apesar de toda a tristeza que envolve esses acidentes, é importante esclarecê-los, para de alguma forma tentar tranqüilizar parentes e amigos, ou mesmos aqueles amantes das montanhas que um dia pensam em visitar estes lugares. Como estamos em plena temporada de trekking e escalada na região do Everest, não é tão difícil encontrar amigos e conhecidos que estejam neste exato momento por lá, ou mesmo por aqui, muito preocupados com a tragédia que acabou de acontecer, preocupação sem nenhum exagero, pois o resultando foram 18 mortes.

O acidente que aconteceu em Lukla nesta manhã de quarta-feira, dia 8 de outubro, foi com um avião Twin Otter da Yeti Airlines, empresa que já utilizei diversas vezes, pois um de seus diretores é o dono da Thamserku Trekking, agência que organiza as minhas expedições ao Himalaia desde 1991.

O Twin Otter é um dos aviões mais robustos que existem, muito utilizado nas regiões polares e em áreas montanhosas. Além de diversos vôos que já fiz com este aparelho no Himalaia, também já o utilizei na escalada do Monte Vinson, a maior montanha da Antártida, e para voar da Islândia até a Groenlândia, na ocasião em que escalei as duas maiores montanhas do Ártico.

Como geralmente acontece com os vôos que partem de Kathmandu para Lukla, o Twin Otter decolou bem cedo, para evitar a formação das nuvens, às 6:51, e acabou se chocando com o solo às 7:31, incendiando-se em seguida, apenas a 50 metros antes de tocar a cabeceira do aeroporto. Momentos antes, dois outros vôos da Yeti Airlines haviam pousado em Lukla sem nenhum problema.

Segundo as autoridades, morreram no acidente: 12 alemães, 2 australianos, 2 nepaleses, o co-piloto e uma aeromoça. Apenas o piloto do avião sobreviveu, porém se encontra em estado grave. A causa de acidente foi provavelmente a má visibilidade devido a neblina, pouco se via além dos 400m.

A pista de pouso de Lukla foi renomeada em janeiro deste ano como “Aeroporto Tenzing-Hillary”, em homenagem aos conquistadores do Everest. Está a 2.860m de altitude, a 250Km de Kathmandu, e a 60Km do Everest. É a porta de entrada para a região nepalesa do Everest, que chega a receber até 35 mil visitantes por ano, principalmente durante a primavera (abril e maio) e outono (setembro e outubro), quando o tempo é mais estável, propício para escaladas e caminhadas na região.

É sempre um desafio pousar ou decolar em Lukla, a pista de pouso, com 527m metros de extensão, tem 12º de inclinação! Quem pousa se depara com uma rampa inclinada, o avião acaba parando no alto de uma subida! Quem decola acaba pegando embalo ladeira abaixo, deixando de tocar a pista poucos metros antes de um abismo de 700m!

A primeira vez que aterrissei em Lukla foi em agosto de 1991, e foi um tremendo susto, pois a pista ainda era de terra. Lembro do barulho quanto tocamos o solo cheio de pedras soltas, e de como chacoalhava a aeronave. Dois meses antes um Twin Otter da Royal Nepal Airlines também tinha se despedaçado na hora do pouso, matando 17 pessoas.

A ultima vez que estive em Lukla foi este ano, quando estávamos a caminho do Makalu, fomos até lá em um Twin Otter da Yeti Airlines, e então seguimos até o acampamento-base em um grande helicóptero russo. O pouso, a 4.800m, na base do Makalu, foi um grande susto! Se você ainda não viu as imagens vale a pena conferir: http://www.niclevicz.com.br/filme.wmv.

Se você for para o Himalaia, lembre que voar no ar rarefeito é perigoso, o ar não tem tanta densidade, é difícil estabilizar a aeronave, principalmente se o tempo estiver ruim. Não pressione a tripulação, tenha paciência e espere o tempo melhorar!

Um grande abraço,

Waldemar Niclevicz
http://www.niclevicz.com.br

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