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Quem será a primeira?

Duelo de Titãs

A busca pelo desafio sempre acompanhou homens e mulheres pelo mundo. Agora, três das melhores montanhistas do mundo chegam na reta final por mais um recorde: Ser a primeira mulher do mundo à chegar ao topo de cada uma das 14 montanhas com mais de 8 mil metros!

Fonte:

Por Rodrigo Granzotto Peron

I – Mulheres nos Cumes 8.000


As primeiras mulheres a pisarem no ponto mais alto de um pico 8.000 foram Naoko Nakaseko, Masako Uchida e Meiko Mori, em 1974, no Manaslu. No ano seguinte Junko Tabei foi a primeira a fazer cume no Everest. Junko foi também a primeira mulher a culminar dois picos 8.000 diferentes, quando também fez cume no Shishapangma, em 1981.

E então surge Wanda Rutkiewicz, a famosa alpinista polonesa começou uma carreira meteórica cumulando picos 8.000 um após o outro, e muitos deles por rotas alternativas bem difíceis. Antes de sua morte, havia dominado 8 cumes 8.000. Seu recorde somente foi suplantado 15 anos depois.

II – As Duelistas

Há três mulheres com reais chances de se tornar, já em 2009, a primeira mulher a culminar todos os 14 picos 8.000. No presente momento a disputa está muito emocionante e envolve:

A espanhola Edurne Pasaban Lizarribar nasceu em Tolosa, em 01.08.1973. Começou a escalar desde muito nova e já aos 17 fez cume no Chimborazo (Equador). O primeiro pico 8.000 tentado foi o Dhaulagiri, em 1998, e o primeiro conquistado o Everest, em 2001. Desde então ela enfileirou Makalu, Cho Oyu, Lhotse, Gasherbrum II, Gasherbrum I, K2, Nanga Parbat, Broad Peak, Dhaulagiri e Manaslu. Encontra-se nesse exato instante no Shishapangma, um dos cumes 8.000 que lhe falta (os outros que ela ainda não conquistou foram o Kangchenjunga e o Annapurna).

A austríaca Gerlinde Kaltenbrunner nasceu em Kirchdorf-an-der-Krems, em 13.12.1970. Começou a escalar bem cedo também, fazendo diversos cumes nos Alpes Austríacos. Seu primeiro cume 8.000 tentado foi o Broad Peak, em 1994, quando atingiu apenas o cume rochoso, 20m mais baixo, e o primeiro conquistado foi o Cho Oyu, em 1998. Desde então conquistou, na seqüência, Makalu, Manaslu, Nanga Parbat, Annapurna, Gasherbrum I, Shishapangma, Gasherbrum II, Kangchenjunga, Broad Peak e Dhaulagiri. Faltam para ela: Everest, K2 e Lhotse.

A italiana Nives Meroi nasceu em Bonate Sotto, em 17.09.1961. Começou a escalar na adolescência, nos Alpes e nas Dolomitas. O primeiro pico 8.000 que tentou foi logo o difícil K2, por uma nova rota, em 1991, e o primeiro conquistado foi o Nanga Parbat, em 1998. Desde então fez cume sucessivamente no Shishapangma, Cho Oyu, Gasherbrum II, Gasherbrum I, Broad Peak, Lhotse, Dhaulagiri, K2, Everest e Manaslu. Ainda falta para ela: Makalu, Annapurna e Kangchenjunga.

III – O Duelo

O recorde de Wanda Rutkiewicz foi quebrado em 2006 quando Gerlinde culminou o Kangchenjunga, seu 9º pico 8.000. Dois meses depois Nives empatou com ela e no ano seguinte Edurne também fez seu 9º.

A disputa continuou acirrada com Nives sendo a primeira mulher a fazer 10 cumes 8.000 diferentes, em 2007. Dois meses depois Gerlinde empatou. E em maio deste ano, no Dhaulagiri, Edurne também fez seu décimo cume.

No primeiro semestre de 2008 Gerlinde foi a primeira a fazer 11 cumes 8.000, mas seus planos de fazer o 12º, no K2, tiveram que ser adiados quando ela pegou pneunomia. Nives, por sua vez, não fez expedição no primeiro semestre, pois estava se recuperando de uma perna quebrada durante sua tentativa invernal no Makalu. Assim o caminho ficou livre para Edurne, que culminou o Dhaulagiri em maio e o Manaslu em outubro, subindo de 9 para 11, e empatando a disputa.

Hoje, as três duelistas estão completamente empatadas com 11 cumes 8.000 cada. Se Edurne conseguir culminar o Shishapangma tornar-se-á a primeira mulher a romper a barreira dos 12 cumes 8.000, e terá dado um passo fundamental para vencer suas adversárias e entrar para a história como a primeira a culminar todos os picos 8.000.

Por outro lado, as montanhas que lhe faltam são bem difíceis e perigosas, principalmente o Annapurna, e portanto o jogo está completamente aberto, com qualquer uma das três com reais chances de acabar em primeiro.

Por Rodrigo Granzotto Peron

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