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Festa da cultura da montanha

Veja como foi o 8º Festival de Filmes de Montanha

Entre os dias 22 a 25 de outubro foi realizado o 8º Festival de Filmes de Montanha do Rio de Janeiro. Junto a este evento é realizado paralelamente o Banff Mountain Film Festival World Tour. Veja como foi este tradicional evento ligado ao montanhismo brasileiro.

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O Banff é o mais tradicional, antigo e considerado o mais importante festival de filmes e cultura e montanha de todo o mundo. É realizado em um centro no Canadá, que possui, inclusive, um curso superior dedicado às ciências voltadas à montanha. Neste festival anual, além de premiar filmes, também premia livros e projetos realizados à proteção da natureza ligados à montanha. Todos os anos , após a realização das exibições e premiações, uma mostra mundial (Banff World Tour) que percorre diversos países, no intuito de mostrar o que teve de melhor produzido e premiado na última mostra realizada.

O Festival de Filmes de Montanha do Rio de Janeiro é realizado a oito anos no Cine Odeon, localizado na Cinelândia, e talvez seja o maior encontro de escaladores e montanhistas não ligado à federações e associações existente no país. A missão principal do evento é promover e difundir a cultura de montanha para quem estiver interessado. Nele todas as personalidades principais das diversas modalidades de escalada e montanhismo procuram se encontrar, trocar idéias e organizar passeios e escaladas durante o período diurno. O festival acontece somente no período da noite, o que possibilita este tipo de programa.

Com não um número não muito grande de patrocinadores, mas com diversos apoiadores, o evento vem a cada ano crescendo de projeção e popularidade. Uma prova disso é de que dos habituais três dias de exibição, foi incluído mais um dia, totalizando quatro dias de exibições de filmes, em duas sessões(com duas horas de duração), para todos os gostos. Sendo que a primeira sessão é destinadas à exibição de filmes nacionais que concorrem na mostra. A segunda é totalmente destinada à parte internacional da mostra com a exibição dos filmes do Banff World Tour. Curiosamente dos filmes brasileiros exibidos, maioria eram voltados para a escalada e montanhismo. Em menor número haviam também filmes de parapente, base jump, bicicleta e ecologia. O comparecimento de esportes como canoagem, espeleologia não existiu.

Os filmes exibidos tinham qualidades variadas. Um bom parâmetro para se medir a qualidade do filme era a reação do público. Por ela podia-se ver diretamente quais agradavam mais, e quais agradavam menos. Os principais destaques ficaram para os Filmes “Uruca(7º VIIIC E4)” e “Culinária Casca Grossa” que levaram o público ao delírio. Especialmente o primeiro, que tinha uma qualidade excelente, e ainda por cima, talvez por ser carioca havia entre a platéia uma grande expectativa em torno do filme. Porém ao que consta não houve exibições para o público carioca do filme, apenas cerca de 10 pessoas assistiram a pré-produção, o que contribuiu para uma expectativa ainda maior. Toda a expectativa gerada foi graças ao ‘marketing boca-a-boca’ realizado pelos próprios escaladores cariocas.

O filme “Uruca(7º VIIIC E4)”, uma animação de cerca de 8 minutos ilustrava com extremo bom humor, e a ironia típica da cultura carioca, as dificuldades e desafios de uma escalada em uma tradicional via do Rio de Janeiro localizada no Pão de Açúcar. A qualidade técnica da animação era digna de participar de outro festival, o também tradicional “Anima Mundi”(Festival Internacional de Animação). Com indiscutível leveza seus oito minutos passaram voando e arrancou risadas e aplausos(merecidos diga-se) dignos de uma verdadeira superprodução.

A produtora mineira “Casca Grossa”, especializada em realizar vídeos sobre esportes de natureza foi o destaque da mostra. Os mineiros emplacaram 3 filmes na mostra, que mostravam qualidade indiscutível, e muito bom humor, com um indefectível sotaque mineiro. O destaque ficou mesmo para o descontraído e descompromissado “Culinária Casca Grossa”, que ganhou como o melhor filme na preferência do público. Fato inédito na história do festival, pois todos os filmes que foram preferidos do público nos anos anteriores eram somente cariocas. O filme é um pequeno documentário/reportagem de como escaladores e montanhistas conseguem cozinhar comidas ,até certo ponto sofisticadas, usando apenas fogareiro e o que estiver na mochila. Todos os escaladores do filme mostraram desenvoltura, conhecimento e bom humor preparando entre outras coisas “tapioca” e o engraçadíssimo “Arroz com ‘elementos’”. Durante a exibição foram ouvidas gargalhadas sonoras do público. Ao seu encerramento, o filme foi ovacionado. E não poderia ser diferente.

Os filmes internacionais mostraram o que de melhor foi exibido e avaliado no Banff Mountain Festival de 2007. Alguns filmes como “King Lines” (com o escalador Chris Sharma), “Swedish Meatballs”, “Trial &, Terror”, “Aerialist” entre outros foram exibidos parcialmente. A justificativa dos produtores foi de que eles gostariam de que fossem comprados para serem assistidos integralmente. Porém os cortes não comprometeram a qualidade exibida, e mostrou várias técnicas, ângulos e qualidade de imagem impressionantes e de encher os olhos. Muitos dos filmes internacionais além de se apoiar em imagens de tirar o fôlego , mostrou ainda que um bom roteiro faz qualquer filme se destacar. Houve filmes exibidos os quais as imagens eram lindas, porém a história não caia no gosto do público.

Todos os dias de exibição estavam cheios, e, como não deveria deixar de ser, na sexta-feira e sábado, foram os dias mais concorridos. Haviam filas grandes tanto na bilheteria quanto na entrada do cinema. Mostrando grande civilidade não houve tumulto em nenhum momento, tanto de entrada quanto de saída dos filmes. Não houveram os famosos “fura-filas”. A nota triste foi de que , algumas pessoas permaneceram dentro do cinema entre as exibições das 19h e 21h, prejudicando tanto a organização quando os participantes que respeitaram a regra de sair do cinema para entrar novamente.

Sempre na entrada havia a distribuição das cédulas de votação dos filmes e na saída de cada sessão havia a pequena urna para que fossem depositadas. Havia também um pequeno ‘stand’ de souvenir (camisetas e livros) para quem desejasse levar algo mais que as memórias para casa. O preço de algumas camisetas, porém, eram um pouco intimidante pois estavam a R$35 reais cada uma. Na compra do ingresso não havia a distribuição de panfletos com a programação do evento. Estes estavam disponíveis de maneira discreta em uma das entradas da entrada. O cartaz do festival era de uma beleza indiscutível, mas porém, também não eram vendidos.

A premiação dos vencedores foi rápida e animada. O filme “Uruca(7º VIIIC E4)”, como não poderia deixar de ser, foi o grande vencedor da noite. Os criadores abocanharam os títulos de “Melhor Filme Júri” e “Melhor Diretor”. Somente por isso já deixou o público animadíssimo, ovacionando os criadores. Um barulho digno de torcidas em estádio em finais de campeonato. A consagração do filme carioca somente não foi maior porque os mineiros do filme “Culinária Casca Grossa” venceram como escolha do “Melhor Filme Público”, surpreendendo a todos. Foi pela primeira vez na história do festival que um filme “não-carioca” venceu escolha do público. Mais surpreendentemente ainda foi que sua exibição aconteceu no primeiro dia, com uma platéia , teoricamente, ligeiramente inferior aos outros dias. Os filmes “Infinito”, de Goiás e “Ápice”, do Paraná, foram escolhidos pelo júri especializado como melhor trilha sonora e fotografia respectivamente.

Com um festival muito bem organizado, e com filmes de boa qualidade, o Festival de Filmes de Montanha , mesmo com um dia a mais em sua exibição foi um sucesso de público. Certamente é hoje uma data a ser aguardada por todos escaladores e amantes de esportes de montanha do país. Seguramente o maior evento, senão o único, não-político do país, visando apenas a disseminação do esporte e encontro de interessados na cultura de montanha. A possibilidade de poder, ainda, contar com um dia de escalada, e depois o comparecimento no festival à noite, justifica o porque do festival ser realizado no Rio de Janeiro, e somente lá.

Por Luciano Fernandes

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