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Falta de incentivo...

Florianópolis tinha a solução. Mas a prefeitura não gostou...

É comum vermos a desocupação, ou melhor, a péssima ocupação dada aos espaços abaixo dos viadutos das cidades. Os escaladores de Florianópolis acharam uma solução interessante, criaram um muro público com suas próprias forças e finanças, mas a prefeitura não gostou da idéia e resolveu arrancar as agarras.

Fonte:

Poderia ser uma história de sucesso para o esporte. Florianópolis poderia hoje aparecer como uma excelente cidade para o mundo todo, quando fosse divulgado o muro público de escalada que a comunidade local havia criado abaixo de um dos principais viadutos da cidade.

Porém, a prefeitura resolveu acabar com a idéia e ao invés de incentivar a prática do esporte e a ocupação consciente dos espaços públicos, resolveu arrancar as agarras que com muito esforço os escaladores haviam colado no local.

Francisco Silva era um dos maiores visionários do “Muro do Viaduto”. Ajudou desde o início, em abril de 2007, desde a coleta das agarras até na busca “científica” por uma cola eficaz.

Segundo ele, “a princípio não curtimos muito a idéia, chegamos a zombar, carros passando, poluição, não era um lugar bonito para se estar. Mas então um dia passei próximo ao viaduto e comecei a olhar com outros olhos, transformar uma área sem serventia alguma, muitas vezes ocupada por desocupados e assaltantes, em um local onde se podiam encontrar os amigos em dias de chuva para escalar e incentivar a prática do esporte!”

No início eram em somente três amigos a construírem o muro, mas logo muitos dos escaladores locais encamparam a idéia e o muro começou a tomar forma. As agarras regularmente eram pedaços de rochas interessantes, encontradas no local e em outras regiões. Com o passar do tempo pode-se até dizer que houve certa evolução nas agarras, os escaladores as preparavam em casa, colavam pedras umas nas outras, pedras em bases de ferro e chegaram a fazer até algumas agarras gigantes de resina.

Segundo Francisco, “fixar as agarras no teto não era uma tarefa fácil, dava muito trabalho, algumas vezes eu ficava sozinho até tarde da noite trabalhando. Como ficava preocupado de alguma agarra se soltar e machucar algum escalador, não economizava na cola, que não é barata. Fazia o melhor possível!”

E o trabalho realmente era muito bem feito. Em um ano e meio de escalada, não ocorreu nenhum acidente ali!

Logo o muro público do viaduto começou a chamar atenção. Primeiramente foram alguns praticantes da escalada que, após muitos anos de afastamento, resolveram arriscar novamente no esporte. Posteriormente, as pessoas que passavam pelo local começaram a demonstrar interesse pelo esporte, algumas paravam, perguntavam e davam risadas, mas muitas arriscaram uma tentativa e voltavam noutro dia, já com sapatilha e saquinho de magnésio na cintura!

Para as crianças então era uma festa! Normalmente privadas da prática da escalada, uma vez que os ginásios são caros para os bolsos daqueles que não ganham nada, encontravam ali um novo esporte, um pouco diferente daquele praticado nos campinhos, mas muito mais emocionante e divertido.

E não demorou muito para que o “muro do viaduto” ultrapassasse a fronteira de Florianópolis e até de Santa Catarina, pois em alguns finais de semana era comum presenciar grandes nomes da escalada de vários estados do Brasil, que queriam conhecer o local e tentar um dos muitos boulder do “point”.

Francisco se recente da decisão da prefeitura de Florianópolis. “Vou sentir muita falta da escalada no viaduto, estou morando em Campinas (SP) a trabalho e sempre que viajava para Floripa, antes mesmo de ir pra casa, passava no viaduto para ver as agarras, eu as considerava uma obra de arte, tamanha foi a dedicação para fixá-las. É uma pena que existam pessoas tão ruins. Será que o cara que deu a ordem para que as agarras fossem arrancadas não ficou com nem um pouco de remorso?”

Antes da retirada das agarras pela prefeitura, já existia no local cerca de 20 boulders além de uma via que já passava dos vinte metros de comprimento.

Apesar da ducha fria imposta pela prefeitura, Francisco ainda não desistiu do “Muro do Viaduto”: “Vou batalhar para que um dia a área do viaduto seja utilizada para a construção de um muro público. É um ótimo local, fica bem próximo da UFSC e com certeza será muito freqüentado”.

Pelo jeito a Prefeitura prefere os mendigos embaixo do viaduto. Com a palavra o Prefeito de Florianópolis!!!

(E esperamos que o novo prefeito Dário Berger tenha melhor sensibilidade com os esportes e com a população!)

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