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Para evitar a superlotação

Aconcagua: Governo argentino planeja limitar os permissos

Governo da província de Mendoza, que detém a administração do Parque Aconcagua, planeja redistribuir o acesso ao longo da temporada na maior montanha dos Andes.

Fonte:

Segundo a imprensa argentina, não será limitada a quantidade de alpinistas, mas serão repartidos os ingressos ao longo de toda a temporada alta, com o intuito de uma utilização mais eficiente da área do parque. Segundo os dados oficiais, cerca de mil montanhistas sobem na temporada alta e só 300 no início ou final.

O diretor do departamento de Recursos Naturais Renováveis, Guido Loza, reconhece que existem vários aspectos para melhorar a dinâmica do uso da enorme superfície do Parque Aconcagua, ao mesmo tempo que afirma que serão limitados os ingressos a esse espaço natural.

Ao seu modo de ver, é necessário exercer uma maior supervisão e de forma mais direta sobre as diversas empresas que operam nessa grande extensão de 71.000 hectares, próximas da fronteira com o Chile.

"Gostariamos de ter um controle mais próximo das empresas, elas operam livremente, e está bem, mas deveríamos saber um pouco mais sobre o que estão fazendo com sua gente e como estão os serviços. E isto lhes digo porque temos recebido denúncias de que estariam cometendo algumas deslealdades comerciais, como deixar os clientes antes do encerramento da temporada e isso ao longo, termina recaindo contra o Parque".

Sobre a quantidade de pessoa que acessam as diferentes rotas da montanha (ou regiões de acesso dos caminhos ao cume), Loza disse que na temporada 2009-10, vai ser limitada a quantidade de pessoas que sobem. "Não quer dizer que vamos limitar a quantidade de excursionistas, mas a idéia é ´achatar´ a temporada alta e passá-la para as duas pontas, o começo e o final. Nós temos 1.000 pessoas na época alta e 300 ou 400 nas duas pontas".

Os acampamentos de altitude também são um gargalo. Conforme explicou o diretor, em Plaza de Mulas há capacidade para milhares de expedicionários, que se reduz consideravelmente nos acampamentos de altitude.

"Por isso deve limitar-se a atividade para que haja menos impacto no parque e um uso mais eficiente da área. Inclusive, o múltiplo acidente de 6 a 8 de janeiro, próximo ao cume, mobilizou toda a patrulha e muitos outros servidores civis, e que em razão do trabalho que devem fazer, se extenuam ao extremo. Se tivéssemos os visitantes mais repartidos, poderíamos fazer melhor uso do recurso".

O funcionário também anunciou que para este ano será realizada a licitação para todos os prestadores da área, como guias, trekking, porteadores e outros serviços, e até os que alugam mulas ou vendem comida.

Sobre o que deve fazer o turista ou as pessoas que queiram contratar com segurança, o titular da DRNR respondeu que "consultem pessoalmente ou na página da Diretoria de Recursos Naturais Renováveis, e por último, que façam contato com firmas de reconhecida trajetória, sejam pequenas ou grandes".

O escalador Mauricio Fernández (40), com vários anos de experiência e 40 cumes alcançados, lembrou que agora está se profissionalizando mais a ascensão ao Aconcagua.

A respeito dos que acompanhavam no passado os grupos até o cume, Fernández disse que eram "os andinistas mais experientes, já que não haviam guias. Agora tem instituições que oferecem instrução profissional para andinistas e lhes dão as ferramentas para que possam trabalhar, guiando as pessoas aos cumes das montanhas. As empresas que tornam os parques como destino de seus clientes contratam os guias para as expedições".

Quando foi perguntado a este experiente montanhista se observava anarquia ou falta de controle na região do Aconcagua, disse que "o problema se apresenta com uma montanha que tem duas faces muito distintas: pode ser acessível quando há bom tempo, mas é imprevisível na ocasião das mudanças climáticas, que são frequentes. Além disso, tem a altitude, que é importante, e então as pessoas andam um pouco no limite, e passam estas coisas (referência direta à trágica expedição italiana de 8 de janeiro)".

Sobre a suposta pressão que alguns clientes exercem ao homem que os conduz pelas encostas para chegar à parte mais alta de qualquer maneira, Fernández admitiu que é uma situação que acontece, "mas tem que saber regulá-la para que as coisas corram bem e fazer desistir certas ansiedades que podem trazer graves consequências posteriormente".

Com informações de Diario Los Andes (Mendoza - Argentina)

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