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Histórias e personagens da montanha

Montanhismo equatoriano nos tetos do mundo

O Equador fez história em 1988, depois que Ramiro Navarrete alcançou o cume do Annapurna, uma das 10 montanhas mais altas do mundo (8.091 m).

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O andinismo (América do Sul), o alpinismo (Europa), é o desafio que significa chegar ao cume de uma montanha, superando as inclemências da natureza.

É uma maneira de ter contato com a natureza, ampliando a conciência do esportista com base no respeito para com os demais e seu entorno. É a instância em que o homem enfrenta situações extremas caracterizadas por temperaturas intensas e falta de oxigênio ou tempestades, nas grandes altitudes.

O Equador fez história em 1988, depois que Ramiro Navarrete alcançou o cume do Annapurna, uma das 10 montanhas mais altas do mundo (8.091 m). Com esta, conseguiu chegar ao seu segundo ‘oito mil’.

Lamentavelmente, quando Navarrete descia do cume, um acidente que lhe custou a vida deu por finalizada sua trajetória de andinista.

Dez anos se passaram até que apareceu outro andinista equatoriano para continuar com o “sonho” de Navarrete de coroar os 14 picos mais elevados do mundo.

Iván Vallejo Ricaurte (nascido na cidade de Ambato, em 19 de dezembro de 1959) se tornou desde 1998 num ícone deste esporte extremo.

Sua fortaleza, perseverança, coragem e decisão o levaram (maio de 2008) a figurar entre os 15 andinistas do mundo que conseguiram subir os 14 cumes mais altos.

Vallejo sonhou em ser um andinista desde que tinha sete anos, quando admirava de sua cidade o vulcão Tungurahua.

“Aquela tarde abri pela primeira vez minhas asas e comecei a sonhar em ser montanhista”, detalha Vallejo em uma de suas descrições.

Desde então o equatoriano fez seu caminho para as montanhas mais altas do mundo. Suas primeiras excursões realizou nas colinas de Ambato e depois, depois de ter se tornado um profissional do montanhismo, começou a traçar novos desafios.

Um deles, quem sabe o maior, foi subir o monte Everest (8.848 m) sem oxigênio. Esse desafio foi denominado “Equador no teto do mundo”.

Mas antes de pisar o topo do monte mais alto do planeta, Vallejo esteve em muitos lugares completando suas metas de subir por imponentes nevados.

Fora do seu país esteve no Mont Blanc (Alpes, 4.807 m), no Island Peak (6.187 m) localizado na região do Khumbu, no Ama Dablam , (6.856 m), entre os mais importantes. As montanhas equatorianas também foram conquistadas por este esportista.

“Pude escalar o Illiniza Norte, o Rumiñahui, o Tungurahua, o Carihuairazo. Até que chegou o grande dia, em 23 de outubro de 1978 às 08:15h, foi quando alcancei pela primeira vez o cume do Chimborazo, a montanha mais alta do Equador (6.310 m)”
, conta Vallejo a seus seguidores em sua página web.

Agora ele deseja descansar para dedicar mais tempo a seus filhos, sem afastar-se das montanhas as quais frequentemente visita para distrair-se.

Mas, o engenheiro químico não é o único que admirou a paisagem nepalesa do cume do Everest.

Paulina Aulestia, que pratica o andinismo há 16 anos, se considera “uma pioneira” no montanhismo equatoriano, já que foi a primeira mulher a chegar ao pico mais alto do mundo. Começou na atividade depois de ter ingressado no Clube de Andinismo da Universidade Central.

Fez por seu amor à natureza e pelo contato que podia ter com ela subindo montanhas. “Se pode conhecer muitos lugares e muitas pessoas, isso é o mais bonito. Nos mantemos com um mesmo código de comunicação na montanha”, disse Aulestia.

Entre suas expedições subiu as montanhas mais altas de todos os continentes. “Na Itália as Dolomitas, em 2007 no Chile estive no San José e no Tupungato. O Aconcagua na Argentina, o Elbrus na Europa, o Kilimanjaro na África, o Kosciusko na Oceania e o Mackinley no Alaska”, enumera a andinista.

Entretanto, seu maior desafio começará em março deste ano quando realizou sua viagem para o Everest.

Aí estará durante 90 dias. Maio é o mês planejado para chegar ao cume. Aulestia treina junto com um grupo de profissionais para conseguir o objetivo. Sua viagem será financiada por empresas privadas como costuma acontecer no país.

Segundo Aulestia, outro dos perigos que se corre nas montanhas, além das baixas temperaturas e dos caminhos complicados, é o de não ter treinado na altitude. Isto pode provocar no esportista edemas pulmonares ou cerebrais.

Mas ela assegura que tomou as precauções para subir novamente o Everest.


Atualmente tem um andinista que se encontra em pleno desafio: Patricio Crausaz deixou o país em 6 de janeiro para começar o seu projeto de escalar o Monte Vinson, na Antártida.

Crausaz tem planejado subir o Vinson em meados de fevereiro. Esta montanha é uma das mais complicadas do mundo, pelas temperaturas extremas que apresenta e pelas tormentas que açoitam a região.

O andinismo é um esporte que no Equador registra um crescente número de praticantes.

É um tanto difícil precisar estatísticas ou uma aproximação, porque o espectro é amplo, pois existem guias de montanha, montanhistas de alta montanha, media montanha, trekking, explorações, entre outros, que não superam os três mil entre escaladores e montanhistas.

Os clubes Nuevos Horizontes e San Gabriel podem ser considerados como os pioneiros do andinismo no país a partir de 1943, destacando-se a presença de José Sandoval, Carrera, Araujo, Pazmiño e muitos outros no primeiro, os padres Zurita, Enríquez, Rivas e várias gerações de jovens no Colégio San Gabriel são nomes que teríam um lugar de honra na história do andinismo, segundo José Moreano Díaz, presidente da Federação Equatoriana de Excursionismo e Andinismo.

Entre os equatorianos que se atreveram aos máximos desafios frente as montanhas mais altas (oito mil) figuram Navarrete, que primeiro escalou o Sisha Pangma, no Himalaya, e Francisco Espinoza, que subiu o Annapurna. Vallejo, o de maior experiência e o mais destacado nos últimos anos, Patricio Tisalema, que subiu as cinco montanhas mais altas, e de igual forma Patricio Crauzas, e Quintero que é o primeiro equatoriano a escalar a parede sul do Aconcagua com 3 mil metros de desnivel e vertical.

Aulestia foi a primeira mulher equatoriana a conquistar as montanhas mais altas dos continentes: americano, africano e europeu.


Atrevimento e ousadia
A montanha encerra muitos mistérios que os andinistas trataram de descobrir, inclusive a custa de suas próprias vidas. Vários foram os que pereceram em seu sonho de estar mais próximo do céu.

“Sendo um bohêmio da montanha liderei uma aventura que se denominou de "Equador à Patagonia sem dinheiro". O projeto era subir uma montanha mais difícil e uma mais alta em cada país, no caso o Equador, Peru, Bolívia, Argentina e Chile”, disse Celso Zuquillo Pedraza, consultor jurídico, que além de esportista foi presidente da Associação de Andinismo de Pichincha. Zuquillo realizou uma ascensão ao Aconcagua, o qual lhe serviu para ser qualificado como Herói Nacional, pelas dificuldades e condições climáticas, além de não dispor dos implementos e vestimenta adequados, porque o fez com una camisa e uma calça jeans.

“Na primeira tentativa não pude, porque me congelei e fui hospitalizado por 35 dias em Mendoza, Argentina. Daí fugi, com vontade de me suicidar, mas consegui chegar ao cume e isso foi notícia mundial”, fato que também foi reconhecido pelo governo argentino.

Redação AltaMontanha com informações de Jorge L. Rubio/Fernando Melo - El Telégrafo, Equador

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