A nova Incógnita

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No passado dia 7, a Daniela e eu terminámos um projecto na falésia dos Pinheirinhos na Arrábida.

 
O Fernando Pereira tirou esta foto do topo da falésia dos Pinheirinhos.

Esta nova via foi previamente equipada desde o cimo e foram colocados alguns pernes intermédios e equipadas as reuniões.

Suspenso numa corda e agarrado a um par de jumares, ensaiei este e aquele passo desde o qual apontava o local ideal para colocar a plaquete. O itinerário parecia-me bom e: “Apesar de por ali parecer mais fácil, estes movimentos por aqui são possíveis!”

Já o devia saber. Desde o topo, tudo parece sempre mais fácil. Os expansivos colocados protegiam uma suposta sequência de movimentos que se revelou algo deslocada da sequência tomada, ao escalar aquilo desde baixo. No dia da escalada, a linha de maior fraqueza, a mais lógica apresentada pela própria rocha, ganhou aos pontos ao percurso imaginado desde a perspectiva anterior, aquando do equipamento. Em ultima analise, é a Natureza que dita as regras.

A Daniela no primeiro lance da “A incógnita” (terceiro lance do dia).

De todos modos, esta jamais será uma via de escalada desportiva. Trata-se de uma via semi-equipada e de aventura, bem ao jeito habitual dos Pinheirinhos.

“A incógnita” inicia nos primeiros dois lances em travessia da “Viagem sem rumo”, como algumas outras vias do sector, ás quais o mar não fornece outra alternativa. Depois são mais cinco largos, onde impera a placa mais ou menos exigente, com algumas curtas fissuras à mistura. O lance mais difícil é o quarto e, muito embora as vistas desde a reunião sugiram um lance desportivo, é bastante aconselhável levar alguns friends pequenos, de forma a possuir um truque na manga caso os níveis de tremeliques ameacem a performance da escalada.

Dois momentos no intenso sexto largo da “A incógnita”.

“A Incógnita”, trata-se de uma proposta que surge, desde já, como mais uma alternativa para escalar toda a extensão em altura, desta bela falésia.

O único senão talvez esteja materializado no sexto lance, devido à falha de alinhamento das protecções fixas, o que motiva algum grau de exposição, passível de ser protegido com material volante. De todos modos, penso voltar para rectificar este largo.

Dias depois, voltámos com o Fernando Pereira para escalar uma combinação entre a nova “A incógnita” e a “Flor ao vento”.

O Fernando Pereira no primeiro lance da “A incógnita”, o terceiro depois da travessia da “Viagem sem rumo”.

No mesmo lance.

Dois momentos na combinação “A incógnita”/”Flor ao vento”.

Duas fotos do Fernando Pereira na “Flor ao vento”.

A caminho e a ultrapassar o crux do ultimo lance da “A incógnita”.

Foi um dia bem passado com as vistas omnipresentes sobre o oceano e sempre acompanhados por fauna de toda a espécie, desde um pequeno falcão, gaivotas, corvos marinhos, os cardumes de grandes peixes, bem como, pescadores em pequenos barcos, malta com caiaques e um grupo numeroso de mergulhadores.

Os caiaques e os mergulhadores.

A sair da “A incógnita”, no topo dos Pinheirinhos.

O Fernando captou esta da chegada ao final da “A incógnita”.

Enfim, garantidos estiveram a animação externa e a satisfação de mais um dia de trepada nas grandes paredes locais.

Paulo Roxo Os topos

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Sobre o autor

Daniela e Paulo - Colunistas

Daniela Teixeira e Paulo Roxo é uma dupla portuguesa que pratica escalada (rocha, gelo e mista) e alpinismo. O que mais gostam? Explorar, abrir vias! A Daniela tem cerca de 10 anos de experiência nestas andanças e o Paulo cerca de 25. A sua melhor aventura juntos foi em 2010, onde na cordilheira de Garhwal (India - Himalaias), abriram uma via nova em estilo alpino puro na face norte da montanha Ekdante (6100m) e escalaram uma montanha virgem que nomearam de Kartik (5115m), também em estilo alpino puro. Daniela foi a primeira e única portuguesa a escalar um 8000 (Cho Oyu). O Paulo é o português com mais vias abertas (mais de 600 vias abertas, entre rocha, gelo e mistas). Daniela é geóloga e Paulo faz trabalhos verticais. Eles compartilham suas experiências do velho mundo e dos Himalaias no AltaMontanha.com desde 2008. Ambos também editam o blog Rocha Podre, Pedra Dura (rppd.blogspot.com.br)

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