Acompanhamento da expedição ao cume do K2

1

Acompanhamento do dia a dia da expedição de Maximo Kausch, guia de montanha da agência GenteDeMontanha e de Karina Oliani no K2.

Acompanhamento da expedição:

Dia 19/07/2019

Quase, quase! Mas ainda não foi dessa vez. Ontem Maximo Kausch, Karina Oliani e Moeses Fiamoncini retornaram ao Acampamento Base do K2 depois de chegar até o Gargalo da Garrafa e encontrar tudo soterrado por neve. Com a avalanche do dia 16 muita neve se acumulou nesse trecho e os Sherpas não conseguiram recolocar as cordas que haviam sido levadas pela neve. Eles desceram cerca de 3 mil metros em apenas um dia.

Descanso merecido.

O alpinista Maximo Kausch entrou em contato conosco contando como foi essa tentativa. “Chegamos próximo a 8.000 e no Bottleneck (Gargalo da Garrafa) a 8.150, tinha muita neve até a cintura. E na travessia era neve até o peito. A avalanche do dia 16 levou 2 sessões de corda e um cara se machucou. Dia 16 nevou bastante mas dia 17 tava bom e foi o dia que tentamos. Mas como tinha muita neve ainda, nós descemos e deixamos tudo montado nos campos 2, 3 e 4 para subir de novo e tentar novamente”, relatou Kausch.

Apesar do contratempo devido a avalanche, eles conseguiram portear bastante equipamento para os acampamentos altos e estão aclimatados, “carreguei 32kg de carga ate 7.600m” disse Kausch. Assim na próxima janela de tempo bom será mais fácil chegar até lá em cima. Por enquanto, eles continuam em expedição e permanecerão no Acampamento Base se recuperando e descansando dos esforços feitos durante essa tentativa de cume.

Esperando o tempo melhorar no acampamento base

 

 

Dia 17/07/2019

Falta pouco, muito pouco para Maximo Kausch e os brasileiros Karina Oliani e Moeses Fiamoncini chegarem ao cume da montanha mais perigosa do mundo! Eles já chegaram até o Campo 4 a cerca de 8 mil metros de altitude. Além das dificuldades encontradas como o frio, os ventos e o ar rarefeito eles também enfrentaram, nas próximas horas, mais um trecho técnico que assusta até os escaladores mais experiente, o Gargalo da Garrafa. Ontem, a equipe de Sherpas que estava fixando cordas nesse local foi atingida por uma pequena avalanche e precisou interromper os trabalhos. Felizmente eles sofreram apenas ferimentos leves e estão seguros no Campo 4 junto com os demais integrantes da equipe. Companheiros da agência a qual os Sherpas prestam serviço relataram: “uma pequena avalanche afetou o Neck Bottle e nossos cinco sherpas que estavam instalando as cordas fixas foram varridos quase 50 metros abaixo da montanha”.

Hoje a equipe de apoio retornou ao Gargalo da Garrafa para colocar as cordas e amanhã dia 18/07 os escaladores que estão no Campo 4 deveram fazer a tentativa de cume. Estamos ansiosos e na torcida por todos eles! Bons Ventos!

Escalada nas encostas íngremes do K2.

 

Dia 09/07/2019

Nessa última semana, Maximo Kausch e Karina Oliani concluíram o primeiro ciclo de aclimatação na montanha. Eles subiram até 6.100 metros de altitude onde dormiram por duas noites e na sequencia foram até o Campo 2  a 6.760 metros onde também permaneceram por duas noite antes de retornar para o acampamento base do K2. Agora eles irão descansar e se preparar para um novo ciclo, no qual deverão chegar até o campo 3. A progressão nessa montanha é lenta, mas está fluindo conforme o planejado.

De volta ao acampamento base após o primeiro ciclo de aclimatação.

Dia 04/07/2019

Vida no campo base.

Karina Oliani cortando o cabelo do oficial de Ligação paquistanês.

Dia 03/07/2019

Depois da caminhada de aproximação, todos que estão na base do K2 para escalar a montanha realizaram hoje um Puja, uma cerimônia budista para pedir aos deuses a permissão para escalar a montanha. Neste ano temos muitos sherpas que geralmente trabalham no Nepal no K2. Eles irão ajudar na fixação da rota e no trabalho do dia a dia. A religião do Paquistão é o islamismo, mas onde está o K2 o budismo é aceito.

Puja na Base do K2

Dia 02/07/2019

Os trabalhos de fixação de cordas na rota do K2 está a todo o vapor. As cordas fixas já estão na Campo 2 a 6790 metros de altitude.

Dia 01/07/2019

Equipe chegou por completo no campo base do K2. O tempo enfim melhorou e foi possível ver a montanha enfim sem nebulosidade.

Dia 26/06/2019

Maximo Kausch e Karina Oliani chegaram ao acampamento base do K2 no dia 29/06. Desde a pequena vila de Askoli até essa base são sete dias de caminhada. O Máximo já estava aguardando a Karina no acampamento de Urdukas a meio caminho. Durante o trekking até o acampamento base do K2 o time enfrentou muita neve acumulada, vento e frio. Mas todos chegaram bem e as paisagens são belíssimas.

Sobre a expedição brasileira no K2 2019:

O K2 com 8.611 metros de altitude é a segunda maior montanha do mundo e é considerada uma das escaladas mais perigosas. Ela esta localizado na Cordilheira do Karakoram e fica na fronteira entre o Paquistão e a China.

Existem apenas 14 montanhas acima de 8 mil metros no mundo e o K2 figura entre as mais desafiadoras e difíceis de acordo com a revista Desnível. Na relação entre sucesso e mortes das pessoas que tentaram chegar ao cume, o K2 figura entre a segunda mais mortal do planeta, com 29% de mortes com relação a cumes. Apenas o Annapurna no Nepal consegue ter um índice pior, com 34% de mortes.

Até a temporada de 2018 apenas 306 pessoas conseguiram chegar ao seu cume. Isso se deve ao grande isolamento da montanha e ao seu relevo bastante íngreme que facilita a ocorrência de avalanches. Até hoje o único brasileiro a atingir seu cume foi o paranaense Waldemar Niclevicz no ano de 2001.

Neste, o guia de montanha e fundador do Gente de Montanha (agência brasileira especializada em trekking, montanhismo e escalada) Maximo Kausch, foi convidado a participar de uma expedição a essa temida montanha. Além dele também participam dessa escalada a médica e multi esportista Karina Olianni e o montanhista Moeses Fiamoncini que está em outra expedição junto com o espanhol Sergi Mingoti.

É a segunda vez que Maximo está tentando escalar uma montanha no Paquistão. A última vez foi em 2010, quando ele tentou escalar o Gasherbrum II.

Maximo encontra-se no Paquistão desde o começo de Junho, quando ele guiou um grupo até o acampamento base do K2 (confira como foi aqui). O grupo já finalizou o trekking, considerado como difícil e exigente fisicamente e já está a caminho de casa.

Compartilhar

Sobre o autor

Maruza Silvério

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

1 comentário

  1. Pingback: Moeses Fiamoncini se torna o primeiro brasileiro a escalar Nanga Parbat

Deixe seu comentário