08/01/2005 - Mendoza (Argentina) - altitude 760m - temperatura 30 graus
O despertador do Rurik toca as 6:00, é dado o sinal de partida. Em seguida
o telefone do hotel toca, era o despertador programado, a nossa garantia de
não perder o horário.
Tomado uma ducha gelada é hora de acertar as contas no hotel. Não tivemos o
prazer de tomar o café da manhã. Ele era servido só depois das 7:30. Até
tentamos convencer a mulher para servir algo para gente, mas não foi
possível, pois as moças da cozinha só chegavam às 7:00h. Sem problemas,
pegamos dois pacotes de bolacha e um pacote de amendoim que sobraram da
aclimatação e fomos rumo ao metrô.
Saímos caminhado até o metro. Não foi uma caminhada fácil. Cada um
levava nas costas uma mochila grande e na mão um saco de bagagens grande
(marinheira) pesado e um tanto desajeitado para levar. Revezando o saco de
bagagem hora numa mão, hora na outra, hora no ombro esquerdo, hora no ombro
direito chegamos no metro. Com aquelas duas mochilas cada um, nos tornamos um
verdadeiro estorvo no metrô. Independente do lugar que ficamos sempre
estamos atrapalhando alguém sair ou entrar. A nossa sorte que pela manhã
não havia muita gente.
Depois de 20 minutos estávamos na rodoviária munidos de quatro grandes
bolsas, dois pacotes de bolacha e um de amendoim. Só faltava uma coisa: a
água. Com sete horas de viagem sem interrupção pela frente uma garrafa de
água era essencial. Enquanto esperávamos pelo ônibus fomos atrás dela. Nem
precisamos falar que não havia pesos chilenos suficientes. Todos os dois
doletas trocados na noite anterior tinham sido gastos no metrô. Com a ajuda
de algumas estrangeiras trocamos mais dois dólares a uma cotação inferior,
mas suficientes para um litro da água.
Entramos no ônibus e após três horas de viagem chegamos na Aduana
(fronteira). Passamos por uma revisão superficial das mochilas e estávamos na
Argentina. Embarcamos de volta no ônibus e quinze minutos depois tivemos a
oportunidade de ver o Aconcágua de perto. O ônibus até Mendoza passa na
entrada do parque do Aconcágua. É ali que estaremos logo, logo. O Aconcágua
é impressionante. Mais duas horas e estávamos em Mendoza.
Mendoza é uma cidade muito agradável, arborizada, com uma vida
noturna muito ativa. O único ponto curioso é que as pessoas praticam a
ciesta. Depois de nos acomodarmos no hotel saímos para alugar as mulas.
Tivemos a impressão que era domingo, a cidade estava vazia. Depois fomos
descobrir na verdade que era horário da ciesta, entre 13:30 e 16:00. Vida boa!
Na loja de aluguel de mulas tivemos a confirmação de uma notícia bastante
triste: a morte de um brasileiro no Aconcágua. São muitas as versões da
história que estão publicadas nos sites. Pretendemos saber maiores detalhes
e a versão real desta história quando estivermos no acampamento base do
aconcágua. Ficamos bastante tristes com a notícia, mas não podemos nos deixar
abalar.
Acertamos o aluguel de uma mula que transportara 60kg de equipamentos nosso
da entrada do parque em Puente del Inca ate o Acampamento base do Aconcágua
(Plaza de Mulas - 4300m). O resto dos equipamentos levaremos nas costas. Estamos estimando 92kg ao todo.
O aluguel da mula na agência custou 120 dólares, mas no pacote esta incluído
também o uso de banheiros desta agência no acampamento base. É proibido
deixar resíduos orgânicos na montanha. É necessário utilizar banheiros
privados como neste caso. Os resíduos são retirados periodicamente da
montanha através de helicópteros.
Neste acampamento também ha acesso a telefone via satélite que custa 5
dólares o minuto para qualquer parte do mundo. Provavelmente faremos uso
dele em alguns momentos para mandar os relatos e bons fluidos para o Brasil.
Terminado a burocracia do aluguel fomos comer um bife argentino. Os
restaurantes estavam fechados, pois eram 17:00h. Já com muita fome e
cansados de andar entramos num boteco meio estranho. Como preço estava
acessível e a quantidade estava garantida resolvemos ficar por ali. O almoço
não estava dos melhores, mas como a fome é o melhor tempero (by Rurik)
raspamos o fundo do prato. Enquanto estávamos pagando a conta vieram
perguntar se éramos brasileiros. Ali fomos consultados e recebemos uma lista
de sugestões sobre hotéis e lugares para visitar.
Amanhã o dia vai ser cheio. Temos que levantar cedo para ir até o parque
General San Martin retirar o permisso para o Aconcágua, ir até o Carrefour
comprar todos os mantimentos e alugar os últimos equipamentos de gelo. Por
último vem à tarefa mais complicada. Empacotar tudo pensando na logística da
escalada. Parte dos equipamentos vão na mula e parte vão nas nossas costas
que serão necessários para a caminhada de aproximação. As comidas diárias
devem estar organizadas de acordo com o dia que for usado. Tudo deve estar
muito bem organizado para facilitar nossa vida lá em cima.
Buenas Noches!
Murilo e Rurik
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