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Aconcágua Parte II
Puente del Inca - Laguna de Los Horcones

por Johny Genvensis
       Rosa Moura

Desde Mendoza, a própria Ruta 7 se dirige ao Aconcágua. O percurso de 180km é uma subida contínua, com curvas nem sempre pronunciadas, vales acentuados e uma sucessão de pequenos túneis em pontas de encostas, num adentrar lento à imensidão da Cordilheira dos Andes.

Uma seqüência de lugarejos descreve a ocupação desse espaço e retrata cenas particulares, oferecendo muito a se fazer: Potrerillos, a 58km, e 1386m de altitude, reconstruída pela localização de uma barragem, é ponto de navegação em velas ou canoagem; Uspallata, a 95km, e 1751m de altitude, cidade militar, lugar ideal para caminhadas e cavalgadas, conta a história das filmagens, em seu cenário natural, de "De amor e de sombras" e "7 anos no Tibet", resgatando detalhes com tanta clareza que é como se seu protagonista, Brad Pitt, continuasse habitando ainda o lugar; a Ponte do Rio Picheuta, em pedra, assinala o caminho dos libertadores, ou a rota Sanmartiniana, percorrida pelo Exército de Los Andes no ano 1814; Polvaredas, típico povoado ferroviário; logo depois Punta de Vacas, onde se localizava a antiga aduana argentina, parada obrigatória para matar a saudade do Tupungato: possibilidade única de vislumbrá-lo isolado, dominante em sua altitude; Los Penitentes, a 165km e 2330m de altitude, oferece no inverno ampla infra-estrutura para os que querem iniciar na prática de esqui ou simplesmente curtir a neve ; Los Puquios, a 170km, é lugar também perfeito para cavalgadas em porções já mais elevadas da Cordilheira.

O Vale do Rio Mendoza - cuja margem sul é ladeada por uma muralha elevada de sedimentos de diferentes cores -, antigos trilhos da Ferrocarril Transandino, que cruzava a Cordilheira, e as ruínas atribuídas aos antigos povoadores também contam histórias de libertadores à cavalo, ou do transporte de mercadorias e passageiros, muitas vezes retidos pelos caprichos do clima.

Velhas estações evocam saudade e acenam a perspectiva de uma possível recomposição do sistema (esperada para os próximos cinco anos...). O largo e seco leito dos rios, os "penitentes" - rochas que rompem a neve como uma procissão de monges -, e as vertentes íngremes, em constante movimento de rochas e neve, dão a dimensão da força da natureza. Derrumbes ou avalanches rondam a memória e aguçam os cuidados, o respeito à montanha.

PUENTE DEL INCA

Impressionam as ruínas de um hotel, em Puente del Inca (177km e 2720m de altitude), completamente destruído por uma avalanche em meados dos anos 60, que preservou apenas a pequena igreja lateral. Esse hotel, próximo à ponte natural sobre o Rio Las Cuevas, era uma construção sólida, suntuosa, com acesso subterrâneo a banhos termais - nessa área emergem fontes de água quente, carregada de minerais, borbulhando ininterruptamente.

O local é parada obrigatória para turistas e viajantes. Pequenas tendas de souvenir - assustam as peças petrificadas pelas águas das fontes locais -, lanchonetes, um restaurante perfeito para a fome dos montanhistas (o Parador del Inca), e uma hosteria irreprovável e acolhedora (Hosteria Puente del Inca, 0542624420266, com Gustavo ou Juan Pablo), além de um grande destacamento do Exército Argentino, tornam esse lugarejo uma referência para quem quer se aproximar do Aconcágua. Ali, as histórias são incansáveis e a presença da montanha não se encerra no Aconcágua, como confirma o imenso pôster do Alpamayo (Peru) que cobre a parede de uma pequena mercearia local. Sr. Cruz, militar aposentado, guia e instrutor de esportes de inverno, conta casos de ousadia e de êxito de muitos andinistas, que hastearam as bandeiras de seus países pelo fato histórico da conquista das alturas. Mas, também, de despreparo, irresponsabilidade ou má sorte (o Cemitério dos Andinistas, que sucumbiram na tentativa de dominar a cumbre, situa-se muito perto dali). Suas fotos do Aconcágua decoram as paredes da Hosteria Puente del Inca, despertando a vontade de chegar mais perto dessa majestade sul-americana.

Outros guias, comerciantes locais, garçons, além de histórias dão números expressivos: mais de 4 mil pessoas visitaram o Parque no ano passado, mas apenas cerca de 10% tentaram chegar ao topo. O clima é perverso, pois pode mudar em questão de minutos, e a altura é avassaladora à resistência humana. Mas quem não quiser tamanha aventura, mirar o (Aconcágua já é uma grande emoção.

LAGUNA DE LOS HORCONES

Desde a Ruta 7, há praticamente um único local (aproximadamente no quilômetro 180, entre as aduanas da Argentina e do Chile) de onde o Aconcágua é visto à distância. A poucos metros dessa parada obrigatória está a entrada do Parque Provincial do Aconcágua.

A partir da estrada, 2km dão acesso à (Laguna de los Horcones - que em espanhol significa forquilha, descrevendo o formato dos rios Horcones Superior e Horcones Inferior que circundam o Cerro e que se encontram na Laguna onde formam o rio Cuevas. Da orla da laguna se sobe até o mirante do Aconcágua - (meta compensadora e justificável, de muitos que encerram aí sua grande aventura. No verão, parte do percurso pode ser feita em carro. No inverno, a neve cobre totalmente o acesso, inclusive a (casa sede da entrada do parque. Em qualquer época, o vento forte parece querer expulsar intrusos. Avançar mais em direção à cumbre principal requer preparo. A Plaza de Mulas, a 4230m de altitude é o acampamento básico e ponto de partida para as expedições de escalada à face norte, mais acessível (para saber sobre camping e refúgio, www.cerroaconcágua.com); a Plaza Francia dá acesso à parede sul, de mais difícil acesso. Para isso, exigem-se guias regulamentados, pagamento de acesso ao Parque e seguro. E tudo deve ser providenciado antecipadamente e exclusivamente em Mendoza (Departamento de Recursos Naturais Renováveis, Parque General San Martin).

Afinal, diferentemente do Tupungato, que se reparte entre dois países, o Aconcágua é totalmente argentino. A Aymara (www.aymara.com.ar), em Mendoza, está preparada para dar todo o suporte necessário a essa aventura.

Na próxima parada deste roteiro, estaremos cruzando a Cordilheira.


      Aconcagua Parte I - Tupungato

      Aconcagua Parte III - Los Caracoles

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Rosa Moura
Johny Genvensis



ATENÇÂO: toda a informação contida aqui não implica em responsabilidade ao autor.
Toda escalada deve ser realizada seguida de um mínimo de experiência e conhecimento local.
O montanhismo e suas modalidades apresentam risco de vida, não se aventure além de seus limites técnicos e psicológicos.
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Ponte de pedra
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