Andradas: Campo escola de tradicional

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Na pouco conhecida Serra do Pau d´Alho, entre Andradas e Ibitiura de Minas, ficam três morros que são o paraíso para quem gosta de escalada de aventura.

São eles o Morro do Elefante, Pântano e do Boi, onde há dezenas de vias que torna o local um campo escola pra quem quer aprender, se desenvolver e se tornar um Expert em parede.

Pedra do Patano em Andradas.

Pedra do Elefante em Andradas

Nenhum destes morros tem paredes gigantes como as de Salinas ou da Pedra Riscada, eles apresentam uma altura variando dos 100 aos 200 metros, o que confere vias de até 5 enfiadas, com grau de duração D1 ou D2 (veja mais sobre o sistema brasileiro de graduação de escalada).

O grande diferencial, no entanto, é o estilo arrojado destas vias e a facilidade de acesso e acomodação, com dois abrigos de montanha perto das rochas, o Abrigo do Pântano e do Velho, locais onde você será sempre bem atendido e estará sempre em meio de amigos.

A maioria das vias foi aberta por grandes escaladores, como Pedro Zenetti “Jacaré”, Felipo Croso, Marcos Nallon, dentre outros. Isso tudo nos últimos 10 anos, por isso elas preservam um estilo limpo, onde se utiliza muitas peças móveis. Estas vias exigem que o escalador use o cérebro para escalar e por isso são duplamente desafiadoras, pois o grau de escalada geralmente é um grau médio para parede, com muitas vias de quinto com crux em sétimo.

Pedro Hauck na via Mugida da Vaca Louca.

Existem vias fáceis, como é o caso das vias que ficam no setor “Campo Escola” da Pedra do Pântano. Lá é um local ideal para cursos, onde o aluno aprende a escalar em aderência, usar reglete, confiar na sapatilha e nas proteções. Neste setor fica a via “Mugido da vaca Louca”, um quartinho todo em móvel, ideal pra quem nunca guiou neste estilo. Para finalizar, ali fica uma via clássica de Andradas, a Nirvana, um quinto com sexto misto maravilhoso, de 90 metros de altura.

Na Pedra do Elefante ficam algumas vias boas pra quem quer começar e já escalam bem. É o caso das vias “Era do Gelo” (5 V E2 D2 150 m) e “Vulcano” (5 Vsup E2 D2 180m). Ambas as vias dão cume na pedra, mas são mais acessíveis por que não exigem equipamento móvel.

Pedro Hauck na via Volcano.

Quem já tem algumas peças e está no mesmo nível técnico, há outras vias clássicas, como a “5.15” (5 Vsup E2 D2 180m), que exige algumas colocações em enfiadas muito bonitas, como a primeira, que se desenvolve numa bela laca toda em móvel.

Proteções móveis em fendas de laca na via Zênite em Andradas – MG

Outra via mais ou menos neste nível, mas um pouco mais exigente psicologicamente é a Zênite (5 VI E2 D2 190). Esta via utiliza muito mais móveis e tem até uma parada que é feita assim, com colocações que na dependência da pericia do escalador ficam à prova de bomba! Completando a lista, temos a Paredão CEAR , que tem um crux em VI sup de veneno e é um E3 e também a Amigos são Diamante, que tem um crux de VIIa de pura aderência e agarras de cristaizinhos.

Se você já pegou as manhas, pode progredir indo para outros morros, como o Morro do Boi, que é um dos mais bonitos e menos frequentados. Ele tem uma mata preservada em sua base com uma cachoeira ao lado da pedra. Lá temos vias clássicas, como a “Irmãos Rocha” (6 VIIa E1 150 m). Como viram, é uma via mais exigente, mas é bem protegida, na dependência da pericia do escalador, já que as duas primeiras enfiadas são inteiras em móvel com lances de até VI sup, num diedrinho maravilhoso e super exigente. O crux fica numa barriguinha negativa de regletes e cristais.

Pedro Hauck na via Irmãos Rocha.

Outra via clássica do Boi é a “Supreme á Cubana” (4 VI E2 200m), via maior e bem constante, com bastante proteção móvel. Outra é a “Solaris”, maior via da pedra com 225 metros com crux de psicológico no E3.

Escalando a via Andragônia.

Se você já está calejado e querendo desafios, vem a vez de escalar no setor principal da Pedra do Pântano. Lá tem vias muito bem trabalhadas, como a Pão Francês, que eu colocaria a graduação como 5 VIsup, E2 D2 180 metros, trata-se de uma via desenvolvida quase inteira numa canaleta, sendo necessário muitas peças móveis grandes. Outra é a “Baguete não” (5 VI A1 E2 180 metros) uma das poucas vias com passagem em artificial, que é embaixo de um tetinho muito bonito.

Temos também a Savamu (5 VIsup E1 130 metros), com crux na terceira enfiada em móvel e a Caninana 6 (VIIB/ A1) 170 metros, vias lindas e exigentes que dá pra mandar com fluência… Para bombar o braço de quem gosta de resistência, sugiro fazer a Monstro do Pântano, uma via de duas enfiadas (60 metros) de um sexto grau constante e bem trabalhado num só esticão, sendo necessário 17 costuras.

Quem quer mais desafios, temos ali a Universo Paralelo, um 7b de duas enfiadas com uso de peças móveis em locais fáceis e a Tendências Sociofóbicas, um 7a com uso de peças móveis em locais difíceis!

Agora pra fechar mesmo a conta, recomendo só no final deste roll de experiência, para fechar com chave de ouro, que escalem a via Andragônia, (7 VIIB, E3 150 m). Se você fizer todas estas vias, pode ter certeza que irá escalar bem em qualquer lugar do planeta!

É ou não é um campo escola?

Veja mais:

:: Para escalar grandes vias
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Sobre o autor

Pedro Hauck - Equipe AM

Pedro Hauck é montanhista e escalador desde 1998. Natural de Itatiba -SP, reside atualmente em Curitiba-PR. Pedro gosta de escaladas clássicas e também de montanhismo de altitude, já tendo escalado algumas das mais altas dos Andes. É geógrafo, mestre em Geografia Física e atualmente faz doutorado em Geologia ambiental. Visite o Blog de Pedro em www.pedrohauck.net. Siga ele no Instagram @pehauck

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