As belezas do dedo menos conhecido da Serra

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Com 1.320 metros de altitude, Dedinho de Nossa Senhora tem caminhada puxada e escalada fácil.


Quando se fala em Serra dos Órgãos, a primeira montanha que vem a mente é o Dedo de Deus. Mas em outro “dedo”, menos conhecido que o marco do montanhismo nacional, a vista para essa cadeia é fantástica. É o Dedinho de Nossa Senhora, com 1.320 metros de altitude, que pode ser acessado através de caminhada semi-pesada, seguida de escalada artificial e cabos de aço. No último fim de semana estive lá mais uma vez acompanhado de amigos do Centro Excursionista Teresopolitano e relato hoje o fantástico passeio.

A entrada da trilha fica em curva próximo ao quilômetro 92 da Rio-Teresópolis e não é necessário pagar ingresso. Porém, assim como para outros caminhos acessados pela rodovia, é necessário passar antes na portaria do Parque Nacional e preencher termo de responsabilidade para entrar na área de conservação ambiental. Atualmente, um grupo de monitores ambientais tem feito fiscalização para coibir o acesso irregular nessas montanhas – lembrando que invadir uma área federal pode render pesada multa.

Assinado o termo, Eu, José Henrique Gomes e Raul “Magrão” Marques, iniciamos a aventura por volta das 8h. Felizmente, o pessoal da monitoria ambiental também tem realizado a manutenção das trilhas na Serra dos Órgãos, e o caminho para o Dedinho está aberto, com degraus em trechos mais íngremes, além de ter sido realizada a manutenção visando o escoamento melhor da água em alguns pontos. Até a base da escalada, são aproximadamente seis quilômetros morro acima, passando por trechos com água corrente e rios secos – que acabam confundindo a trilha, não recomendada para iniciantes no esporte, mesmo havendo alguns totens indicando o lado certo a seguir.

Uma hora e meia montanha acima, é hora de colocar o material de escalada para vencer um lance em trepa-pedra, passando depois por uma canaleta. Apesar de não ser difícil tecnicamente, uma pedra solta pode causar um acidente – para o guia ou participante e, por causa disso, a segurança nunca é demais.

Pouco acima, na base da parede lisa do Dedinho, cordas, estribos (espécie de escada feita de fitas), mosquetões… Hora de iniciar a escalada artificial! A modalidade leva esse nome porque não progredimos em contato direto com a rocha e sim através de equipamentos fixados na grampeação ou outro tipo de proteção, colocada bem mais próxima do que o convencional. Após aproximadamente 25 metros, chegamos a um pequeno platô, onde pegamos cerca de dez metros de cabos de aço até entrar na trilha novamente. Menos de cinco minutos de caminhada e pronto, cume!!!

Demos sorte e pegamos um belo dia de céu azul. No topo do Dedinho de Nossa Senhora, uma vista fantástica para outras montanhas da Serra dos Órgãos, se destacando o Dedo de Deus (de um ângulo bem diferente!) e o Garrafão. Peixe, Três Marias, Santo Antônio, São Pedro, Agulha do Diabo e até a Pedra do Sino! Avistam-se praticamente todas as principais formações rochosas dessa cadeia, sem contar os verdes vales que fazem da nossa região uma das mais belas do país. E cortando a floresta, o rio Soberbo, que pode ser ouvido descendo serra abaixo…

“Na primeira vez que estive aqui, não deu para ver nada… Só curti a escalada mesmo. Hoje está fantástico, dá para avistar de diferentes e impressionantes ângulos as outras montanhas da região”, relatou Raul “Magrão”, em entrevista para o programa Mochileiro produzido para a DIÁRIO TV.

O Dedinho foi conquistado em 1934 por Sylvia Bendy e William Richard Bendy, através da via que fizemos. Além dessa, existe do outro lado a variante Willy Chen, aberta nos anos 90, mas pouquíssimo freqüentada. Mais informações sobre esse passeio nas reuniões sociais do CET, que acontecem à partir das 20h de todas as sextas-feiras na loja da Sociedade Pró-Lactário, número 555 da Avenida Lúcio Meira.

O e-mail da coluna é o [email protected]

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Sobre o autor

Marcello Medeiros - Colunista

Marcello Medeiros é Biólogo e Jornalista, escrevendo sobre montanhismo e escalada desde 2003. Praticante de montanhismo desde 1998, foi Presidente do Centro Excursionista Teresopolitano (CET) entre 2007 e 2013.

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