Branca de Neve, – a bela princesa – do Vale dos Frades

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– Cume da montanha tem umas vistas mais impressionantes da região

Turma do Centro Excursionista Teresopolitano no final do Vale dos Frades, início da caminhada a partir a portaria da fazenda Itatyba

Sabe aqueles cenários de filme que deixam o telespectador boquiaberto? Aqueles locais que parecem verdadeiros contos de fada e dá vontade de morar neles? Então… Nunca é demais dizer que Teresópolis é cheia desses lugares de beleza cênica inquestionável e que encantam gente do mundo inteiro. E tem um cantinho em especial que merece sempre ser destacado diante da sua imponência nesse sentido e que, por conta disso, frequentemente é utilizado em gravações de cinema, televisão e comerciais. Cercado de montanhas, cortado por rios e protegido por unidades de conservação ambiental, o Vale dos Frades é único e oferece opções de lazer para todos os públicos. Falando das montanhas, são tantas que é até difícil escolher a mais bonita… Mas uma candidata fortíssima a esse título é justamente a que leva o nome de uma personagem conhecida pela sua beleza, a Branca de Neve.

A formação rochosa fica bem no final dos Frades, quase na divisa com Nova Friburgo, e oferece do seu cume uma das vistas mais espetaculares para toda a região, com destaque, logicamente por conta da sua localização, para o grandioso Parque Estadual dos Três Picos. Estive por lá recentemente com amigos do Centro Excursionista Teresopolitano, e mesmo “não tendo encontrado nenhum anão na trilha”, ou sequer conseguido descobrir o motivo da homenagem à personagem do conto dos irmãos Grimm, já estava com vontade de repetir o passeio antes mesmo de conclui-lo.

Cruzando o pasto, tendo ao fundo as montanhas conhecidas como Pico Maior do Vale dos Frades e Sanhaço

Como já citei aqui, quando chego ao cume de uma montanha, depois de confraternizar com meus parceiros de empreitada, gosto de parar e olhar lentamente para todos os cantos onde minha vista possa alcançar – reforçando minha insignificância nesse universo tão grande e agradecendo por poder estar contemplando o Mundo daquela maneira única e diferente da grande maioria das pessoas. Mas, na Branca de Neve, a situação foi um pouco diferente. Seu ponto mais extremo oferece uma vista tão deslumbrante para qualquer lado que se olhe que, confesso, fiquei um pouco perdido para onde olhar e fotografar. Percebi que seria necessário exercitar ao máximo minha aguçada percepção em relação ao que temos de tão belo e raro por aqui, belezas sempre aliadas a grandes e importantes fragmentos ricos em fauna e flora. E, mesmo que tivesse conseguido, ainda faltaria algo para ser visto. Isso porque os dias são sempre únicos. Os de céu azul, os nublados, os chuvosos… Em cada momento ou até mesmo horário diferente em um mesmo lugar, nada é igual.

O acesso

Bom, o acesso da Branca de Neve é por dentro da Fazenda Itatyba, que não restringe o acesso de montanhistas desde que deixem seus veículos do lado de fora e respeitem a propriedade e seus moradores. Logo após atravessar a portaria, o caminho segue para a direita. Depois de cruzar um longo pasto, uma passagem entre eucaliptos e a trilha em si tem início após um pouco de água. Íngreme e com um trecho a ser vencido em pequena corda (já fixada no local). Da metade em diante, o esforço pela falta das tradicionais curvas de nível é recompensado pela ampliada vista para as montanhas da região. Quando começamos a atravessar os pontos em lajedos, que podem ficar bastante perigosos em dias de chuva, toda a imponência do granito e as formações do Parque Estadual dos Três Picos se revelam gigantes.

O visual começa a ficar ainda mais bonito a partir dos lajedos da Branca de Neve, com destaque para os Três Picos

Ainda sobre a vista

Desse ponto em diante, é difícil pensar apenas no final da caminhada. O final do Vale dos Frades se descortina de maneira impressionante, ficando bem próximas as montanhas que dão nome à unidade de conservação ambiental, além de Caixinha de Fósforos, Dragão, Pico Maior dos Frades, Sanhaço, Três Municípios, Palmital, Quarteto, 21 de Abril… Ou seja, quase todas as formações rochosas dessa região são vistas de maneira única.

Chegando ao cume, a 2.040 metros de altitude em relação ao nível do mar, tudo fica ainda mais majestoso. Seio da Mulher de Pedra, Morro do Carmo, Dois Bicos… Mais longe, mas de fácil percepção, a nossa Serra dos Órgãos, do Dedo de Deus aos seus cumes mais altos, além das várias formações que ficam na divisa de Teresópolis e Petrópolis. Nesse dia, um mar de nuvens não permitiu registrar adequadamente essa cadeia, mas, mesmo assim, valeu cada gota de suor dispensada para chegar ao topo da Branca de Neve.

O visual começa a ficar ainda mais bonito a partir dos lajedos da Branca de Neve, com destaque para os Três Picos

Anta Maior e Filhote de Anta, Capacete e Três Picos e, à direita, a Branca de Neve. Registro feito do Bico Maior

Montanhista

Se você visitar essa trilha algum dia, não esqueça de respeitar os moradores do seu entorno e, logicamente, o meio ambiente. Não deixe nada a não ser pegadas e não leve nada a não ser boas lembranças. Respeitar a natureza é respeitar nossas futuras gerações.

Se quiser saber mais sobre a Branca de Neve ou outras opções de hikking, trekking, escalada e pedalada, visite uma das reuniões sociais do Centro Excursionista Teresopolitano (CET). Elas acontecem todas as quartas-feiras, a partir das 20h30, na loja da Sociedade Pró-Lactário, no número 555 da Avenida Lúcio Meira, ao lado da ponte. O e-mail da coluna é o [email protected]

Parte que atravessa os lajedos, no final da caminhada. Se chover, descida fica complicado em alguns pontos

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Sobre o autor

Marcello Medeiros - Colunista

Marcello Medeiros é Biólogo e Jornalista, escrevendo sobre montanhismo e escalada desde 2003. Praticante de montanhismo desde 1998, foi Presidente do Centro Excursionista Teresopolitano (CET) entre 2007 e 2013.

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